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História

Museu do Estado abre exposição para contar a história de Pernambuco

Todas as peças da mostra Pernambuco: Território e Patrimônio de um Povo pertencem ao Museu do Estado, localizado nas Graças

Publicado em 05/08/2017, às 08h08

Na exposição, o visitante conhecerá Pernambuco desde a pré-história / Foto: Leo Motta/JC Imagem
Na exposição, o visitante conhecerá Pernambuco desde a pré-história
Foto: Leo Motta/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

Na próxima quinta-feira (10/08), às 19h, o Museu do Estado inaugura a exposição Pernambuco: Território e Patrimônio de um Povo. Mais do que a exibição pública de peças e coleções guardadas no acervo da instituição, localizada nas Graças, bairro da Zona Norte do Recife, a mostra faz um resgate da história de Pernambuco sem cair em chavões e armadilhas, como bem disse o antropólogo Raul Lody, um dos curadores do trabalho.

A exposição, de longa duração, ficará em cartaz no Espaço Cícero Dias e vai ocupar uma área de 400 metros quadrados com quase 800 peças que ajudam a explicar a formação do povo pernambucano. Escolhidos a dedo, os objetos convidam a uma viagem desde a pré-história até os dias atuais, passando pelos povos indígenas, exploração do pau-brasil, ciclo-do-açúcar, escravidão, colonização, religião, insurreições e produção artística.

“Todas as peças pertencem ao nosso acervo, são originais e parte delas foi restaurada”, informa a diretora do Museu do Estado de Pernambuco, Margot Monteiro. Muitas deixaram a reserva técnica pela primeira vez. A mostra, diz ela, vem sendo organizada há dois anos e tem patrocínio do Banco Santander, pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

Um mapa de grupos indígenas que habitavam o Brasil, elaborado pelo etnólogo alemão naturalizado brasileiro Curt Nimuendajú (1883-1945), é uma das peças que serão expostas pela primeira vez. “Só há três mapas desses no mundo, os outros estão no Rio de Janeiro e na Alemanha”, declara Margot Monteiro.

No ambiente destinado aos povos tradicionais o visitante também vai encontrar cocar feito com penas de pássaros, brincos confeccionados com asas de besouros, carimbos para pintura corporal e tangas marajoaras de cerâmica. São objetos selecionados da Coleção Carlos Estevão, de propriedade do Museu do Estado, composta de utensílios indígenas de todo o País, com ênfase na Amazônia.



Apesar de estar dividida em blocos – natureza, arqueologia, povos tradicionais, colonização, açúcar, escravidão e africanos, encerrando com um mix da história pela arte popular, pintura e gravura – não há uma cronologia a ser seguida. “A mostra tem viés patrimonial com um tom contemporâneo, misturamos a história de forma intencional”, diz Raul Lody.

CONEXÕES

Quadros pintados por Cícero Dias (1907-2003) e José Cláudio, que remetem ao ciclo do açúcar, dividem a sala que relata a colonização europeia nos séculos 16 e 17, por exemplo. Uma coleção de ex-votos de madeira, no ambiente afro, é uma maneira de demonstrar que “a mão africana produziu tudo isso”, diz ele. “Escolhemos ex-votos de cabeças para fazer o link com as máscaras africanas.”

Raul Lody chama a atenção para três ex-votos que retratam em pintura as Batalhas das Tabocas (1645) e dos Montes Guararapes (1648 e 1649), na guerra dos luso-brasileiros contra os holandeses, e para a coleção de objetos de culto afro apreendidos no Estado Novo em 1937. “É um espólio que o Museu do Estado recebeu, salvou e preservou.” Vídeos com depoimentos de historiadores e de líderes indígenas e de cultos afros fazem a âncora digital da mostra.

Pernambuco: Território e Patrimônio de um Povo traz um relato crítico e afetivo, feito para encantar e aguçar o espírito questionador do público. “É uma visão cultural bem generosa do Estado, para o morador e o visitante. A pessoa vai se surpreender e sair emocionada, é uma exposição para se apreciar, fazer conexões e reflexões”, destaca Raul Lody, que assina a curadoria com o antropólogo Renato Athias.

Visitas em grupo devem ser agendadas pelo telefone (81) 3184-3174. O Museu do Estado abre de terça a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 14h às 17h.


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