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Patrimônio Mundial

Fortes pernambucanos são candidatos a título de patrimônio mundial

A certificação de Patrimônio Mundial da Unesco é pleiteada para os Fortes das Cinco Pontas, do Brum e Orange

Publicado em 04/04/2017, às 08h08

Forte das Cinco Pontas, no  bairro de São José, é a sede do Museu da Cidade do Recife / Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Forte das Cinco Pontas, no bairro de São José, é a sede do Museu da Cidade do Recife
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

A candidatura de três fortificações pernambucanas ao título de Patrimônio da Humanidade começa a ser costurada nesta terça-feira (4), no Recife, em seminário internacional no Forte das Cinco Pontas, no bairro de São José, Centro da cidade. Símbolos da arquitetura militar do século 17, as fortalezas das Cinco Pontas, do Brum (Bairro do Recife) e Orange (Ilha de Itamaracá) integram a Lista Indicativa Brasileira do Patrimônio Mundial desde 2015, com outras 16 construções que também faziam parte do sistema de defesa do País.

Entrar na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial significa que o bem está apto a se credenciar ao título, agora vamos construir a candidatura conjunta para os 19 fortes, que encontram-se localizados em dez Estados da federação”, afirma Marcelo Brito, diretor do Departamento de Articulação e Fomento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília. A certificação é dada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

De acordo com Marcelo Brito, três aspectos são levados em consideração pela Unesco na escolha dos bens: a proteção, a conservação e a gestão do equipamento. “O item gestão é o mais sensível nos fortes, por isso decidimos organizar o seminário, para discutir as potencialidades e os usos e depois criar uma plataforma comum a todos, esse é o nosso desafio”, declara.

Gestores dos 19 fortes, além de integrantes do Exército, da Marinha, de prefeituras e de governos do Estado participam do seminário, pela manhã e à tarde, até sexta-feira próxima (7). Representantes das demais fortalezas tombadas pelo Iphan e que não integram a Lista Indicativa do Patrimônio Mundial também foram convocados para o debate. “O encontro é um momento importante para aprendizado e reflexão”, ressalta Marcelo Brito. Em todo o País há 68 fortes considerados patrimônio nacional.

EXEMPLOS

Durante o seminário, os brasileiros terão oportunidade de conhecer experiências bem-sucedidas de gestão de fortificações da Europa e da América Latina, como a Fortaleza de Dalt Vila, em Ibiza (Espanha), o Castelo de São Jorge, em Lisboa (Portugal), o Castelo de San Felipe de Barajas, em Cartagena das Índias (Colômbia) e o Sistema de Fortificações de Havana (Cuba).



Serão divulgados três modelos de gestão brasileira. Os exemplos são o Forte das Cinco Pontas, onde funciona o Museu da Cidade do Recife e que será apresentado pela diretora do centro cultural, Betânia Correa de Araújo; a Fortaleza de Tapirandú, em Morro de São Paulo (BA) e o Forte de Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ). O evento termina com a assinatura de um documento de recomendações, a Carta do Recife.

Na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial há edificações de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Amapá. “Resolvemos apresentar a candidatura dos fortes como bem seriado porque essas construções não podem ser tratadas de forma isolada, as fortalezas faziam parte do sistema de defesa de um País com dimensão continental.”

A maioria fazia a proteção do litoral contra a ataque de invasores, mas as fortificações do Mato Grosso e de Rondônia ficam no interior e tinham a função de delimitar a fronteira oeste brasileira, observa Marcelo Brito, coordenador do Seminário Internacional sobre Boas Práticas em Gestão de Fortificações. Os Fortes das Cinco Pontas, do Brum e Orange, tombados pelo Iphan desde 1938, são construções holandesas reformadas por portugueses após a expulsão dos flamengos do Nordeste do País, em 1654, encerrando 24 anos de dominação.

O Forte do Brum – iniciado em 1595 por portugueses – é vinculado ao Exército e abriga um museu militar há 30 anos. Fechado para obra de restauração desde outubro de 2014, o Forte Orange está com 85% do serviço executado e previsão de término dos trabalhos é julho de 2017, segundo o secretário de Turismo do Estado, Felipe Carreras. A gestão ficará com a Prefeitura de Itamaracá. A Lista Indicativa do Patrimônio Mundial elaborada pelo Brasil é composta de 24 bens, dos quais 19 são os fortes.


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Comentários

Por Rafael Santana,04/04/2017

Grande é o meu receio de que o nosso Forte das Cinco Pontas perca a certificação. O critério gestão deve ser o de maior peso na avaliação da candidatura, sendo esse critério o mais deficitário. O Forte abriga o Museu da Cidade do Recife, onde o que o visitante menos encontra é a história da cidade. Salvo os esforços dos estagiários e alguns poucos funcionários, o visitante sairia do lugar sem saber absolutamente nada sobre a rica história do Recife. Não há uma exposição fixa sobre a história da cidade e muito menos sobre a própria história do forte. O museu realiza apenas exposições temporárias, muitas vezes destoando completamente de temas ligados a cidade do Recife, como por exemplo, a absurda exposição Cerdá, em 2013, que claramente poderia estar em qualquer lugar, menos ali. Uma lastima, pois o nosso Forte das Cinco Pontas é de fato um patrimônio da humanidade, porem, inaptamente mal gerido. Espero eu estar enganado.

Por carlos lira,04/04/2017

Esqueceram do Forte de Tamandaré???



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