Recife irá sediar o Ciclo de Debates Abralatas 2012, evento que pretende discutir a integração de prefeituras e catadores de lixo para reaproveitar e dar o devido destino ao lixo produzido nas cidades. A capital pernambucana é a única cidade do Nordeste que vai receber o encontro, que acontece em mais três capitais no Brasil: Rio de Janeiro, Porto Alegre e Manaus. Os debates acontecem no dia 7 de agosto, das 8h30 às 13h, no auditório do Banco Central.
Os temas que serão discutidos estão previstos na nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e todas as cidades brasileiras deverão se adaptar às diretrizes estabelecidas na PNRS, que prevê, por exemplo, o fim dos lixões até o ano de 2014. A temática também ganhará destaque nos programas eleitorais deste ano.
“Será elaborado um documento-base, a ser encaminhado aos candidatos das cidades com mais de 500 mil habitantes, para que se comprometam com a reciclagem e com as cooperativas de catadores”, disse Renault Castro, diretor-executivo da Abralatas.
De acordo com os dados da Associação Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape), Pernambuco possui um total de oito mil catadores cadastrados e, desses, metade (quatro mil) está na Região Metropolitana do Recife. Uma população que será afetada diretamente pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina por parte do poder público, o fechamento de todos os lixões até 2014.
Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ainda há 2.906 lixões no Brasil, distribuídos em 2.810 municípios. A maior parte (1.598 cidades) fica na região Nordeste (56%). O restante fica distribuído pelas regiões Norte (13,5%), Centro Oeste (12%), Sudeste (11%) e Sul (6,5%). Para os técnicos do Ipea, uma solução para alcançar o que determina a PNRS seria a formação de consórcios públicos, especialmente com pequenos municípios. A lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos diz que os municípios que optarem por soluções consorciadas com outras cidades terão prioridade no acesso a recursos da União.
“Os dados mostram que os prefeitos – os atuais e os futuros – precisam tomar alguma providência nesta área. Temos que aproveitar a oportunidade para ver quem realmente está compromissado com o futuro da reciclagem, compromissado com a Política Nacional dos Resíduos Sólidos e com as cooperativas de catadores”, reforça o diretor da Abralatas.
COLETA SELETIVA - Apenas 18% dos municípios brasileiros adotam algum tipo de coleta seletiva de materiais recicláveis, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo nessas cidades, ainda é pequena a participação dos resíduos recuperados pelos programas oficiais. Das quase 10 milhões de toneladas de metais reciclados nos país por ano, apenas 72,3 mil toneladas (0,7%) são provenientes desses programas de coleta seletiva, mostrou estudo do Ipea.
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