Jornal do Commercio
CRIME BÁRBARO

Protesto por Mirella em Boa Viagem

Evento acontecerá amanhã e deve reunir 500 pessoas

Publicado em 08/04/2017, às 07h34

Comerciante está no Cotel / Bobby Fabisak/JC Imagem
Comerciante está no Cotel
Bobby Fabisak/JC Imagem
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Primeira grande manifestação de repúdio ao assassinato da fisioterapeuta Mirella Sena, de 28 anos, acontecerá amanhã, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul. Amigos e familiares irão se concentrar na Avenida Boa Viagem, em frente ao Hotel Golden Tulip, às 10 horas, para de lá saírem em caminhada até o Primeiro Jardim de Boa Viagem, também na Zona Sul. Cerca de 500 pessoas são esperadas no protesto, cuja concentração começará às 10h. Mirella foi violentada e morta pelo vizinho, o comerciante Edvan Luiz da Silva, de 32 anos, na manhã da última quarta-feira. O crime chocou o Estado.


Segundo a jornalista Milena Rubens, amiga de Mirella e uma das organizadoras do evento, também estarão presentes representantes de movimentos feministas, além de representantes da Secretaria Municipal da Mulher. “Também haverá grupos musicais formados apenas por mulheres. Essa luta é por Mirella e por todas”, diz. Os pais da fisioterapeuta, Suely Araújo e Wilson Pacheco, confirmaram presença no protesto.

DEPOIMENTO


No início da tarde de ontem, os dois foram à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, para prestar depoimento ao delegado Francisco Océlio, responsável pela investigação.
O primeiro dia de Edvan Luiz no Centro de Triagem e Observação Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, foi tranquilo, segundo relatos de agentes penitenciários. Devido à grande repercussão do crime, e por se tratar de violência sexual – a vítima foi encontrada sem roupas –, o acusado ficou isolado dos demais detentos.




O comerciante teve a prisão preventiva decretada pela juíza Blanche Maymone Pontes, na tarde da quinta-feira, e vai aguardar no Cotel pelo julgamento. Um dos advogados de Edvan, Abisai Soares, disse não ter conseguido contato com o cliente durante o dia de ontem, uma vez que as visitas precisam de autorização judicial. “Ainda foi preciso resolver pendências no DHPP, como recolher alguns pertences dele. Mas a informação que temos é de que está tudo bem”.


Um morador do flat onde ocorreu o crime, em Boa Viagem, diz ter ouvido boatos sobre o suposto assédio de Edvan a outras moradoras. “São histórias de que ele ofereceria drogas e convidaria as moças para subirem ao apartamento dele”, diz. O depoimento do morador, inclusive, consta no despacho da juíza em que ela decreta o recolhimento do acusado ao Cotel. A Polícia ainda espera pelos resultados dos exames toxicológico (em Edvan) e sexológico (em Mirella). Para o delegado Francisco Océlio, caso seja caracterizada a violência sexual, o comerciante também será indiciado por estupro. Até agora, ele responde por homicídio triplamente qualificado (feminicídio, motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima). Se condenado, pode pegar uma pena que varia de 12 a 25 anos de reclusão.


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