Jornal do Commercio
Fies

Corte no Fies pode criar monopólio no crédito estudantil

Kroton e Estácio dominam o crédito estudantil privado no País e terão mais força no setor com a redução de recursos do Fies

Publicado em 13/04/2017, às 11h46

Inadimplência do programa teria chegado a mais de 50% / Reprodução
Inadimplência do programa teria chegado a mais de 50%
Reprodução
JC Online

A redução do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) planejada pelo governo federal poderá criar um monopólio no financiamento ao ensino superior com a fusão entre a Kroton e a Estácio, operação anunciada em meados de 2016 e que aguarda o aval do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) até o meio deste ano. Os dois grupos praticamente dominam o crédito estudantil privado no País e terão mais força no setor com a redução de recursos do Tesouro Nacional para o programa estatal.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que esse efeito colateral da possível fusão entre as duas companhias tem preocupado os demais concorrentes do mercado de ensino superior presencial e à distância (EAD).

Há duas semanas, o jornal também adiantou que os ministérios da Educação e da Fazenda preparam uma mudança drástica nas regras do Fies, após a inadimplência do programa ter chegado a mais de 50% e a conta em 2016 aos cofres públicos ter batido a casa dos R$ 32,2 bilhões.

Concentração

Kroton e Estácio são os dois maiores grupos de educação superior do Brasil e, juntos, terão um valor de mercado que poderá chegar a aproximadamente R$ 30 bilhões.

Caso o Cade autorize a operação, a nova companhia dominará mais de 20% do setor e terá cerca de 1,6 milhão de alunos. É justamente esse poder econômico - capaz de absorver níveis maiores de inadimplência no financiamento estudantil - que preocupa grupos concorrentes que têm feito lobby contra a aprovação da fusão pelo órgão antitruste.

Em parecer publicado no começo de fevereiro deste ano, a Superintendência Geral do Cade recomendou que o tribunal de defesa da concorrência não aprovasse a fusão, alegando que a operação teria o potencial de gerar distorções no mercado não apenas em termos locais, mas em todo o território nacional, dada a forte presença de ambos os grupos no ensino à distância.



Dados levantados por empresas rivais no setor apontam que no EAD de administração, por exemplo, a nova companhia teria 60% do mercado. Em ciências contábeis, essa concentração chegaria a 65% dos alunos matriculados na modalidade à distância. Em engenharia civil (50%) e marketing e propaganda (45%), o novo grupo também deteria fatias elevadas desse segmento de ensino.

Por isso, para convencer o Cade a aprovar o negócio, a Kroton deve propor a venda de 100% do ensino à distância da Estácio para um terceiro competidor, mas a medida pode não ser suficiente para convencer os conselheiros do órgão antitruste.

Seleção

Para angariar o máximo de apoio jurídico à aprovação da fusão, a Kroton montou uma verdadeira seleção de ex-membros do Cade para produzir pareceres favoráveis ao negócio.

Entre eles, estariam o ex-presidente do tribunal Vinícius Marques de Carvalho, o ex-superintendente-geral do órgão Carlos Ragazzo e a ex-conselheira Ana Frazão, que foi a relatora que colocou diversas restrições à compra da Anhanguera pela própria Kroton, em 2015.

Até mesmo o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que indicou boa parte dos atuais conselheiros do tribunal, produzirá uma peça a favor da fusão.

Procurada pela reportagem, a Kroton informou que não comentará o assunto enquanto o caso não for julgado pelo Cade.


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Pernambuco Modernista Pernambuco Modernista
Conheça a intimidade de ateliês, no silêncio de casas, na ansiedade de pincéis sujos para mostrar como, quase nonagenária, a terceira grande geração da arte moderna de Pernambuco vai atravessando as primeiras décadas do século 21
A crise que adoece A crise que adoece
Além dos índices econômicos ruins, a recessão iniciada em 2014 no Brasil cria uma população mais doente, vítima do estresse causado pela falta de perspectivas. A pressão gera problemas psicológicos e físicos, que exigem atenção.
Agreste seco Agreste seco
A seca colocou de joelhos uma região inteira. Fez o Agreste sertanejar. Os cinco anos consecutivos sem chuva em Pernambuco ganharam aqui a dimensão de uma tragédia. Silenciosa e diária.

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM