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Moradores de Araçoiaba fazem movimento para barrar presídio

Um grupo de manifestantes fixou cartazes, que induziam a população a ser contra a instalação do presídio, em algumas placas de orientação de destino e placas educativas ao longo da BR-101

Publicado em 11/01/2012, às 09h51

 / Foto: Hélia Scheppa

Foto: Hélia Scheppa

Leonardo Teixeira

Os moradores de Araçoiaba, na Região Metropolitana do Recife, estão insatisfeitos com a ideia da construção de uma unidade prisional no município, anunciada há quase dois meses pela Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) de Pernambuco. Um grupo de manifestantes fixou cartazes, que induziam a população a ser contra a instalação do presídio, em algumas placas de orientação de destino e placas educativas ao longo da BR-101, no trecho que corta os municípios de Paulista, Abreu e Lima e Igarassu. Além disso, há quinze dias, o mesmo grupo realizou um protesto em frente à Prefeitura de Araçoiaba, com trio elétrico, exigindo que o prefeito Severino Alexandre Sobrinho também fosse contra o projeto.

Uma das coordenadoras do protesto, a comerciante Rivanda Arruda, 27 anos, explicou que nenhum morador da cidade é a favor da construção do presídio por medo da violência, mesmo a unidade sendo instalada no Engenho Purgatório, uma área distante sete quilômetros do centro da cidade.

“Araçoiaba é uma cidade muito tranquila, muito calma. Não vemos muita violência por aqui. Pessoas que moram em outros municípios se mudam para cá por causa da tranquilidade. O projeto é importante para desafogar outros presídios, mas termina trazendo bandido pra cá”, reclamou Rivanda. No ano passado, o município registrou pelo menos sete homicídios, três a menos que em 2010. Só em Paulista, tiveram 75 homicídios em 2011.

O prefeito Severino Alexandre promete que a instalação do presídio vai levar benefícios para a cidade. “No começo eu era contra, mas depois que muitos moradores de Araçoiaba foram trabalhar na construção do presídio de Itaquitinga, eu vi que era importante uma obra semelhante aqui. O novo presídio vai trazer emprego para Araçoiaba e vai fazer com que nossa região se desenvolva.” Severino Alexandre ainda assegurou que não recebeu nenhuma reclamação oficial dos moradores.

Uma comerciante que não quis se identificar reconhece que a construção pode gerar empregos na cidade, mas apenas temporariamente. “No começo, vai ter muita gente trabalhando no local. Mas, e depois? Quando tiver tudo construído, o número de empregos cai e sobram apenas os presos. Fora isso, ninguém sabe se vai ser regime semi-aberto, ou fechado, ou provisório. Já pensou um deles andando livremente pelas ruas daqui? A população de Araçoiaba não quer esse presídio.” O novo complexo prisional terá capacidade para 2.200 presos, numa área de 30 hectares.

O coronel Romero Ribeiro, secretário da Seres, garantiu que o terreno já foi desapropriado pelo governo do Estado e está aguardando a licitação do projeto para que as obras sejam iniciadas. “Não encontramos outro lugar para construir o presídio. Tem que ser em Araçoiaba. Não existe um espaço tão bom quanto este nos outros municípios vizinhos”, disse.

Os manifestantes garantiram que vão entrar com uma ação no Ministério Público de Pernambuco para impedir a construção do presídio. Eles ainda vão enviar um ofício ao governador Eduardo Campos, na semana que vem, detalhando a insatisfação dos moradores de Araçoiaba em relação à instalação da unidade prisional.

Um grupo que faz parte do Fórum Socioambiental de Aldeia, em Camaragibe, também no Grande Recife, se reuniu ontem para fechar uma série de providências contra a construção do presídio em Araçoiaba. Eles vão coletar assinaturas e também entrar com uma ação no Ministério Público.

“Nós estamos receosos. Tenho certeza que esse presídio vai comprometer a segurança do povo de Aldeia. Onde tem presídio, aumenta a marginalidade. Outra coisa que nos preocupa é a superlotação. Se um deles foge, a rota de fuga é a PE-027, que vai dar direto na comunidade”, protestou o professor Manoel Ferreira, presidente do Fórum.

Leia mais na edição desta quarta-feira (11) do Jornal do Commercio




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