Jornal do Commercio
PROFISSÃO DOCENTE

Saúde de professor está cada vez pior

A violência tem feito parte do cotidiano escolar. É o que mostra a segunda reportagem sobre a carreira docente

Publicado em 10/10/2011, às 10h54

Margarida Azevedo e Vanessa Araújo

Os professores estão adoecendo. Quase metade do número de afastamentos da sala de aula de profissionais ligados à rede estadual de ensino em Pernambuco, no ano passado, ocorreu devido a distúrbios emocionais (48% de 1.870 pessoas). As condições de trabalho e a violência a que têm sido expostos no ambiente escolar contribuem para o problema. A cada dois dias, em média, chegam ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) relatos de agressões contra docentes.

Um dos casos de violência que ganhou repercussão nacional aconteceu mês passado em São Paulo. Um menino de 10 anos atirou na professora e se matou em seguida. No Recife, uma docente da rede municipal de um colégio da Zona Norte está afastada do trabalho há 30 dias. Começou tratamento psiquiátrico depois que foi ameaçada pelo pai de uma aluna de 6 anos. A menina chegou arranhada em casa e, não admitindo a situação, ele foi cobrar satisfações. O homem disse que já havia sido preso duas vezes e não se importava em ser pela terceira vez, porque pela filha era capaz de tudo. Na verdade, a garota havia se machucado durante uma brincadeira no recreio.

"Acompanhamos casos extremos como o de um professor sequestrado de dentro da própria escola por um ex-aluno e de outro que apanhou de um estudante. Ainda vivemos em uma situação de escolas sem um sistema que interfira na questão da violência, tanto internamente quanto no entorno delas", afirma a vice-presidente do Sintepe, Antonieta Trindade.

Além da questão da falta de segurança, os docentes enfrentam problemas como salas lotadas, acúmulo de funções, extensa jornada de trabalho, estresse e baixa remuneração. Esses fatores acabam refletindo diretamente na qualidade do profissional em sala de aula. A professora doutora do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Zélia Porto ressalta que a realidade salarial muitas vezes impede que o professor tenha vivência pedagógica na escola, pois precisa passar por várias unidades de ensino para complementar a renda.

Leia mais na edição desta segunda-feira (10) do Jornal do Commercio




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