Jornal do Commercio
Tragédia na Tamarineira

Jovem e dois amigos beberam um litro de uísque horas antes do acidente

Depoimento dos colegas à polícia esclareceu detalhes do que aconteceu no dia da colisão que matou três pessoas e deixou outras duas gravemente feridas

Publicado em 01/12/2017, às 07h06

Acidente aconteceu na noite de domingo, na Tamarineira, na Zona Norte do Recife / Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Acidente aconteceu na noite de domingo, na Tamarineira, na Zona Norte do Recife
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Da editoria de Cidades

João Victor Ribeiro de Oliveira Leal e dois amigos teriam bebido um litro de uísque poucas horas antes do acidente provocado pelo jovem. Em depoimento prestado ontem na Delegacia de Polícia de Delitos de Trânsito, os dois colegas que acompanhavam o rapaz na farra disseram que os três saíram de Olinda, no último domingo à tarde, onde já estavam bebendo, e foram para uma festa no Autobar, no bairro de Santana, Zona Norte do Recife.

Lá, eles compraram dois combos de bebidas, cada um com direito a um litro de uísque, três red bulls e um saco de gelo. O grupo teria consumido, no período de uma hora, entre 18h e 19h, o litro de um dos combos. O acidente que matou três pessoas e feriu gravemente outras duas aconteceu meia hora depois, por volta das 19h30.



De acordo com o relato dos amigos, João Victor teria passado mal no Autobar e terminou indo para o carro. Os colegas tomaram a chave do veículo e voltaram para o bar. Quando foram ver como o jovem estava, ele suava muito e resolveram ligar o carro e o ar-condicionado e deixaram João Victor dormindo dentro do veículo. Os dois contaram que, ao voltar novamente para saber se João Victor havia melhorado, o carro já não estava mais no local.

EMBRIAGUEZ

Os três começaram a beber em Olinda, onde o rapaz mora, por volta de meio-dia. No fim da tarde, quando decidiram esticar a farra, ele foi em casa e pegou a chave do carro do pai, sem o consentimento dele. O Fusion dirigido por João Victor atravessou o sinal vermelho em alta velocidade na Tamarineira e colidiu com um Toyota RAV4, veículo em que o advogado Miguel Motta estava com a família e a babá.


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Comentários

Por ROBERTO,03/12/2017

Sou bem próximo da família na nossa querida Maria Emília e todos estão destruídos, acabados!! Esse demônio marginal vagabundo que causou toda essa tragédia possui histórico de acidentes e de atropelamentos, além de agressão. Ele não cometeu triplo homicídio doloso qualificado enquanto estava drogado, mas sim ALCOOLIZADO. Podem dizer mil vezes que é dependente de drogas, e daí? O que importa é que ele encheu o rabo de cachaça e depois foi dirigir, assumindo o risco de matar, pouco importando qual fosse o resultado, ceifando a vida de três inocentes, dentre eles uma mulher grávida...

Por Justiça ,02/12/2017

Está claro a estratégia para livrar o destruidor de vidas: se ele é consumidor e dependente de drogas nada poderar responder pela violência ou por outras violências cometidas. A imprensa nacional faz forte campanhas todos os dias para liberar o uso e consumo da maconha. E então será que viciados e consumidores de drogas poderão se LIVRAR de responsabilidades e condenações por conta do uso, consumo e dependência? É essa resposta que a sociedade precisa e exige para aqueles que cometem crimes gravíssimos?

Por LYRA,02/12/2017

Adoro tomar minhas cervejas de final de semana, sabem aonde? Em casa junto com a família pois, mesmo que você exagere está em casa mas, o cara encher a cara de maconha, cocaína e por cima tomar um litro de wisky em uma hora, sem falar no que já tinha bebido anteriormente e sair dirigindo é realmente um assassino insano com o gosto perverso de matar.

