Jornal do Commercio
Decisão judicial

Caso Itambé: Justiça afasta PMs de policiamento nas ruas

Juiz de Itambé determinou que policiais envolvidos diretamente na morte do jovem Edvaldo Alves cumpram função administrativa

Publicado em 28/08/2017, às 18h14

Sepultamento do jovem Edvaldo Alves aconteceu na cidade de Itambé, em abril deste ano / Ricardo B.Labastier/JC Imagem
Sepultamento do jovem Edvaldo Alves aconteceu na cidade de Itambé, em abril deste ano
Ricardo B.Labastier/JC Imagem
Ciara Carvalho
ciaracalves@gmail.com

A Justiça de Itambé determinou o afastamento das funções de policiamento ostensivo de dois dos PMs indiciados pelo assassinato do jovem Edvaldo da Silva Alves, 21 anos, atingido por uma bala de borracha durante um protesto, na cidade de Itambé. Por decisão do juiz Ícaro Nobre Fonseca, o capitão Ramon Tadeu Silva Cazé, que ordenou o disparo que tirou a vida de Edvaldo, e o soldado Ivaldo Batista de Souza Júnior, autor do tiro, deverão ficar afastados do policiamento nas ruas e cumprir apenas atividade administrativa.

O juiz de Itambé atendeu a solicitação feita pelo Ministério Público de Pernambuco. Em sua decisão, o magistrado diz que o objetivo é evitar a ocorrência de uma ação semelhante a que vitimou Edvaldo. "Com efeito, a decretação da medida pleiteada servirá para proteger a própria ordem pública, evitando especialmente que os acusados Ivaldo Batista de Souza Júnior e Ramon Tadeu Silva Cazé sejam protagonistas de outra operação policial malograda. Assim, o afastamento deles da função de polícia ostensiva serve como forma de evitar ou minorar qualquer risco de que ocorra, novamente, algo parecido como o que aqui vem sendo apurado", escreve o juiz.

No pedido encaminhado à Justiça, o promotor João Elias da Silva Filho pede que os outros dois PMs indiciados, Silvino Lopes de Souza e Alexandre Dutra da Silva, também sejam afastados da função de policiamento ostensivo. O pedido, nesse caso, é negado pelo magistrado. O juiz alega que os dois PMs tiveram "participações mais passivas no episódio", o que não justificaria o afastamento.

O juiz determina ainda que os acusados mantenham-se afastados de testemunhas, familiares de Edvaldo e de todas as pessoas envolvidas no caso. A decisão foi dada na última sexta-feira (25).



HOMICÍDIO DOLOSO

Contrariando a conclusão da Polícia Civil, em junho deste ano, o promotor João Elias da Silva Filho denunciou os dois PMs envolvidos diretamente na morte por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou se assume o risco de que isso aconteça. A pedido do MPPE, o capitão Ramon e o soldado Ivaldo deverão ir a júri popular. O oficial também responderá por crime de tortura, por ter espancado e arrastado Edvaldo depois que o rapaz já estava sangrando e caído no chão. Nesse caso, além da pena prevista, o capitão poderá perder o cargo na Polícia Militar.

No inquérito policial, o delegado Pablo Carvalho indiciou os dois militares por homicídio culposo. A conclusão gerou revolta e indignação de vários setores da sociedade. Para justificar a decisão, o delegado afirmou que os PMs não tinham treinamento para usar balas de borracha e, por isso, eram inabilitados para portar a arma.


Outra diferença de entendimento do Ministério Público foi o número de policiais denunciados. Enquanto no inquérito o delegado indiciou apenas o capitão e o soldado Ivaldo, na peça apresentada pelo Ministério Público foram denunciados também o tenente Silvino Lopes de Souza e o soldado Alexandre Dutra da Silva, ambos pelo crime de omissão em face da conduta de tortura. O promotor entendeu que os policiais não fizeram nada para evitar as agressões cometidas contra Edvaldo após ser atingido pelo tiro.


Recomendados para você


Comentários

Por sales,29/08/2017

"os policiais erraram como qualquer ser humano, pena que o rapaz morreu. o que deixou a PM muito triste. agora para aqueles idiotas de plantão que veem na PM seus inimigos e que acreditam que 80% deles são bandidos devo lembrar que o Altino Ventura e os medicos dos hospitais publicos matam mais que a PM e por safadeza e descaso. portanto não julguem todos por 1 !!!

Por silva ,29/08/2017

SÃO DOIS BANDIDOS A MENOS NA RUA ESSE ONBUDSMAN DEVERIA ESTA PRESO ´É MAIS UM POLICIAL BANDIDO 80 PORCENTO SÃO MAGINAIS CADER O GOVERNADOR QUE NÃO FAZ NADA

Por Aderson,28/08/2017

É uma vergonha esse sistema, tem que acabar, tem que ser privatizado a policia militar , porque o governo não tem autoridade, trabalhar no administrativo esses caras não vão saber de nada. não tem capacidade e nem estrutura.

Por Ombudsman,28/08/2017

O policial cumpriu o seu dever... O "santinho" que levou a pior estava fechando uma rodovia federal e impedindo o trânsito de ambulâncias e pessoas. Levou a pior por conta do destino... Mas estava fazendo baderna e impedindo o direito de ir e vir...

Por EDWIN,28/08/2017

Porque não foram excluídos da PM. .parece-me que o velho sistema coorporativismo continua existir em nossa Segurança Pùblica.



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

O Mundo de Rafa O Mundo de Rafa
Rafael foi diagnosticado com síndrome de Asperger apenas aos 11 anos. Seus desenhos contam pedaços muito importantes da sua história. Exprimem momentos de alegria, de comemoração e também de desabafo, de dor
Gastos dos parlamentares pernambucanos Gastos dos parlamentares pernambucanos
Os deputados federais da bancada pernambucana gastaram, no 1º semestre deste ano, R$ 5,1 milhões em verbas de cotas parlamentares. Já os senadores gastaram R$ 692 mil. Os dados foram coletados com base no portal da transparência da Câmara e do Senado
Um metrô ainda renegado Um metrô ainda renegado
São 32 anos de operação e uma eterna luta por sobrevivência. Esse é o metrô do Recife

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM