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Jardim Botânico desenvolve técnicas para diminuir o tempo de germinação de espécies

Três espécies de mata atlântica que serão plantadas em logradouros públicos do Recife

Publicado em 29/03/2015, às 09h21

Pau-de-jangada,  espécie ameaçada de extinção, está entre as que terão germinação acelerada / Foto: Fernando da Hora/JC Imagem

Pau-de-jangada, espécie ameaçada de extinção, está entre as que terão germinação acelerada

Foto: Fernando da Hora/JC Imagem

Claudia Parente
cparente@jc.com.br

Pesquisadores do Jardim Botânico do Recife (JBR) iniciaram uma pesquisa, em fevereiro, para aumentar o quantitativo de três espécies de árvores nativas da mata atlântica, uma delas ameaçada de extinção. Além de preservar as espécies, a intenção é plantá-las em parques, praças e calçadas da capital e reflorestar áreas degradadas em unidades de conservação do município.

Para aumentar a reprodução, a equipe do JBR está desenvolvendo técnicas que diminuem o tempo de germinação das três espécies estudadas: visgueiro Parkia pendula, embira vermelha Xylopia frutescens e pau-de-jangada Apeiba tibourbou, ameaçada de extinção. “Mesmo em condições ideais de temperatura e irrigação, muitas sementes caem no solo, mas não germinam em função do mecanismo de dormência que as plantas acionam para garantir a perpetuação da espécie”, explica o engenheiro agrônomo Bruno Viana, responsável pelo projeto. “Elas fazem isso porque, se germinarem todas de uma vez e forem atacadas por pragas, há o risco de não sobrar nenhum indivíduo.” 

O processo de dormência das plantas pode ser fisiológico (a água entra na semente, mas ela não germina) ou físico (quando a semente não consegue receber água). “Dependendo da espécie, as sementes podem levar dias, meses ou anos para germinar. Nosso desafio é reduzir esse tempo de dormência para produzir em escala no viveiro do Jardim Botânico”, revela o engenheiro, lembrando que há uma grande escassez de mudas no Recife para reposição das árvores que caem ou precisam ser erradicadas.

Como o nome sugere, o pau-de-jangada – árvore de madeira leve que pode chegar a 25 metros de altura – está ameaçado de extinção porque foi muito explorado para a construção de pequenas embarcações. Outro problema é a vulnerabilidade da semente, que fica no fruto conhecido como pente-de-macaco. “Antes de cair no solo, ela já é atacada por pragas ou fungos”, explica Bruno. “O percentual de regeneração da espécie também é muito baixo.”

Já o visgueiro não germina bem. Ano passado, pesquisadores colheram e plantaram mil sementes da espécie no viveiro do Jardim Botânico, mas apenas 200 germinaram, ou seja, 20% de aproveitamento. “Nossa expectativa é alcançar, pelo menos, 50% de germinação com as três espécies”, informa Bruno Viana, acrescentando que as sementes coletadas, antes de ser plantadas, estão passando por um tratamento para garantir uma reprodução uniforme e mais rápida.

Das três selecionadas para o projeto, a menos conhecida é a embira vermelha. “Há pouca pesquisa científica sobre ela. Inclusive, pretendemos aprofundar o estudo. Mas é uma árvore de copa densa, ideal para arborização urbana”, assegura o agrônomo. Bruno critica a escolha que muitas pessoas fazem por plantas exóticas. “Essas espécies geralmente causam muitos transtornos, principalmente ao patrimônio, com a destruição de calçadas e tubulações”, comenta. Outro contratempo é a falta de inimigos naturais para combater as pragas que atacam essas árvores. O agrônomo cita como exemplo o brasileirinho (Erythrina variegata) que, apesar do nome, foi introduzido no País. “Todos os indivíduos estão adoecendo, murchando e morrendo”, diz.

Os argumentos em favor das plantas nativas são fortes. As pragas encontram inimigos naturais para combatê-las e as árvores não demandam muita poda nem pedidos de erradicação porque não causam muitos danos aos imóveis e calçadas. “Como elas crescem mais devagar que as exóticas, não causam tantos danos”, explica Bruno. As primeiras sementes tratadas – 300 de cada espécie – para reduzir a dormência foram plantadas no viveiro do JBR há duas semanas. A expectativa é de que, até o dia 10 de abril, elas comecem a germinar.

 


Comentários

Por Gilberto Vasconcelos,07/08/2015

Parabéns pela iniciativa. Há de se observar que: Pau de jangada só se se propaga pela mão humana, visto que não se deve ter nenhum animal que faça a dispersão das sementes. No entanto sua germinação é alta " se o fruto for coletado na época certa" Já o Visgueiro precisa de pelo menos 70% de sombra para uma boa germinação para isso deve ser coletado o fruto "vagem", antes que ele se abra. Por se tratar de uma espécie tardia, as sementes germinam entre 10 dias e outras - da mesma vagem pode demorar meses para germinar. Estratégia da natureza para perpetuação da espécie. Esse ano tenho 1.000 mudas de visgueiro em meu viveiro. Visgueiro http://www.biomaurbano.org.br/#!ver-a-mata-/zoom/cn8j/i379c8 Pau de jangada http://www.biomaurbano.org.br/#!ver-a-mata-/zoom/cn8j/i231dgu Gilberto Vasconcelos - Viveirista Florestal Prazer em Servir

Por Ronaldo,29/03/2015

Esse projeto deveriam ter como prioridade o centro do recife e o subúrbio da cidade. São lugares onde tem mais falta de arvores ou de area verde, mas essa prefeitura irá colocar essas arvores, como sempre, em bairros nobres... E não em lugares carentes, onde nunca teve uma campanha de reflorestamento, as poucas arvores que restam estão desaparecendo de vez, vide os morros do recife, area verde praticamente não existe mais.



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