Jornal do Commercio
ECOLOGIA

Comunidade do Coque luta para manter área verde

Entidades pediram tombamento de cinco árvores que podem ser erradicadas para a construção do Terminal de Joana Bezerra

Publicado em 23/11/2014, às 07h08

Árvores, cercadas por tela de proteção, formam último reduto verde da comunidade / Alexandre Gondim/JC Imagem

Árvores, cercadas por tela de proteção, formam último reduto verde da comunidade

Alexandre Gondim/JC Imagem

Claudia Parente

O progresso dissociado da sustentabilidade está cobrando um alto preço aos moradores do Coque. A comunidade – que apenas do ponto de vista social pode ser considerada periférica, já que fica localizada no coração do Recife – ressente-se da perda sucessiva de equipamentos históricos, como o casarão da Vila Menezes (antigo comissariado), demolido para a construção da linha férrea do metrô. Agora, luta para preservar o último reduto verde do lugar. Um pedido de tombamento de quatro árvores e uma palmeira está sendo analisado pela Prefeitura do Recife.

Coordenador geral do Ponto de Cultura Espaço Livre do Coque, uma das duas entidades que subscrevem o pedido, Rildo Fernandes afirma que a construção do Terminal Integrado de Joana Bezerra, obra iniciada pelo governo do Estado em 2012, ameaça a sobrevivência do Sítio Histórico do Cajueiro do Coque, como o pequeno fragmento verde será batizado pela comunidade se a PCR acatar o pedido de tombamento. 

“Queremos que seja construída uma praça nesse local. É uma forma de preservar nossa última área verde”, diz Rildo Fernandes. Ele denuncia que as árvores, cercadas por telas de proteção, estão sendo aterradas. A areia já está encobrindo parte do tronco de alguns espécimes. “Elas estão morrendo sufocadas”, alerta, mostrando uma castanhola completamente ressequida.

Nascido e criado no Coque, Rildo, 63 anos, conta que a área onde está sendo construído o terminal era de maré. “Depois de aterrada, muitas famílias passaram a morar ali, mas foram retiradas por causa da obra”, relata. Ele lamenta a perda de referências históricas, como a guarita onde o funcionário da empresa ferroviária ficava, e o gasômetro que armazenava o carvão usado pelas locomotivas.

“Antes de começar essa construção, a gente via até sagui por aqui. Agora, os animais desapareceram”, lamenta, Carlos Costa, conhecida como Carlos da “bike” na comunidade. Tanto Carlos como Rildo se queixam da aridez do Coque. “Todas as ruas são desprovidas de árvores. Anos atrás, a prefeitura plantou algumas espécies, mas não vingaram”, lembra Rildo.

Pelo menos para esse ano, não há nenhum projeto para arborizar a área. “Mas podemos incluir a comunidade no Programa de Recuperação e Implantação de Áreas Verdes (Prav) de 2015”, garante o gerente-geral de controle ambiental do Recife, Ismael Cassimiro. Na próxima semana, a Comissão de Tombamento fará uma vistoria no local.

Questionado sobre o destino das árvores, o secretário executivo de Projetos Especiais da Secretaria das Cidades, Sílvio Bom Pastor, responsável pela obra do TI, disse que o projeto foi modificado para salvar parte do fragmento verde. “Na proposta inicial, das 30 árvores identificadas no entorno do TI, seria erradicadas 28”, informa. “Agora, só vamos retirar sete. Duas já estão mortas.” Ele afirma que, para cada árvore arrancada, serão plantadas três de espécies nativas da mata atlântica no lugar. “Vamos triplicar a área verde da comunidade”, garante. 




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