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Medicina

Mais de 28.000 plantas possuem propriedades medicinais, muitas não aproveitadas

Em relatório divulgado nesta quinta (18) pela Kew Gardens, destacou-se o grande potencial no uso de plantas em áreas como diabetes e malária

Publicado em 18/05/2017, às 09h30

A maconha foi reconhecida pela Anvisa na última semana como planta medicinal / Foto: Divulgação/PF
A maconha foi reconhecida pela Anvisa na última semana como planta medicinal
Foto: Divulgação/PF
AFP

Existem mais de 28.000 espécies de plantas com propriedades medicinais, mas muitas das quais não são aproveitadas em razão da falta de conhecimento e documentação, revela um relatório divulgado nesta quinta-feira (18) por uma importante instituição botânica britânica, a Kew Gardens de Londres.

Em seu segundo relatório anual, um verdadeiro censo mundial do mundo vegetal, foram listadas 28.187 plantas com virtudes medicinais, uma estimativa "provavelmente muito conservadora". Entre as novas plantas descobertas no ano passado estão nove espécies de uma trepadeira chamada Mucuna, utilizada no tratamento da doença de Parkinson.

"O relatório destaca o grande potencial no uso de plantas, em áreas como a diabetes e a malária", explicou Monique Simmonds, vice-diretora do departamento científico do jardim botânico de Londres. O relatório recorda que as substâncias de duas plantas, a artemisinina e o quinino, são "duas das armas mais importantes" contra a malária, que matou 400.000 pessoas em 2015.

Mas apesar do seu potencial, menos de 16% das espécies utilizadas em remédios estão citadas em periódicos médicos, observa o relatório. No total, 128 cientistas de 12 países trabalharam na elaboração do relatório "Estado Mundial das Plantas", contendo 1.730 novas espécies em comparação com o ano anterior. Entre elas estão cinco novas espécies de manihot descobertas no Brasil, sete novas aspalathus - usadas para a infusão - e uma nova Pastinaca sativa descoberta na Turquia.



Os riscos da globalização 

O relatório constata a destruição de plantas por meio de imagens de satélite. Os pesquisadores descobriram que, em 16 anos, "uma média anual de 340 milhões de hectares são queimados", grosso modo "o tamanho da Índia", indicou à AFP a doutora Sarah Wyse, que contribuiu para o relatório.

Enquanto este número parece alarmante, Wyse esclarece que algumas plantas precisam desses incêndios "para se regenerar". "Estes incêndios não são em si uma coisa ruim para muitos ecossistemas", indica.

O relatório estima que "o custo potencial para a agricultura mundial caso não se detenha a propagação de parasitas invasivos e patógenos" será de 540 bilhões de dólares por ano. Os autores pedem "medidas mais rigorosas de biossegurança", especialmente para o comércio de plantas vivas.

A globalização do comércio e as viagens internacionais facilitam, por exemplo, a propagação de grilos e lagartas legionárias, particularmente destruidoras de milho. O jardim botânico de Kew Gardens, no oeste de Londres, é o lar de uma das mais importantes coleções botânicas do mundo, e é um centro de pesquisa amplamente reconhecido que visa tornar o seu relatório anual uma ferramenta de referência.


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