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VIOLÊNCIA

''Esse policial acabou com a vida dele e com a minha'', diz pai de jovem morto por PM

Alisson Campos foi alvejado ao atender o telefone celular

Publicado em 21/12/2015, às 11h53

Alisson foi morto com um tiro nas costas / Reprodução/Facebook

Alisson foi morto com um tiro nas costas

Reprodução/Facebook

Do JC Online
Atualizada às 12h50

Um jovem de 20 anos morreu após de levar um tiro efetuado por um policial militar, no bairro do Derby, área central do Recife, na noite deste domingo (21). Alisson Campos da Silva estava na garupa de uma motocicleta conduzida por um primo. Por volta das 21h30, os dois pararam em um semáforo de trânsito ao lado do carro do policial militar Dídimo Batista da Silva, no cruzamento da Avenida Agamenon Magalhães com a Rua Henrique Dias, no bairro do Derby. Nesse momento, segundo o primo do jovem, Alisson foi pegar o celular que tocava no bolso e o policial, que confundiu o aparelho com uma arma, atirou. O próprio PM chegou a socorrer o jovem, levando-o ao Hospital da Restauração, mas Alisson não resistiu e faleceu.




“Eu parei no sinal, normal, e ele [Alisson] foi pegar o celular. Só que ele estava com um boné fazendo volume, aí o policial já chegou em cima da gente com a arma. O tiro foi nas costas”, contou o primo do jovem, em entrevista à TV Jornal. Ao perceber que não se tratava de assalto, o policial socorreu Alisson Campos para o Hospital da Restauração (HR), mas este morreu na unidade de saúde.

O pai de Alisson, o operador de máquinas José Márcio Campos da Silva, chegou a desmaiar duas vezes no Hospital da Restauração após ouvir a notícia da morte do filho, ainda na noite de ontem. Na manhã de hoje, na sede do Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, ele pediu justiça. "Meu filho era trabalhador, nunca se envolveu em problemas. Era fotógrafo e desenhista. Esse policial acabou com a vida dele e com a minha".

O PM Dídimo Batista se apresentou no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), foi ouvido e vai responder em liberdade até a conclusão do inquérito. “No momento estamos ouvindo as testemunhas para ver qual será a postura da Polícia Civil. Por enquanto temos que levar em consideração que o suspeito ajudou no socorro e se apresentou espontaneamente”, explicou a delegada Josineide Confessor, que iniciou as investigações. O corpo de Alisson Campos da Silva foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro.

Leia a nota da PM:

A Assessoria de Comunicação da PMPE esclarece que por volta das 21h30 de ontem (20), o soldado Dídimo Batista da Silva, lotado no BPChoque, estava em seu veículo quando parou em um sinal do cruzamento da avenida Agamenon Magalhães com a rua Henrique Dias e dois indivíduos numa moto encostaram no carro em que o soldado estava, onde neste momento o garupa fez menção de tirar um objeto da linha da cintura anunciando um assalto.

O policial por sua vez, sacou sua arma (revólver calibre 38) e efetuou apenas um disparo em direção aos supostos assaltantes vindo a atingir o garupa que caiu na via. O piloto, à principio tentou fugir, parando mais a frente. O militar solicitou o apoio de uma Patrulha do Bairro e socorreu Alison Campos da Silva, 20 anos para o Hospital da Restauração onde veio a óbito.

O PM se apresentou ao DHPP, onde prestou esclarecimento. Após ser ouvido pela autoridade policial, por não haver elementos para uma autuação em flagrante, foi liberado, ficando a disposição do Departamento, sendo apreendidos para perícia o veículo e a arma. O fato será apurado, de agora em diante, através de inquérito policial. 

O soldado permanece nas atividades laborais normais e será aberto uma sindicância pelo Batalhão de Choque.

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