Por Mark Twain,02/12/2017

Poder Judiciário e órgãos de apuração e acusação, a depender do status econômico do infrator de trânsito, possui sempre dois pesos, duas medidas, ou seja, a lei muda em função do poder econômico da vítima ou do infrator. Infrator rico: vítima vai ao esquecimento; vítima rica: infrator condenado antes mesmo de se iniciar a ação penal. Caso Tamarineira (acidente de trânsito com vítimas) é clássico neste sentido. Vítimas de melhor condição social. A começar pela grande mídia, tivemos comoção intestina, abraços na esquina, flores no local do acidente etc. Caso as vítimas fossem pobres e, com mais agravo neste aspecto, negras (imagine um jumento puxando uma carroça cheia de negrinhos e cruzando aquele semáforo, sendo atropelado por pessoa de condição econômica alta, mas estivesse drogado e alcoolizado), duvida-se bastante que esse condutor pertencente à “casta superior” estivesse preso ou fosse negado o direito de ir se tratar em clínica particular, aguardando julgamento. Essa é a dura realidade que não pode ser negada por ninguém aqui. A não ser que seja cínico e hipócrita. Não é a primeira vez que pessoas são mortas em crimes de trânsito, com processos se arrastando no Judiciário durante anos, o autor do crime respondendo em liberdade, recursos os mais diversos etc. Basta lembrar o caso daquela enfermeira que morreu no cruzamento da Avenida Domingos Ferreira, estando num Fiat Palio junto com o marido e a filha. Assisti o julgamento do “riquinho” e fiquei estarrecido com a forma de se conduzir os debates, tudo sendo feito para tentar passar ao Júri a condição de vítima de vício de álcool e drogas do autor do crime, ou seja, tudo sendo feito para tentar livrar o sujeito da condenação. O autor desse crime da Domingos Ferreira respondeu todo o tempo em liberdade pelo seu crime. Situação idêntica tem-se agora nesse crime de trânsito no cruzamento da Tamarineira. Mas negou-se ao autor do crime ir se tratar numa clínica para viciados em álcool e drogas, estando ainda preso. Não estou aqui analisando se devemos ter condescendência ou não com o crime de trânsito praticado naquela noite fatídica de domingo com esta família destroçada, mas, sim, unicamente, criticando a utilização pelos órgãos de apuração, acusação e o Judiciário, da prática de se ter “um peso e duas medidas” (expressão correta que tem origem na Grécia Clássica) a depender da condição social da vítima ou do autor do crime. Lembremos aqui, mui oportunamente, um crime de trânsito praticado na Paraíba, com o filho do dono do Café São Braz. Dirigia um Porsche e atropelou pessoas, vindo a matar algumas. Pois bem, em menos de 12 horas estava solto por um desembargador do TJPB que, posteriormente, veio a ser presidente daquele tribunal. Há vários outros casos por aí. Basta não ser ignorante, alienado, estúpido ou demente sifilítico para saber que, no Brasil, a depender da condição social de quem adentra essa dinâmica toda, ter-se-á o velho e conhecido peso único com várias medidas, ou seja, medida do bolso.

Por Victor Hugo ,01/12/2017

Enquanto não mudarem essas leis a IMPUNIDADE continuará ceifando vidas neste país de gestores hipócritas! O pior é saber que dentro de poucos dias esse assassino estará solto! Com essas leis frouxas, cheia de progressão de pena e outros benefícios concedidos a todos os bandidos (os lá de cima, deputados, senadores, etc e os aqui de baixo), tudo isso sob o manto de proteção do famigerado "Direitos Humanos". Nossas leis estão altamente equivocadas, nossa "Constituição" é criminosa. Deputados e Senadores, que são responsáveis por essas leis, nunca as tornarão rígidas e justas porque se tornariam presidiários tão logo a excrescência do foro privilegiado caísse, o que duvido muito. O responsável pelo acidente é culpado, mas os principais assassinos deste país se encontram em Brasília. Pense nisso!



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