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História

Estado doa verba para comemorações dos 200 anos da Revolução de 1817

Instituto Arqueológico, guardião de peças ligadas à Revolução de 1817, vai receber R$ 20 mil por mês, durante 24 meses

Publicado em 12/07/2016, às 19h37

Instituto Arqueológico faz parte da comissão que organiza o bicentenário da Revolução de 1817 / Foto: Edmar Melo/Arquivo JC Imagem
Instituto Arqueológico faz parte da comissão que organiza o bicentenário da Revolução de 1817
Foto: Edmar Melo/Arquivo JC Imagem
Da Editoria Cidades

Guardião de peças que remetem à Revolução Pernambucana de 1817, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano receberá uma ajuda mensal no valor de R$ 20 mil, durante 24 meses, para a restauração do acervo. A lei que autoriza o governo do Estado a fazer o repasse da subvenção social foi sancionada nesta terça-feira (12) na sede da entidade, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife.

No prédio de número 130 da Rua do Hospício, o instituto preserva a espada e os óculos de lentes de vidro verde de José de Barros Lima (Leão Coroado), capitão do Exército que aderiu à causa republicana e deflagrou a revolução em 6 de março ao matar o comandante do regimento no qual estava lotado. “Temos muitos documentos em papel e quadros de pessoas que participaram do movimento”, declara o arquiteto José Luiz Mota Menezes.

Presidente da entidade, ele cita quadros que retratam os comerciantes Domingos José Martins (1781-1817) e Gervásio Pires Ferreira (1765-1838) e outro representando a bênção da bandeira da revolução. Do acervo documental, José Luiz destaca a ata da última reunião da Câmara do Recife, em 5 de março de 1817. “A partir dessa data há uma interrupção e a Câmara só é retomada em agosto, quando o movimento é dissolvido.”

O instituto, fundado em 1862, conserva dois exemplares do panfleto O Preciso, com o pronunciamento da revolta pernambucana, e a prensa usada para imprimir a publicação. Mantém, ainda, a escrivaninha de frei Miguelinho (Miguel Joaquim de Almeida Castro, 1768-1817) e o tinteiro do padre Roma (José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, 1768-1817).

A rebelião reuniu padres, militares, maçons e liberais radicais. Insatisfeitos com o governo português no Brasil (1808-1822), eles queriam criar uma Constituição e garantia de direitos iguais. O movimento foi reprimido pelas tropas reais e os líderes presos e condenados a morte, como o Leão Coroado, enforcado no Recife em 10 de julho de 1817.

Parte do acervo estará recuperada em 2017, quando serão celebrados os 200 anos da Revolução Pernambucana. “O instituto integra a Comissão do Bicentenário”, informa José Luiz. O governador do Estado, Paulo Câmara, aproveitou a solenidade desta segunda-feira (12) e fez uma visita às dependências do Instituto Arqueológico. “Há mais de 50 anos não recebíamos a visita de um governador de Pernambuco”, comenta José Luiz.

A verba do convênio, no valor total de R$ 480 mil, também será utilizada na promoção de eventos relacionados ao bicentenário da rebelião. “A história do Estado, junto com tanta gente que participou dela durante muitos séculos, mostra o diferencial que é ser pernambucano. Esse Estado foi e continua sendo fundamental para a construção de um Brasil mais justo”, afirma Paulo Câmara.

O repasse dos recursos está assegurado pela Lei Estadual nº 879/2016, sancionada ontem. Para o governador, as comemorações pelos 200 anos da Revolução de 1817 dialoga com a história dos pernambucanos. “Quando soube da demanda do instituto, entendi que era o momento de buscar com a legislação melhores condições para a entidade”, destaca.

Desde o início de 2015 o Estado vem organizando as comemorações. Uma série de atividades culturais e educativas está sendo preparada pela comissão, formado por integrantes do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, Assembleia Legislativa, Ministério da Cultura, Academia Pernambucana de Letras, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Prefeituras do Recife e de Olinda.

Haverá sessões solenes no Congresso Nacional, Assembleia Legislativa de Pernambuco e nas Câmaras Municipais de Olinda e do Recife, além da criação de uma medalha. Seis de março é considerada, por lei, a Data Magna do Estado.

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