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BRT

Corredor Norte-Sul: obras continuam e descaso também

Governo anuncia mais uma etapa do projeto que se arrasta há mais de cinco anos e carece de manutenção

Publicado em 17/08/2017, às 07h25

BRTs fazem fila para passar na PE-15, nos Bultrins, por conta de buracos / Filipe Jordão/JC Imagem
BRTs fazem fila para passar na PE-15, nos Bultrins, por conta de buracos
Filipe Jordão/JC Imagem
Margarette Andrea

No Corredor Via Livre BRT Norte-Sul, que liga Igarassu ao Recife, obras e descaso caminham juntos. Ao mesmo tempo em que o governo anuncia mais uma etapa do projeto – o alargamento da ponte sobre o Canal da Malária, na PE-15, Complexo de Salgadinho, em Olinda – trechos do corredor, que vem sendo implantado há cinco anos, se deterioram visivelmente. Inúmeras crateras no asfalto, descontinuidade da faixa exclusiva e passeios tomados por mato levam o Norte-Sul a deixar pelo percurso de 32,2 quilômetros os ganhos que o sistema deveria oferecer: velocidade, conforto e melhor acessibilidade.

Além do alargamento da ponte (que começa esta semana e vai assegurar a necessária faixa exclusiva para os BRTs no trecho, em oito meses), também estão em obras duas estações: a Centro de Convenções, em Salgadinho, Olinda, e a Paulista, que fica no município de Paulista e não estava prevista, mas foi demandada pela comunidade, que via o BRT passar pelo município sem poder utilizá-lo. Ambas deverão estar prontas em sete meses.

Mas o projeto ainda inclui outras obras. O alargamento da Ponte Preta, localizada sobre o Rio Beberibe, em Olinda, também começa nos próximos dias, segundo a Secretaria Estadual das Cidades (Secid). E estão em fase de licitação a requalificação dos terminais integrados da PE-15, Pelópidas Silveira e Igarassu.

“A previsão é de que o TI Igarassu inicie as obras ainda em 2017 e que os serviços nos terminais PE-15 e Pelópidas comecem em 2018, com previsão de um ano de obra e conclusão total do projeto em 2019”, informa a secretaria, por meio de nota.

MANUTENÇÃO

Ao todo, R$ 136,5 milhões já foram investidos no corredor, estimado em R$ 188 milhões, conforme a Secid. Mas apesar do alto custo sua manutenção vem sendo negligenciada.



Nas proximidades da Estação Sítio Histórico, em Ouro Preto, Olinda, o piso dos BRTs (veículos que custam em torno de R$ 800 mil) chega a se arrastar no asfalto enquanto os motoristas tentam driblar as crateras, muitas cobertas por água. Alguns coletivos convencionais que usam a mesma faixa optam por trafegar pelo passeio, que é de terra, para fugir dos buracos, arriscando a vida dos pedestres.

Já os BRTs, que medem 19 ou 21 metros e transportam até 160 pessoas, formam fila para vencer os buracos. Nas imediações da Estação Bultrins, em Jardim Fragoso, Olinda, o cenário também é crítico. “A situação está muito difícil para a gente. Os veículos quebram, a viagem atrasa e aumenta o risco de acidentes porque a gente se mistura com os carros pequenos”, lamenta o motorista de BRT Adalberto Ferreira, 47 anos.

RECLAMAÇÕES

As reclamações dos passageiros vão mais além. “No começo o BRT era mais rápido e funcionava bem. Agora ele atrasa por conta dos buracos, vive tendo assalto e estamos com dificuldade de carregar o VEM (bilhete eletrônico). Aqui mesmo (na Estação Bultrins) roubaram a máquina de recarga e amarraram o funcionário”, conta a vendedora autônoma Crisleide Pontes, 53 anos.

O corredor começou a ser implantado em janeiro de 2012 e deveria ter ficado pronto para a Copa de 2014, mas somente em julho daquele ano passou a funcionar parcialmente. Hoje, opera com 27 das suas 29 estações, oito das nove linhas e 75 dos 126 BRTs previstos. Conforme o Grande Recife Consórcio de Transporte, 66,4 mil pessoas são transportadas ao dia, devendo chegar a 160 mil quando o corredor for concluído.

“A manutenção dos trechos críticos da PE-15 está sendo executada pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE), que iniciou os serviços na última sexta-feira (11)”, informa a Secid.


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Comentários

Por DEmostenes Pinto,17/08/2017

Gostaria de saber quando o Governo vai de fato implantar o Sistema BRT, que por deve mexer com todas as outras linhas. O Sistemas BRT deve funcionar como troncal alimentado pelas linhas secundárias transversais a linha troncal. desse nodo não teríamos concorrência entre ônibus convencional e BRTs. Outra necessidade é a de se segregar a via do BRT, não permitindo acesso de outros modais na via exclusiva do BRT. Pelo andar das cousas essa obra nunca ficará pronta!



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