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VIOLÊNCIA

Jovens do Janga vulneráveis ao crime

Maior parte das vítimas da quadrilha presa na última terça era da localidade

Publicado em 20/04/2017, às 18h45

Delegados apresentaram resultado da investigação sobre a quadrilha / Felipe Vieira/Especial para o JC
Delegados apresentaram resultado da investigação sobre a quadrilha
Felipe Vieira/Especial para o JC
Felipe Vieira

Uma simples volta de carro pelas ruas das comunidades do Tururu e Conjunto Beira-Mar, no município de Paulista, no Grande Recife, dá a ideia de como é fácil para a criminalidade assediar os jovens das localidades. Crianças e adolescentes podem ser vistos aos montes em cada esquina, a maioria sem ocupação e fora da escola. </DC>

Era na área das comunidades – ambas no bairro do Janga – que se dava a maior parte da ação dos sete grupos criminosos desarticulados pela Polícia Civil na manhã de terça-feira, dentro da Operação Escudo da Juventude. As quadrilhas recrutavam menores para atuarem como “aviões” (vendedores) do tráfico, e, quando detectavam algum tipo de desobediência, torturavam e matavam sem pena. Segundo a Polícia, os bandos são responsáveis por 29 mortes e também tinham atuação no bairro de Maranguape 2, além do Pina, na Zona Sul do Recife.


Tururu e Beira Mar são bolsões de urbanização desordenada, longe da principal via de acesso – a Avenida Cláudio Gueiros Leite – e espremidos contra a Floresta Urbana do Janga. “A geografia do local é um facilitador para os bandidos. A vegetação é ponto de desova de corpos, de fuga e de partilha do tráfico”, explica Conceição Tavares, delegada titular do Janga, que liderou as investigações da operação.


No Tururu existe apenas uma escola, que é estadual e recebe alunos do sexto ano do ensino fundamental ao terceiro do ensino médio. As crianças menores têm que andar por quarenta minutos até a unidade mais próxima, a Etelvino Lins, já nas proximidades da avenida. “O ônibus da prefeitura que fazia o transporte está quebrado há dois meses”, conta uma delas.




Além de campos de futebol, não há outro espaço para lazer. A Avenida Floresta, que margeia a mata, é um lixão a céu aberto. Sem políticas do poder público, fica para alguns abnegados integrantes de movimentos sociais a árdua tarefa de servir como barreira entre a juventude da área e o crime. “Eles são muito vulneráveis, e nossa missão é capacitá-los para serem cidadãos”, conta o padre Carlos Lins, que dirige a Casa Herbet de Souza. O espaço trabalha com 90 jovens e ensina teatro, artesanato, informática e oferece oficinas de leitura para a comunidade.


A missão é evitar destinos como o de “Potinho de Mel”, uma criança de 12 anos que atuava como “avião” e sobre quem recaiu a suspeita de ter virado informante da Polícia. “No início de março, ele foi levado para a mata, teve o cabelo cortado com faca, foi espancado e torturado. Se nossos agentes não tivessem chegado e prendido o grupo, ele seria morto”, comenta a delegada Conceição Tavares. Segundo ela, o número de vítimas dos sete grupos de criminosos ainda pode ser maior. “Ainda há seis foragidos e as investigações continuam”.


No próximo dia 5 de maio, integrantes do Coletivo Tururu, uma organização que promove cidadania na comunidade, vão realizar o plantio de 60 mudas, cada uma se referindo a um jovem assassinado na localidade nos últimos cinco anos. “E ainda existe a possibilidade de esse número ser maior”, conta Camerindo João, educador e integrante do coletivo.

RESPOSTA


A Prefeitura de Paulista explica que as comunidades do Tururu e Beira-Mar são atendidas pelas escolas Etelvino Lins e Paulo Freire, respectivamente, e que o ônibus de transporte teve a bateria furtada, se encontrando, atualmente, em manutenção. “A expectativa é de que volte a fazer a rota na próxima semana”, diz trecho da nota enviada ao JC. A gestão também diz estar promovendo atividades esportivas e culturais nas comunidades, como torneios de futebol e oficinas musicais.


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