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CLIMA

Europa, pioneira atrasada na luta contra as mudanças climáticas

Para a COP21, os 28 países da UE se fixaram um plano para a meta de 2030: alcançar pelo menos 27% de energias renováveis, 30% de aumento de eficácia energética

Publicado em 16/05/2017, às 18h55

Fora da UE, Noruega e Califórnia adotaram normas muito rigorosas sobre as mudanças climáticas / Foto: Pixabay
Fora da UE, Noruega e Califórnia adotaram normas muito rigorosas sobre as mudanças climáticas
Foto: Pixabay
AFP

Terceira emissora de gases de efeito estufa (10%) do mundo, a União Europeia terá seus compromissos, avanços e desafios avaliados em Bonn, na Alemanha, durantes as negociações sobre a implementação do Acordo de Paris.

Ambição

Pioneira nos anos de 1990 com a criação de um mercado de carbono e investimentos em energias renováveis, a Europa tem sido superada por outros atores em termos de investimentos  verdes, e seu mercado de carbono, que cobre 40% de suas emissões (química, siderurgia e cimento principalmente) deve ser reformado em profundidade porque não cumpre com a função de estimular as empresas para que reduzam suas emissões.

"A UE começou antes e fez mais esforços para reduzir suas emissões", destaca David Levaï, pesquisador no Instituto de Desenvolvimento Sustentável (IDDRI) de Paris. Desde 1990, as emissões de Estados Unidos aumentaram 7%.

No entanto, segundo a Climate Action Tracker (CAT), que avalia os compromissos dos países, os objetivos da UE "estão longe do que é possível e necessário" para manter o aumento da temperatura mundial abaixo da meta de 2 ºC, fixada pelo Acordo de Paris em dezembro de 2015. Certamente todos os  grandes emissores (China, Estados Unidos, Índia, Rússia, Japão) precisam ser mais ambiciosos.

Alguns atores dos países industrializados já fazem isso, observa Bill Hare de Climate Analytics: "A Califórnia, que separadamente é a sexta economia mundial, aspira a 100% de eletricidade renovável em 2045" e "a Suíça quer reduzir em 50% suas emissões até 2030".   

"Para chegar a uma descarbonização das economias na segunda metade do século XXI, a Europa deveria, na sua qualidade de potência industrial, estar entre os primeiros a conseguir isso", explica David Levaï. "Por isso é preciso transformar  estruturalmente a forma como a economia cresce, gera emprego e consume. Essa reflexão ainda não foi realmente iniciada e constitui o verdadeiro desafio", acrescenta.

Avanços

Espera-se poder alcançar os três objetivos fixados para 2020: diminuição de gases de efeito estufa (-20%), energias renováveis (20%) e eficácia energética (+20%) tomando 1990 como ano de referência. A redução dos gases de efeito estufa já foi alcançada, com exceção de quatro países (Áustria, Bélgica, Luxemburgo e Irlanda), e a Agência Europeia de Meio Ambiente prevê que a redução chegue a até 24% em 2020.

"O objetivo de redução das emissões era modesto e por isso será superado mesmo se alguns países não cumprirem suas próprias metas", afirma Célia Gautier da ONG Climate Action Network.

Segundo a Eurostat, a proporção de energias renováveis era de 16,7% em 2014. Onze países já alcançaram sua meta (entre eles Bulgária, República Tcheca, os países nórdicos e a Romênia). Por outro lado, Holanda, França, Irlanda, Reino Unido, Dinamarca, Espanha, Portugal e Luxemburgo estão atrasados em relação a seus objetivos. A Suécia é a campeã das energias renováveis (53,9%), seguida pela Finlândia (40%).

2030

Para a COP21, os 28 países da UE se fixaram um plano para a meta de 2030: alcançar pelo menos 27% de energias renováveis, 30% de aumento de eficácia energética (menos energia para assegurar o mesmo serviço) e pelo menos 40% de redução das emissões em relação a 1990. "Esses objetivos fixam uma meta realmente mínima", estima David Levaï. Isso corresponderia a uma redução média de emissões a uma redução de emissões de aproximadamente 0,9% por ano entre 2014 e 2030, o que é menos ambicioso do que o realizado nesses últimos anos.



Segundo a Climate Action Tracker, a Europa deveria baixar em média suas emissões em 2% anual para chegar a reduzir entre 45 e 50% suas emissões em 2030, uma meta mais coerente com o Acordo de Paris.

O compartilhamento de esforços entre os 28 está em discussão. A Comissão propôs uma redução de emissões de entre 35 e 40% para Alemanha, França, Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, Luxemburgo, Holanda, Áustria, Finlândia e Suécia.

Já o esforço exigido das economias em desenvolvimento é menor: a Bulgária deve alcançar um nível similar ao de 2005. Croácia, Letônia, Lituânia, Hungria, Polônia (quinto emissor na Europa) e Romênia, entre 2% e 9%.

Desafios

"A maneira mais rápida e simples de reduzir as emissões é atuar no nível da produção energética mediante a substituição das energias fósseis (carvão, gás, petróleo) por renováveis, combinado com uma eficiência energética superior", explica Bill Hare. 

"É o setor onde é mais fácil de descarbonizar, graças a tecnologias cujo custo está baixando", estima Olivier Sartor, do IDDRI.

"Não se trata apenas de energia solar, mas também de energia eólica off shore", afirma Laurence Tubiana, diretora-geral da European Climate Foundation, que considera que "os governos europeus não captaram ainda totalmente a amplitude dessa transformação".

O instituto Climate Analytics estima que, para respeitar o Acordo de Paris, as 300 centrais térmicas de carvão implantadas em Europa, que têm a metade das emissões na Alemanha e na Polônia, deverão encerrar até 2030.

Segundo Olivier Sartor, também há avanços significativos no setor transportes -o segundo setor com mais volume de emissões- graças a normas impostas aos caminhões e a investimentos em infraestrutura para permitir o desenvolvimento em grande escala de veículos elétricos.

Holanda foi o país mais voluntarista nesse sentido: prevê proibir a venda de combustíveis derivados do petróleo para 2025. Fora da UE, Noruega e Califórnia adotaram normas muito rigorosas.

Por último, só um funcionamento eficaz do marcado de carbono permitirá conquistar avances em indústrias muito "sujas", como o aço e o cimento.


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