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MEIO AMBIENTE

Guia sobre quelônios da Amazônia é lançado nesta quinta-feira

Livro é fruto da parceria entre o Inpa e a Organização Não-Governamental Wildlife Conservation Society (WCS Brasil)

Publicado em 02/08/2017, às 08h35

Obra vem suprir uma carência de uma fonte atualizada que reúna o conhecimento científico disponível sobre os quelônios / Foto: Divulgação
Obra vem suprir uma carência de uma fonte atualizada que reúna o conhecimento científico disponível sobre os quelônios
Foto: Divulgação
Editoria de Cidades

Nesta quinta-feira (3), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTIC) e a Organização Não-Governamental Wildlife Conservation Society (WCS Brasil) lançam o livro "Quelônios Amazônicos: guia de identificação e distribuição”. Na Amazônia são encontradas 18 espécies de quelônios, um dos grupos de vertebrados mais ameaçados do mundo por serem altamente vulneráveis a impactos humanos, principalmente pelo comércio em grande escala.

De acordo com Camila Fagundes, coordenadora de análises espaciais da WCS Brasil, o guia é um importante instrumento que reúne as informações mais relevantes e atuais dos quelônios amazônicos para contribuir, principalmente, com ações de conservação a serem desenvolvidas por diferentes públicos. Entre eles estão pesquisadores e estudantes, gestores de áreas protegidas e tomadores de decisões. Além da coordenadora, são autores do livro Camila Fagundes, Thais Morcatty, mestranda em Ecologia do Inpa, e o pesquisador Richard Vogt, um dos maiores especialistas em conservação e ecologia de tartarugas de água doce.

A obra compila informações atualizadas sobre taxonomia (identificação), biologia, ecologia, ameaças e distribuição das espécies de quelônios da Amazônia. Um dos diferenciais é que é o primeiro sobre quelônios lançado no Brasil que contém mapas de distribuição e de áreas ambientais adequadas à ocorrência de cada uma das 18 espécies da Amazônia, chave taxonômica para auxiliar na identificação de indivíduos jovens e adultos e imagens em tamanho real dos ovos de cada espécie para contribuir no seu reconhecimento.

De acordo com os autores, a obra vem suprir uma carência de uma fonte atualizada que reúna o conhecimento científico disponível sobre os quelônios, o que limita a capacidade de diferentes atores e instituições desenvolver ações conjuntas de conservação.

Cerca de 50% das espécies de quelônios do mundo estão listadas em alguma categoria de ameaça de extinção ou já foram extintas. Na Amazônia, as espécies de quelônios também são altamente vulneráveis, já que a cultura de consumo de ovos e carne dessas espécies, como da tartaruga e do tracajá, ainda é bastante presente. Além do consumo, os quelônios são ameaçados pela perda de habitat ocasionada pelo desmatamento, construção de hidrelétricas e mineração.



“Para se ter ideia, a tartaruga da Amazônia viaja centenas de quilômetros pelos rios amazônicos e retorna para desovar em seus locais de origem, sendo muito vulneráveis a alterações no leito dos rios”, destacou o pesquisador do Inpa, Richard Vogt.

Estratégias de Conservação

Segundo Camila Fagundes, as estratégias de conservação adotadas na Amazônia abrangem principalmente a proteção dos sítios de reprodução das espécies que desovam em praias e o monitoramento de fêmeas reprodutivas, e envolvem com frequência os moradores locais nessas atividades.

“Entretanto, para garantir maior eficácia da conservação dos quelônios na Amazônia é imprescindível conhecer a dinâmica populacional das espécies – onde se estuda sobrevivência, crescimento e fecundidade, por exemplo - especialmente para as espécies da família Podocnemididae e Testudinidae, devido ao alto grau de exploração que sofrem para consumo”, assegurou Camila Fagundes.

Informações hoje ainda incipientes sobre a biologia das espécies e a estruturação genética das populações, segundo Camila Fagundes, também são fundamentais nesse trabalho, por ajudar na compreensão das consequências de atividades humanas, como perda de habitats, construção de barragens e mudanças climáticas sobre o grupo dos quelônios. “Esse conhecimento pode subsidiar e nortear o desenvolvimento de medidas de conservação e mitigação de impactos nas populações de quelônios ameaçados”, disse.


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