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Desafio triplo na saúde

Novo superintendente do complexo hospitalar da UPE enfrentará problemas comuns ao Oswaldo Cruz, Cisam e Procape

Publicado em 05/10/2013, às 05h55

Procape pode atender 33 pessoas, mas na quinta-feira havia 80 pacientes na emergência / Hélia Scheppa/JC Imagem

Procape pode atender 33 pessoas, mas na quinta-feira havia 80 pacientes na emergência

Hélia Scheppa/JC Imagem

Marina Barbosa
mbarbosa@jc.com.br

O complexo hospitalar da Universidade de Pernambuco (UPE) tem novo superintendente. O cirurgião cardíaco Ricardo Lima foi eleito pelo conselho universitário para o cargo com a missão de resolver velhos problemas das unidades que compõem o integrado: Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) e Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape). Superlotação, déficit de médicos, baixo financiamento e problemas estruturais atingem até o Procape, mais novo integrante do complexo. A unidade sofre com falta de pessoal e alta demanda. Pacientes se acumulam em macas e cadeiras ao longo dos corredores da emergência.

Com sete anos de funcionamento, o Procape é referência no tratamento cardiovascular do Estado. Por dia, cerca de 80 pessoas dão entrada na emergência. A ala conta com apenas 33 leitos. Funciona constantemente acima da sua capacidade. Macas e poltronas tomam conta dos corredores. Leitos improvisados ficam colados uns aos outros, sem espaço ou privacidade entre os pacientes. Muitos ainda têm que esperar dias por um exame ou um quarto.

O estampador Joaci Alves, 58 anos, por exemplo, sofreu um infarto e, em uma cadeira reclinável, espera há dois dias por um cateterismo. Na quinta, estava em jejum há 12 horas aguardando o exame. “Ontem não tinha vaga, por isso tive que esperar. Não posso dizer que o atendimento é ruim, mas a estrutura é. Como podemos ficar 48 horas sentados em uma cadeira depois de um infarto? E essa cadeira está quebrada, é desconfortável”, revelou.


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Nos outros andares, os problemas são menos visíveis, mas nem por isso menos graves. Os quartos estão sempre ocupados e os médicos tentam dar alta o mais rapidamente possível aos pacientes para ceder espaço àqueles que estão amontoados. Além disso, as UTIs pós-operatória e pediátrica estão com leitos desativados porque não há médicos. A falta de pessoal também deixa os que precisam de consultas ambulatoriais esperando quase um mês para conseguir vaga e mais três meses para ser atendido.

O diretor do Procape, Sérgio Montenegro, diz que o hospital sofre com superlotação desde a inauguração, em 2006. “O Procape é a maior referência do Estado no tratamento de doenças cardiovasculares, por isso é muito procurado e acaba sobrecarregado. Essa não é a acomodação que gostaríamos de oferecer, mas também não podemos deixar de atender. Assim é ruim, mas é melhor que ficar sem tratamento”, declarou.

Montenegro lembrou que a UPE realizou concurso público para resolver o problema de falta de médicos. Os sete aprovados foram nomeados e devem assumir até o fim do mês. Além disso, uma seleção simplificada está sendo feita para chamar 80 servidores. Hoje, 244 médicos e 28 residentes trabalham no Procape. Por mês, são 4.900 consultas e 2.900 atendimentos emergenciais.

Os problemas do Procape não são os únicos desafios do superintendente. No Oswaldo Cruz, pavilhões inteiros estão fechados por causa de infiltrações e falhas no sistema elétrico. Sem condições adequadas, muitos médicos entregaram seus cargos nos últimos meses. Pacientes sofrem com falta de leitos e atendimento.

O diretor do Huoc, Emanuel Fraga, está no cargo há apenas uma semana e confessou que a situação é caótica. Mas lembrou que a UPE está realizando seleção simplificada para 265 profissionais e estuda reformas em caráter emergencial.

Já o Cisam está com a maternidade fechada desde março de 2012 por problemas estruturais. A reforma deveria ter sido finalizada em abril, mas as obras foram interrompidas e só devem acabar no fim deste mês.

Leia mais na edição do JC deste sábado (5)




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