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fauna brasileira

Luta para salvar o tatu-bola

Governo federal aprova plano para tentar proteger mascote da Copa do Mundo, que corre risco de desaparecer

Publicado em 22/06/2014, às 11h48

 / René Cordeiro/Divulgação

René Cordeiro/Divulgação

Claudia Parente
cparente@jc.com.br

Em meio à riqueza da fauna brasileira, o animal escolhido para representar o País como mascote da Copa do Mundo está ameaçado de desaparecer da natureza em menos de 50 anos. O frágil tatu-bola Tolypeutes tricinctus, espécie 100% nacional, sofre as consequências da devastação do seu principal habitat, a caatinga, e da voracidade de caçadores. Para evitar esse destino cruel, o Ministério do Meio Ambiente aprovou o Plano de Ação Nacional de Conservação do Tatu-Bola (PAN), elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

Uma das 38 ações previstas no PAN é promover a divulgação do animal, tornando o tatu-bola o símbolo de preservação da caatinga, tarefa que o médico veterinário e professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) René Cordeiro vem desempenhando. Em busca do mascote, que não é registrado em Pernambuco há dez anos, ele foi até o Parque Nacional da Serra da Capivara (PI) em companhia do biólogo José Alves. Acabaram encontrando uma fêmea, que atuou como “modelo” em fotos e vídeo feitos para sensibilizar a população. O material será divulgado nas redes sociais de entidades ambientalistas. “O tatu-bola não é uma espécie conhecida. Ele é muito confundido com o tatu-peba”, explica Renê.

Devido à fragilidade do bicho, não há exemplares em nenhum zoológico do mundo, só em áreas de caatinga bem preservadas. “A presença dele em um local é um bom indicador ambiental”, informa Renê Cordeiro. O tatu-bola mede entre 40 e 43 cm e seu peso varia de 1 a 1,8 kg. As três cintas móveis que possui no torço permitem que curve a carapaça, adquirindo o formato de uma bola para se defender dos predadores.

Tanto o veterinário quanto o biólogo fazem parte do cordão de pesquisadores indignados com a atitude da Fifa em relação ao mascote. “Ele nem sequer apareceu na abertura da Copa do Mundo. A entidade usou a imagem do animal na propaganda do evento, mas não destinou um centavo até agora para ajudar na sua preservação”, reclama José Siqueira. O biólogo é um dos três autores de um artigo publicado na revista científica Biotropica, sugerindo ao governo federal que, a cada gol feito na Copa, mil hectares de caatinga fossem preservados. Até a presente data, não houve qualquer retorno.

Leia mais na edição deste domingo (22)




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