Ruas esburacadas, calçadas quebradas, postes cheios de gambiarras, orelhões destruídos, lixo amontoado, carros estacionados em local proibido, esgoto correndo pelo meio-fio. Se você associou tudo isso ao Centro do Recife, acertou em cheio. “A cidade está malcuidada, a prefeitura promete, mas entra mandato, sai mandato e não há sinal de melhora”, lamenta Fátima Souza, enquanto caminhava pelo bairro de Santo Antônio.
Para ela, o maior exemplo da falta de cuidado com a cidade e com a população são as barracas de lanche instaladas ao lado de esgotos estourados. “Cadê a vigilância sanitária que não vê uma coisa dessas, só a misericórdia mesmo”, diz Fátima Souza. “Será que o Recife realmente está pronto para a Copa do Mundo?”, pondera a dona de casa.
A autônoma Cristina Santana elege as calçadas quebradas e obstruídas como um dos piores problemas do Centro do Recife. “Eu já levei quedas e tropeções nos buracos. Isso não é bom para o morador e nem para o turista. Ninguém quer morar num lugar assim, é bom circular numa cidade bonita, todo mundo gosta”, declara Cristina.
Na Rua da Palma, em Santo Antônio, ela aponta fogões e geladeiras expostos nas calçadas, como extensão da vitrine das lojas. “A prefeitura não pode permitir uma coisa dessa, como fica a acessibilidade, principalmente de idosos e deficientes?”, questiona. Passeios públicos são ocupados também por barracas de ambulantes e lanches, sobrando pouco espaço para o pedestre.
A prefeitura não pode permitir uma coisa dessa, como fica a acessibilidade, principalmente de idosos e deficientes?
autônoma Cristina Santana
As duas mulheres chamam a atenção para a quantidade de fezes humanas espalhadas nas ruas do Centro. “É uma coisa absurda, por isso convivemos com esse mau cheiro eterno”, acrescenta Fátima. A poucos metros da Rua da Palma, uma das calçadas da Casa da Cultura, ponto de visitação turística do bairro de São José, estava cheia de sacos de lixo. E uma tampa de galeria quebrada era sinalizada por um galho de árvore.
Carros de lanche ocupam de forma permanente vagas rotativas de Zona Azul da Rua da Concórdia. Na Avenida Dantas Barreto, ao lado do Calçadão dos Mascates (Camelódromo), em São José, motoristas ignoram a placa que proíbe parar e estacionar no local. Até um carro a serviço da Prefeitura do Recife comete a infração.
O trecho da Dantas Barreto mais próximo do Edifício JK, em Santo Antônio, está ordenado. Mas o teto das paradas de ônibus é usado como depósito de latas, papelões e flanelas. “Falta mais cuidado com o Centro”, repete o zelador Antônio Francisco da Silva. “Fico triste quando vejo a cidade assim”, diz ele, mostrando pedintes enrolados em lençóis deitados nos bancos da Praça da Independência e a estátua danificada do poeta Carlos Pena Filho, no mesmo logradouro.
Élida Dias, coordenadora do programa municipal Recife, Nosso Centro! reconhece os problemas enumerados pela população, mas credita parte deles ao vandalismo. “Terminamos de instalar lixeiras num dia e no outro já tem recipiente quebrado”, exemplifica. O ordenamento dos ambulantes, diz, não é uma tarefa fácil.
“A gente tira a barraca e o comerciante volta”, diz Élida. Uma das últimas ações do programa, lançado em novembro de 2010, foi a manutenção da Avenida Conde da Boa Vista, do Derby até a Rua da Aurora, com apoio do Grande Recife Consórcio de Transportes. “Ordenamos as paradas de ônibus, plantamos árvores e tiramos os ambulantes que estavam instalados nas telas do canteiro central.”
Passageiros do transporte coletivo, no entanto, continuam reclamando da ocupação da abrigos de ônibus pelo comércio informal. Na avaliação de Fátima Souza, falta fiscalização no Centro. “Como pode uma poste ter tanto fio enroscado e tanta gambiarra. É um risco para a população, será que a prefeitura não está preocupada com tudo isso?”, destaca.
Comentários
O governo tem sua parte de culpa nessa bagunça, mas enquanto as pessoas não mudarem de atitude não terá governo que de jeito.
Recife minha querida cidade onde nasci , que vergonha ve hoje em dia o estado em que tu chegastes devidos a esses maus governantes. Ta chegando a hora de dizer NAO .
Esta é a capital da imundice, o cheiro de esgoto está no ar! Após sucessivas administrações do PT em especial a ultima do " De Costas para o Recife"é o cenário que se vê.
Gostaria de registrar a minha indignação e ao mesmo tempo vergonha em relação ao estado da Rua Gervasio Pires ?Terra de Ninguém? que fica no Centro de Recife. Encontra-se completamente abandonada rua essa importante em que faz divisa com a Av Conde da Boa Vista e que nas horas de pico todos os carros cortam caminho por ela amenizando bem o engarrafamento. Já liguei varias vezes para prefeitura onde nunca obtive resposta. Simplesmente parece ignorarem a importância da Rua Rua Gervasio Pires. Vale lembrar que a via é de extrema importância para aquela área do centro da cidade. Mas, permanece como se fosse uma ?viela?. Péssimas condição, sequer os postes tem iluminações. À noite, é perigoso transitar por ela. Escuridão total, carros por cima das calçadas (os guardas da CTTU nada fazem e são totalmente coniventes), mendigos, crianças cheirando cola, prostituição infantil (o Concelho tutelar e na mesma rua), ambulantes tomam conta das calçadas (o fiscais da DIRCON ficam passeando no shope são corruptos e aceitam propinas dos ambulantes). A Secretaria de Assistência Social não existe e muito menos o IASC que esta acabado, praticamente falido e sem gestão. IASC este criado pra cuidar das pessoas em vulnerabilidade. VERGONHA.
Dildo, e por acaso PE é desenvolvido ? Não confunda crescimento econômico com desenvolvimento. O IDH de PE só supera o de AL, PI e MA. Além disso, a mentalidade subdesenvolvida esta impregnada no povo brasileiro, independente de estado de origem. Portanto, deixe de escrever bobagens.
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