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LITERATURA

Livros e cultura em cima do lombo do burro

Projeto de biblioteca itinerante leva informação para distritos da cidade de Amaraji, na Zona da Mata, despertando interesse pela leitura por onde passa

Publicado em 26/05/2012, às 18h00

 / Livros Andantes/Divulgação

Livros Andantes/Divulgação

Nathalia Pereira

“Queremos convidar você / Para uma longa viagem / Na estrada da leitura / Vamos com fé e coragem.” Quem faz a convocatória em forma de literatura de cordel é a professora Marta Maia Lima, 27 anos, agente do Projeto Livros Andantes que, desde 2009, forma novos leitores na cidade de Amaraji, com recursos do Funcultura Independente. Este ano, a iniciativa chegou a dois outros distritos do município, localizado na Mata Sul e Pernambuco. Todo domingo, Raiz de Dentro e Estivinhas recebem a biblioteca itinerante, que chega guiada por um burro todo colorido e vai juntando pessoas pelo caminho. A ideia é encantar todo mundo com o universo literário.

Não importa se o livro foi escrito por escritores estrangeiros ou brasileiros. Nem se é cordel, romance ou reportagem. O essencial é despertar o interesse das comunidades rurais pela leitura. Agregar conhecimento, incentivar o debate e a capacidade de interpretação do público é o alvo das rodas de leitura formadas toda semana pelos agentes do Livros Andantes.

Todo domingo, Raiz de Dentro e Estivinhas recebem a biblioteca itinerante, que chega guiada por um burro todo colorido e vai juntando pessoas pelo caminho

Símbolo da eficácia do projeto é a história de Marta, autora do cordel que abre esta matéria. Ela conheceu o programa em 2009, quando era professora de reforço de uma escola rural de Amaraji. “Me interessei pelas atividades propostas e levei meus 42 alunos para participar. A gente passava a semana preparando teatrinho, poesia e encenações das coisas do campo para apresentar nos domingos”, conta Marta, que hoje é agente do projeto e professora titular na escola onde trabalha. “Colocamos os livros na roupa do burrinho, aí junta aquele monte de gente e depois todo mundo se concentra em uma roda. Cada livro que se lê e se discute vai desenvolvendo mais a capacidade dos alunos”, conta a professora.

Cada biblioteca ambulante é composta por 200 livros e cordéis disponibilizados integralmente para as comunidades no final das atividades. Segundo a idealizadora e coordenadora do projeto, a jornalista Clara Angélica, os alunos pegam os livros emprestados e podem devolver quando quiserem. “Fazemos o controle dos empréstimos, mas os livros são do povoado, ficam lá quando as ações acabam. Queremos que as pessoas se interessem pelo acervo, como foi o caso da comunidade de Praça Grande, que construiu uma biblioteca depois de receber o Livros Andantes”, afirma Clara.

Colocamos os livros na roupa do burrinho, aí junta aquele monte de gente e depois todo mundo se concentra em uma roda. Cada livro que se lê e se discute vai desenvolvendo mais a capacidade dos alunos

professora Marta Maia Lima



Este ano, o projeto também conta com o Cineclube Bondosa Terra, que já exibiu o filme Terra para Rose, de Tetê Moraes. O filme é de 1985 e documenta o começo do movimento dos sem-terra, tema que faz referência à realidade dos povoados, ambos habitados por famílias assentadas. “Gostaria demais que o governo levasse a ideia a outras cidades. Entramos em contato com a Secretaria de Educação do Estado e nos pediram um projeto por escrito. Vamos enviar em breve”, explica Clara Angélica, que é natural de Amaraji e criou o Livros Andantes como forma de contribuir com o desenvolvimento das novas gerações da cidade.

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