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Ensino técnico: uma porta para o mercado de trabalho

MEC amplia oferta de ensino técnico com MedioTec e com o novo ensino médio, para facilitar entrada do jovem no mercado de trabalho

Publicado em 26/07/2017, às 06h00

Eduardo é estudante do 3º ano do Ensino Médio do Etepam e valoriza muito o ensino técnico que cursa / Ashlley Melo/JC360
Eduardo é estudante do 3º ano do Ensino Médio do Etepam e valoriza muito o ensino técnico que cursa
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O ensino técnico no Brasil sempre foi considerado uma formação complementar ao ensino médio. É claro que nem todo mundo se interessa pela área, mas alguns estudantes sequer cogitam a possibilidade de entrar em um curso profissionalizante durante o ensino médio ou ao fim da escola. Segundo o Ministério da Educação (MEC), apenas 18% dos jovens de 18 a 24 anos ingressam no ensino superior. O que quer dizer que a maioria termina o ensino médio sem qualquer formação profissional e vai buscar o mercado de trabalho sem qualificação.

Mas a formação técnica pode cumprir um papel muito importante no desenvolvimento do estudante e da região onde ele vive. Hoje em dia, por meio de mapeamentos e levantamentos, é possível direcionar as formações e preparar os adolescentes para as necessidades do mundo do trabalho. É dessa forma que está sendo feito o MedioTec, nova estratégia do MEC que faz parte do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

A ideia é estimular os estudantes do ensino médio a se matricularem em cursos técnicos no contraturno, com prioridade para os estudantes das escolas públicas. As vagas levam em conta as demandas locais, com dados sobre oportunidades reais de inserção. O novo programa visa ofertar ao aluno uma ampla formação, com dupla certificação regular. Serão investidos R$ 700 milhões para 82 mil novas vagas na rede pública, em 14 Estados.

“Estamos estimulando os alunos que estão fazendo ensino médio e que não pensaram na área técnica a pensar nisso”, afirma a secretária de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Eline Nascimento. “Os países que têm o menor índice de desemprego entre jovens são os que mais investiram em ensino técnico. Preparam o jovem para o mundo do trabalho, de modo que ele trabalha em cima de soluções reais”, continua. 

O diretor geral do Senai, Rafael Lucchesi, acredita no potencial do ensino técnico como porta para o mercado de trabalho

As vantagens dos cursos técnicos não param por aí: de acordo com levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem (Senai), eles são responsáveis pelos maiores índices de empregabilidade. No Senai Pernambuco, por exemplo, o curso com maior empregabilidade é o de automação industrial, em que 88% dos estudantes conseguem uma colocação no mercado de trabalho. Em seguida, vêm os cursos de administração empresarial e produção de moda, com 75% de empregabilidade cada. Até 2020, o Senai estima que Pernambuco precise capacitar 384 mil trabalhadores para profissões industriais. Os dados fazem parte do Mapa do Trabalho Industrial 2017-2020.

Além disso, dados da Fundação Itaú Social mostram que estudantes concluintes do ensino médio profissionalizante recebem 12% a mais, em termos salariais, que um estudante do médio regular. “O jovem sai mais preparado para ser empreendedor. Eles conseguem ver onde aplicar o conhecimento, o que é algo fundamental para o adolescente”, diz Eline.

Os benefícios do ensino técnico são tantos e tão evidentes que estudos do Banco Mundial, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e outros organismos indicam a necessidade de fomentar e induzir uma formação profissional mais integral e conectada com as demandas. Além do MedioTec, o novo ensino médio do MEC também vai estimular o ensino profissionalizante, trazendo a formação técnica como um dos itinerários informativos. O aluno vai ter a opção de deixar a escola com os diplomas de ensino médio e técnico.



“Com relação à reforma do ensino médio, estamos estimulando que o aluno possa escolher, ao longo do período, o ensino técnico. Ao longo do ensino médio eu vou fazer BNCC e, na hora de aprofundar, eu escolho o itinerário técnico. Vou escolher determinado curso na área técnica e já vou sair com as duas formações”, explica Eline Nascimento.

“O Novo Ensino Médio tem grande importância porque ele pode propiciar à juventude brasileira um melhor acesso ao mundo do trabalho. Como vimos, somente 18% dos jovens vão para a universidade. Na realidade brasileira, na forma como estava o sistema educacional, nós excluíamos 82% dos jovens. Temos que pensar em que caminhos fazer”, explica o diretor geral do Senai, Rafael Lucchesi.

O “Sistema S” é o exponente do ensino técnico no Brasil. Composto por 11 organizações, incluindo os Serviços Nacionais de Aprendizagem Industrial (Senai), Comercial (Senac) e Rural (Senar), o sistema se dedica à formação profissional em suas respectivas áreas, além de prestar assistência social, técnica, consultoria e pesquisa. Elas são mantidas por contribuições estipuladas pela Constituição Federal.

A gestora do Etepam, Sandra Domitilia, e o estudante Eduardo Vinícius, de 17 anos

Alguns institutos no estado já se dedicam a fornecer o ensino médio integrado ao ensino técnico. Espalhadas por Pernambuco existem 26 Escolas Técnicas Estaduais (ETEs), além do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), na Zona Oeste do Recife. A primeira escola nesse formato do estado, hoje chamada Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães (Etepam), surgiu no modelo atual em 1928 (é a mais antiga escola técnica do norte-nordeste) e se mantém em forte atividade. Dos seus 1547 estudantes matriculados, 467 fazem ensino médio e técnico juntos.

“A formação integral do estudante não é só passar mais tempo na escola. É cuidar da formação dele como um todo. Da parte intelectual, cognitiva, e de formação humana, ao mesmo tempo em que prepara o aluno para o mercado profissional e para a academia”, explica a gestora da Etepam, Sandra Domitilia de Carvalho.

O estudante Eduardo Vinícius, de 17 anos, está terminando o terceiro ano do ensino médio e reconhece a grande chance a que teve acesso ao cursar o ensino técnico integrado, no Etepam.

“Antes de começar o médio com o técnico, eu fiquei apreensivo por causa da carga horária. Depois que entrei, vi que tinha conseguido uma ótima oportunidade. É super legal você acabar seu ensino médio juntamente com um curso técnico, é um prelúdio pro mercado de trabalho. Além disso, acho que você se torna uma pessoa melhor, tem experiência profissional”, conclui.


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