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Patrimônio

Forte Orange, mesmo em reforma, abre as portas para receber visitantes

A obra de restauração do Forte Orange, na Ilha de Itamaracá, é realizada pelo Prodetur com recursos do BID

Publicado em 25/05/2016, às 08h08

Limpeza resgata a cor natural da muralha que cerca o Forte Orange, na Ilha de Itamaracá / Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Limpeza resgata a cor natural da muralha que cerca o Forte Orange, na Ilha de Itamaracá
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

O Forte Orange, na Ilha de Itamaracá, ao Norte do Grande Recife, passa por obra de restauração desde outubro de 2014, mas não está de portas fechadas como antes. A fortaleza do século 17 encontra-se parcialmente aberta para receber visitantes, desde o fim de 2015.

“Pela importância da edificação, liberamos algumas áreas e criamos um caminho paras as pessoas percorrerem, sem interferir no andamento do trabalho”, afirma Izabel Urquiza, secretária-executiva do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) da Secretaria Estadual de Turismo, Esportes e Lazer.


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Depois de cruzar a porta, o visitante se depara com o canteiro de obras na Praça de Armas, o pátio central da fortificação. Além de acompanhar a intervenção, a distância, é possível subir no baluarte e contemplar o forte e a paisagem.

O primeiro resultado da restauração, a limpeza das muralhas, já é visível para o público. Com a remoção da sujeira, as pedras voltaram à cor de origem. “Muita gente pensa que pintamos a muralha. Isso não aconteceu, aquele é o tom natural”, declara Izabel.

De acordo com ela, a empresa contratada para fazer o serviço vai recuperar as edificações existentes na área interna do forte e construir uma estrutura metálica para as pessoas observarem a porta holandesa resgatada na pesquisa arqueológica, sem danificar o achado.

A porta de entrada do forte holandês, construído em 1631, estava escondida debaixo de 1,2 mil toneladas de areia no terrapleno, área aterrada entre a muralha e a contramuralha. Foi encontrada em 2003 pela equipe do Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Inicialmente feito de areia e tábua (taipa), o Forte Orange integrava o sistema de defesa do litoral brasileiro no período holandês (1630-1654). A fortaleza foi reconstruída pelos portugueses em 1696 e reformada em 1777. Ao escavar o local, o arqueólogo Marcos Albuquerque constatou que a edificação holandesa estava debaixo da portuguesa.

“Os achados arqueológicos ficarão expostos no forte”, avisa Izabel. Isso inclui desde fragmentos de cachimbos até a porta flamenga, a casa de pólvora e a cacimba que abastecia a tropa, todas descobertas pela equipe de Marcos Albuquerque.

A obra, orçada em R$ 11 milhões (valor reajustado) estava prevista para terminar no fim de 2015, mas em função de adequações no projeto o prazo teve de ser prolongado para 2017. Os recursos são do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Izabel acrescenta que o Prodetur também está recuperando a PE-35, rodovia estadual de acesso ao forte, no trecho Igarassu-Itapissuma. “Vamos pleitear ao Ministério do Turismo a restauração da ponte que liga Itapissuma a Itamaracá e do restante da rodovia, numa ação conjunta com a Secretaria Estadual de Transportes.”

A fortaleza, à beira-mar da ilha, é tombada pela União desde 1938 e recebe visitas da terça-feira ao domingo, das 9h30 às 17h. Caberá ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e à Prefeitura de Itamaracá definir a nova ocupação do forte.

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Comentários

Por Christopher Sellars,03/08/2016

Boa noticia ! É muito louvável que pelo menos um dos atrativos turísticos da ilha está recebendo algo de atenção. No mesmo tempo é muito triste neste ano 2016 no qual Vila Velha está celebrando os 500 anos da sua fundação por Pero Capico em 1516, que a igreja, a mais antiga existente no Brasil (1526), não recebe uma mão de pintura como presente de aniversario ! Pero Capico chegou a Itamaracá mandado por Dom Manuel por alvará real de 1516, encarregado de organizar o cultivo de cana e armar o primeiro engenho açucareiro no Brasil. Capico ficou dez anos na Vila da Nª Sª da Conceição ate 1526 quando João III lhe chamou volta pra Portugal, remplazando Capico com Cristovão Jaques como capitão ( não hereditário, mas nas palavras do Rei como Capitão). Houve exportações de açucar durante a estada de Capico. No ano 1531/2 Dom João III mandou o escrivão Capico volta ao Brasil junto com Martim Afonso e foi então quando Capico organizou a administração e fundação do nascente Vila de São Vicente, como mencionado no "Diario de Navegação" de Pero Lopes irmão de Martim Afonso. Por isso os de São Pàulo aduzem que S. Vicente foi a primeira vila no Brasil, quando a verdade é que a Vila de Nª Sª da Conceição, Itamaracá foi levantada pelo menos 15 anos antes !

Por Clebson Borba,25/05/2016

Precisam recuperar além da ponte, que não tem mais o passeio público, o trecho de pouco mais de 5 km da PE-001 entre o girador que vai para o Pila e Jaguaribe e o Forte Orange, esta PE está em péssimas condições.



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