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INTERCÂMBIO

Laboratório no Recife reúne cientistas com foco no ecossistema marinho

Sessenta professores e 50 estudantes de oito países vão pesquisar mares e oceanos. UFPE e UFRPE participam da iniciativa

Publicado em 11/04/2018, às 08h47

Pesquisas vão focar nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. Um dos eixos será a acústica marinha / Foto: Divulgação
Pesquisas vão focar nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. Um dos eixos será a acústica marinha
Foto: Divulgação
Margarida Azevedo

Sessenta cientistas e pelo menos 50 estudantes de oito países de quatro continentes vão se juntar para pesquisar o ecossistema marinho, com foco sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste brasileiras, criando uma rede de excelência nas ciências do mar. O trabalho de cooperação científica será sediado no Recife, a partir do Laboratório Misto Internacional Tapioca. A iniciativa é das Universidades Federal (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e do Instituto de Pesquisas pelo Desenvolvimento (IRD), existente na França.

O intercâmbio de pesquisadores envolverá representantes da América do Sul (Brasil, Chile e Peru), América Central (Cuba), África (Camarões e Benin) e Europa (França e Inglaterra). A idéia é que o Tapioca (em inglês Tropical Atlantic Interdisciplinary Laboratory on Physical, Biogeochemical, Ecological and Human Dynamics) seja o embrião de um futuro centro de excelência em ciências do mar.

“Nosso objetivo é que o laboratório dure cinco anos. Depois queremos implantar esse centro, contemplando todas as áreas das ciências marinhas”, explica o professor Moacyr Araújo, do Departamento de Oceanografia da UFPE. Ele vai coordenar o Tapioca no Brasil. Da França, a coordenação ficará com o professor do IRD Arnoud Bertrand. O instituto europeu concentra pesquisas nas relações entre o homem e o meio ambiente, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável.

As pesquisas do Tapioca vão priorizar três eixos: acústica marinha, processos de turbulência nos oceanos e oceanografia operacional. O objetivo é entender o ecossistema nas suas diferentes áreas (física, química, biológica).



“Vamos analisar, por exemplo, a distribuição dos organismos no oceano, como se alimentam e como isso interfere na cadeia alimentar. Nossas pesquisas poderão também prever a ocorrência de eventos climáticos extremos, como chuvas excessivas ou ressacas”, ressalta Moacyr Araújo. São informações importantes para a pesca e o turismo, observa o professor da UFPE.

FILOSOFIA

Integração e compartilhamento são as palavras-chave da iniciativa. “Muitas vezes os físicos trabalham sozinhos, os biólogos trabalham sós. Queremos juntar forças, favorecer as interações para justamente compreender os processos que afetam o ser humano e as mudanças climáticas. Passar do aspecto disciplinar para um aspecto ecossistêmi-co”, enfatiza Arnoud Bertrand. No grupo há oceanógrafos, engenheiros de pesca, biólogos, físicos, estatísticos e geólogos, entre outros profissionais.

Professora do Departamento de Pesca da UFRPE e integrante do Tapioca, Flávia Lucena destaca que os resultados das pesquisas serão fundamentais para gerenciar o uso do espaço marinho. As investigações terão como base, no Recife, o Centro de Estudos e Ensaios de Risco e Modelagem Ambiental (Ceerma), da UFPE, e os Laboratórios de Ecologia Marinha (Lemar) e de Estudos de Impactos Antrópicos na Biodiversidade Marinha e Estuarina (Bioimpact), ambos da UFRPE.

O Tapioca será financiado pelo IRD e pelos diversos projetos que vai agregar da UFPE e da UFRPE, por isso não há como mensurar o valor total que será investido. “Quem sabe, futuramente, a Facepe, que desenvolve um papel importante de apoio à pesquisa no Estado, nos ajude com recursos”, diz Moacyr Araújo. A Facepe é a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco.


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