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CRIANÇAS ESPECIAIS

Autismo é desafio para escolas

Síndrome é mais comum do que se pensa, mas achar colégio preparado para lidar com o problema é árdua missão

Publicado em 01/04/2012, às 15h20

Ângela, mãe de Vitória, e Selma, mãe de Heloísa, ajudaram na formação dos professores / Foto: Clemílson Campos/JC Imagem

Ângela, mãe de Vitória, e Selma, mãe de Heloísa, ajudaram na formação dos professores

Foto: Clemílson Campos/JC Imagem

Margarida Azevedo

Vitória, 13 anos, nasceu no Recife. Heloísa, 5, na cidade de Vitória de Santo Antão, Zona da Mata pernambucana. Gilberto, 4, é de Angola, no continente africano. Os três fazem parte do universo de crianças autistas ou com espectro autista, o que significa que têm características da síndrome. Estima-se que uma em cada 110 crianças seja diagnosticada com autismo, tornando a doença mais comum que o câncer infantil, diabete e aids pediátricos. Vitória, Heloísa e Gilberto também enfrentaram dificuldade de encontrar uma escola que estivesse preparada para recebê-los.

O autismo é uma síndrome comportamental que compromete a capacidade cognitiva, a interação social e a comunicação. Afeta o modo como a pessoa percebe o mundo. Em geral, os autistas têm repertório restrito de atividades e interesses e funcionamento anormal na capacidade de imaginação. "O tempo de aprendizado de uma criança autista é diferente das demais crianças, pois a atenção e a concentração são comprometidas. Por isso a importância de um currículo individualizado, compatível com o tempo dessa criança", observa o psicopedagogo Victor Eustáquio.

Pesquisa realizada pela Somar, clínica especializada em atraso de desenvolvimento, localizada no bairro da Torre, Zona Oeste do Recife, onde Victor Eustáquio atua, revela que 87,5% das escolas não estão preparadas para receber alunos autistas. O levantamento aponta também que no entendimento de 65% dos entrevistados, as crianças com autismo atrapalham o rendimento da turma. A enquete, que ouviu 40 profissionais de escolas públicas e particulares da capital pernambucana, mostra ainda que para 72,5% deles, o autismo é a patologia mais difícil de ser trabalhada.

"Há uma carência de recursos humanos e materiais para que os educadores possam desenvolver uma intervenção pedagógica consistente, que envolva a permanência e participação com qualidade para a educação dos alunos portadores do espectro autista, bem como assistência e orientação aos familiares, já tão sofridos do ponto de vista afetivo, social e financeiro", ressalta o médico psiquiatra José Marcelino Bandim, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Ele coordena pesquisas abordando o transtorno autista e lançou recentemente o livro A criança autista e a escola (Edições Bagaço).

Vitória estuda no Colégio Ethos, em Casa Forte, Zona Norte. Heloísa, na Escola Reino Infantil, na cidade de Feira Nova, Agreste, onde mora com os pais. Gilberto é aluno do Centro Municipal de Educação Infantil Ana Rosa Falcão de Carvalho, que fica em Santo Amaro, área central do Recife.

"Vitória passou por três escolas. Na Ethos, eu ajudei a preparar a escola e a professora", conta a mãe da garota, Maria Ângela Lira. Com Heloísa não foi diferente. "Trouxe a professora para participar de uma formação no Recife", lembra Selma Araújo, mãe da criança.

A família de Gilberto veio para o Brasil em busca de tratamento para ele, que está há menos de um mês na escola. "Não há assistência na África. Não esperava ter dificuldade no Brasil. Visitei duas outras escolas. O problema maior é a falta de informação", afirma Danila Chipenda.

Leia mais na edição deste domingo do JC.

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