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MEIO AMBIENTE

Faça sua parte e também cuide do lixo

O brasileiro produz, em média, um quilo de resíduos por dia. Coleta seletiva pode ser uma boa opção

Publicado em 15/04/2018, às 07h00

Em Rio Doce, Olinda, o catador Sebastião Duque banca uma escola com o dinheiro que arrecada vendendo material reciclável  / Foto: Filipe Jordão /  JC Imagem
Em Rio Doce, Olinda, o catador Sebastião Duque banca uma escola com o dinheiro que arrecada vendendo material reciclável
Foto: Filipe Jordão / JC Imagem
Margarida Azevedo

O brasileiro produz, em média, um quilo de lixo por dia. São 200 mil toneladas de dejetos diariamente. Iniciativas de coleta seletiva existem em apenas 69,6% das cidades. Diminuir a quantidade de lixo, escolher produtos que agridam menos o meio ambiente, separar o que pode ser reciclável, destinar corretamente o material e educar as novas gerações são ações que cada um pode fazer, independentemente do poder público. Não há desculpa para deixar de cuidar do planeta.

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2016, elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 3.878 municípios apresentam alguma ação de coleta seletiva, contra 1.692 que não desenvolvem nada nesse sentido. O estudo ressalta, no entanto, que em muitas cidades as atividades de coleta seletiva não abrangem a totalidade da área urbana.

“A política de coleta seletiva no Brasil ainda é muito incipiente. Há exceções. O Distrito Federal separa 12% dos seus resíduos. Porto Alegre atinge a marca de 9% de desvio de material do aterro sanitário para programas de triagem e reciclagem. Curitiba e Londrina possuem índices de reciclagem superiores a 10%, enquanto o Rio de Janeiro chega a 6%”, informa o coordenador do Grupo de Resíduos Sólidos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), José Fernando Thomé Jucá. O Recife, diz, chega a 2%.

Na capital pernambucana há coleta seletiva em 62 dos 94 bairros existentes na cidade, de acordo com a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). “Recolhemos em média 2.800 toneladas de lixo por dia. Desse total, 150 toneladas são de material reciclável. E 50 toneladas dos recicláveis não são aproveitadas por causa de separação inadequada”, explica o diretor de Limpeza Urbana da Emlurb, Bruno Cabral.

Recife dispõe também de 67 coletores fixos e 11 ecoestações (para receber volumes maiores e metralhas). Oito cooperativas de catadores recebem o material. No bairro do Arruda, Zona Norte, a Cooperativa Ecovida Palha de Arroz, formada por 15 mulheres, lucrou R$ 6.955 no mês passado. Cada trabalhadora ganhou R$ 492.

“Se as pessoas tivessem mais consciência, haveria mais material reciclável. Muitas embalagens chegam com resto de comida. Às vezes não conseguimos aproveitar”, relata a presidente da cooperativa, Maria José dos Santos.

BONS EXEMPLOS

O comerciante Sérgio Nascimento decidiu contribuir com coleta seletiva 20 anos atrás. Na frente da sua loja de material de construção, em Casa Amarela, na Zona Norte, ele instalou um ponto para receber plástico, vidros, papel, óleo de cozinha. São oito a 10 toneladas por mês. Catadores podem levar o que quiserem. O que sobra ele coloca no caminhão da empresa e leva para uma cooperativa na Torre, de uma a duas vezes por semana.



"Vendo para construção civil, que gera muito impacto ambiental. Ou me omitia ou partia para solução. Optei por contribuir com a coleta de recicláveis”, diz Sérgio Nascimento.

Em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, a coleta seletiva atende 24 bairros e beneficia 75 catadores de quatro cooperativas. São 150 toneladas por mês de produtos recicláveis. Além de capacitação, os catadores passam por treinamento para confeccionar artesanato com os produtos coletados, aumentado a renda.

Em Olinda, também na Região Metropolitana, o catador Sebastião Duque tira do lixo recursos para manter uma escola para 90 crianças de 2 a 6 anos, em Rio Doce. Os pais pagam R$ 30 por mês destinados aos salários das quatro professoras. O restante – energia, água, material de limpeza, papel – Sebastião compra com o dinheiro que arrecada vendendo plástico, papel, ferro e latinhas.

Ajudo o meio ambiente, tirando do lixo o material reciclável. O que as pessoas jogam fora vira meu sustento e ajuda na manutenção da escola que fundei há 34 anos”, afirma Sebastião Duque.

No condomínio Luar do Sertão, em Casa Caiada, onde moram 56 famílias, há coletores separados de lixo orgânico e material reciclável. “Ajudamos o meio ambiente e contribuímos com o sustento dos catadores que vêm buscar os recicláveis”, diz a síndica Juliana Dantas. O município só tem coletiva seletiva nas Avenidas Getúlio Vargas e Marcos Freire e nos bairros de Jardim Atlântico e Rio Doce.

A coleta é feita por uma cooperativa que reúne 21 catadores. A prefeitura cedeu um caminhão e o galpão para triagem do material. Por mês são cerca de 50 toneladas recolhidas.

“O lixo é responsabilidade de todos: poder público, empresas, fabricantes de embalagens, sociedade. Porque também é responsabilidade de todos as consequências do tratamento inadequado e da contaminação de aquíferos e do ar”, ressalta o professor da UFPE José Fernando Jucá.


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