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Patrimônio

Forte Orange fechado para obra de restauração

Trabalho se estenderá até dezembro de 2015 e prevê o resgate dos vestígios holandeses na fortaleza secular

Publicado em 20/05/2015, às 08h08

Piso e paredes da casa de pólvora feita pelos holandeses no pátio central da fortaleza / Foto: Guga Matos/JC Imagem

Piso e paredes da casa de pólvora feita pelos holandeses no pátio central da fortaleza

Foto: Guga Matos/JC Imagem

Cleide Alves
cleide@jc.com.br

O Forte Orange, na Ilha de Itamaracá, ao norte do Grande Recife, passa por obra de restauração desde outubro de 2014 e está fechado ao público. Quando o trabalho terminar, em dezembro de 2015, os visitantes poderão contemplar vestígios da construção holandesa que estavam escondidos sob a atual fortificação portuguesa.

Uma porta, a casa de pólvora e uma cacimba indicam a presença flamenga no forte, erguido à beira-mar. Os achados foram encontrados em janeiro de 2003 pelo Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco. Mas permaneceram fechados esse tempo todo, como medida de proteção.

Agora, com os recursos assegurados e as ações iniciadas, os arqueólogos retornam ao local para liberar as relíquias. “Estamos resgatando as estruturas que localizamos há pouco mais de uma década e que serão aproveitadas na obra de restauração”, diz o arqueólogo Marcos Albuquerque.

A porta de entrada do forte holandês, de 1631, era voltada para o Canal de Santa Cruz. Doze anos atrás, estava soterrada, debaixo de 1,2 mil tonelada de areia no terrapleno, um terreno resultante de aterro entre a muralha e a contramuralha da fortaleza.

Restos de parede e piso da casa de pólvora, onde se guardavam barris com os explosivos, afloraram na Praça de Armas. A casa e os muros de arrimo que protegem a porta foram construídos com tijolos da região da Frísia (Holanda), embarcados como lastro nos navios, informa Marcos Albuquerque, coordenador do Laboratório de Arqueologia.

A cacimba, na Praça de Armas, o pátio central do forte, fica próximo dos vestígios do quartel holandês que também ficarão aparentes. É um poço de 90 centímetros de diâmetro por 2,2 metros de profundidade e tinha um barril de madeira nas bordas para segurar a areia, diz o arqueólogo.

A fortaleza fazia parte do sistema de defesa do litoral brasileiro implantado no período da dominação holandesa (1630-1654). A edificação, reconstruída pelos portugueses em 1696 e reformada em 1777, é tombada como monumento nacional desde 1938.

Superintendente em Pernambuco do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Frederico Almeida disse que a obra de restauração abrange toda a edificação. “Vamos mostrar ao público as duas histórias ali existentes, a holandesa e a portuguesa”, diz ele. A fortificação está sob responsabilidade do Iphan.


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Ele acrescenta que o Forte Orange (Fortaleza de Santa Cruz, no nome português) concorre ao título de Patrimônio da Humanidade da Unesco. “Dos 18 fortes de defesa da costa brasileira selecionados, três são de Pernambuco: Orange, Brum (Bairro do Recife) e Cinco Pontas (São José, Centro da capital).” O resultado será conhecido até o fim deste ano.

Os recursos para a execução da obra, oriundos do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), somam quase R$ 10 milhões. “Temos verba do Estado e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)”, diz o secretário de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco, Felipe Carreras.

“Vamos discutir com o Iphan, a comunidade e o prefeito da ilha os usos da fortaleza”, declara o secretário. Os arqueólogos encontram-se no forte desde segunda-feira passada e esperam encerrar a atividade em um mês.




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