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Urbanismo

Obra do Túnel da Abolição ainda precisa de complementos

O Túnel da Abolição fica na Madalena, Zona Oeste do Recife. Fata concluir o jardim e instalar o elvador

Publicado em 17/09/2017, às 12h51

Praça sobre o túnel ficou incompleta / Foto: Guga Matos/JC Imagem
Praça sobre o túnel ficou incompleta
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Da Editoria Cidades

O Túnel da Abolição, inaugurado em 12 de abril de 2015 no bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife, continua incompleto apesar de estar em funcionamento há dois anos e cinco meses. É certo que a passagem subterrânea de 287 metros de extensão cumpre sua função de ligar a Rua Real da Torre à Rua João Ivo da Silva, sob a Avenida Caxangá. A obra eliminou um dos cruzamentos mais congestionados da região, mas faltam complementos, como o jardim ao lado do Museu da Abolição, o ponto de ônibus no túnel e o elevador, para atender idosos e pessoas portadoras de deficiência.

Com sentido único de tráfego, o Túnel da Abolição custou R$ 16 milhões e integra o corredor Leste-Oeste, via exclusiva para o transporte coletivo que faz a ligação entre o Centro do Recife e a cidade de Camaragibe pelo Transporte Rápido por Ônibus (BRT na sigla em inglês). A praça sobre o túnel, vizinha ao secular Casarão de João Alfredo (Museu da Abolição) tem oito jardineiras sem flores. Só numa delas duas plantas crescem espontaneamente. Não há postes e a área fica às escuras.

“Quando chove, a praça fica completamente alagada e as pessoas só podem passar pelas laterais. À noite, ninguém tem coragem de cruzar essa área porque não há lâmpadas e os assaltos são frequentes por aqui”, declara o comerciário Kevin Campelo. Ele trabalha na Rua Benfica, a poucos metros do túnel, e só circula pela praça de dia e a serviço. Segundo ele, o risco de assalto é maior ainda dentro do túnel. “Nunca desci as escadas para ir lá, nem de dia nem à noite”, acrescenta o rapaz.

A parada de ônibus no túnel, prometida desde o anúncio da obra de mobilidade, não existe. “Ninguém teria coragem de ficar ali esperando por um ônibus e nem os motoristas dos coletivos iriam parar num local perigoso como aquele”, destaca a comerciária Carla Tainá Batista da Silva, que trabalha na Avenida Caxangá, na Madalena. A escada de acesso à passagem subterrânea está sempre alagada, com o piso cheio de lodo. As paredes do Túnel da Abolição mantêm vazamentos de água desde a época da inauguração.



O elevador para o transporte dos passageiros de ônibus, da praça ao túnel, nunca chegou a ser instalado. Fizeram apenas a estrutura de sustentação. “Era tudo aberto, depois fecharam o piso com medo que as pessoas, passando pela praça, caíssem pelo buraco”, comenta Carla Tainá Batista. Ela disse que entrou no túnel pelas escadas, apenas uma vez, por curiosidade. A obra de implantação começou em março de 2013, é de responsabilidade da Secretaria Estadual das Cidades e fazia parte do pacote de projetos estruturadores para preparar o Recife para a Copa do Mundo, ocorrida entre junho e julho de 2014.

LICITAÇÃO

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria das Cidades informa que pretende publicar em novembro de 2017 edital para escolha da empresa de engenharia que executará os serviços remanescentes das obras do Túnel da Abolição. A licitação tinha sido aberta no início de 2017, mas foi revogada porque houve a necessidade de revisão dos projetos por se tratar de uma área de proteção de patrimônio histórico.

A obra prevê a instalação do elevador para garantir melhor acessibilidade ao túnel e a urbanização da praça na lateral do Museu da Abolição. O serviço também inclui a reabertura do acesso de veículos ao Casarão de João Alfredo pela Rua Real da Torre.


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