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História

Atlas do Recife: Um resgate histórico da evolução urbana da cidade

Além da pesquisa histórica, o Atlas do Recife também traz informações arqueológicas da capital pernambucana

Publicado em 14/01/2018, às 08h08

O arquiteto José Luiz Mota Menezes fez um levantamento do quanto se perdeu de memória no Recife / Foto: Reprodução do Atlas do Recife
O arquiteto José Luiz Mota Menezes fez um levantamento do quanto se perdeu de memória no Recife
Foto: Reprodução do Atlas do Recife
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

O Atlas Histórico e Cartográfico do Recife, lançado em 1988 pelo arquiteto José Luiz Mota Menezes e referência para pesquisas sobre a evolução urbana da cidade, ganhou versão atualizada impressa e em meio eletrônico. Ainda sem data para publicação, o Atlas do Recife livro traz mais mapas – agora com base geométrica e precisão digital – e o acréscimo de informações arqueológicas.

Para a produção do primeiro atlas, o arquiteto trabalhou com superposição de mapas de diferentes épocas, de 1612 a 1980, e mostrou o crescimento do Recife por quadras, usando desenhos analógicos. A publicação é fruto de um extenso projeto de pesquisa, com levantamento em cartografia, gravuras, litografias e fotografias da rede de esgotamento sanitário, rede elétrica desde a época do gás encanado e edificações destruídas em reformas.

O novo Atlas do Recife – Arqueológico e Cartográfico é desenhado em meio digital, o que reduz o percentual de erros na localização de quadras e prédios, e cobre o período de 1537 (o ano de fundação da cidade) a 2000. “Com a atualização do Atlas Cartográfico, é possível saber o que acontecia no Recife em 1817, o ano da Revolução Pernambucana, por mapas e imagens”, declara o arquiteto.

Ao confrontar mapas de 1808 e 1824 ele identificou o endereço do Quartel do Regimento de Artilharia, onde o capitão José de Barros Lima, o Leão Coroado, reagiu à ordem de prisão, assassinou o comandante com golpes de espada e deu início à Revolução de 6 de março de 1817. A área, hoje, é ocupada pelo Edifício Seguradora, na esquina da Avenida Dantas Barreto com a Rua Marquês do Recife, no bairro de Santo Antônio, no Centro.

“Encontrei mapas com a Igreja de São Pedro dos Clérigos sem nenhuma construção por trás do prédio e mapas que trazem a área já edificada. Não tenho como dizer qual foi a primeira casa erguida no local, mas é possível afirmar a época da ocupação”, afirma José Luiz, sócio do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. No Atlas do Recife, as edificações são identificadas pela numeração antiga e atual.



Os mapas também revelam projetos que não foram executados, como um jardim inglês proposto para o Parque 13 de Maio. O Atlas Histórico Cartográfico (esgotado), publicado pela Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco, com apoio da Prefeitura do Recife, resgata a cidade de 1537 a 1906. O segundo volume, de 1906 a 1980, não chegou a ser editado. Ao retomar a pesquisa, o arquiteto recorreu à Unibase do Recife de 1980, com dados cadastrais unificados.

Arqueologia

Se o Atlas Cartográfico revela como o Recife cresceu, o Atlas Arqueológico evidencia o quanto se perdeu de memória, com demolições. O trecho pesquisado inclui o Bairro do Recife, Santo Antônio, São José, Boa Vista e Soledade. “O levantamento arqueológico não é uma obra completa, novas informações podem surgir. Dei partida com o material que já tinha.”

O Atlas do Recife traz as perdas decorrentes da reforma executada no Bairro do Recife (entre a Rua Vigário Tenório e a Avenida Barbosa Lima) e da abertura das Avenidas Dantas Barreto (São José) e Guararapes (Santo Antônio). “O Recife tem uma característica muito peculiar, ela é uma cidade em cima de outra. Não existe outra igual no Brasil. Há uma cidade holandesa sob o bairro de Santo Antônio”, destaca José Luiz.

Piso e alicerces de edificações antigas demolidas no Bairro do Recife encontram-se a 1,5 metro de profundidade, comenta o arquiteto. “A capela-mor da Igreja do Corpo Santo, a igreja mais antiga do Recife, está atrás da porta dos fundos do prédio da Associação Comercial”, exemplifica. O Atlas do Recife tem 40 mapas, sendo 20 de 1537 a 1906 e outros 20 de 1906 a 2000, acompanhados de narrativas com textos para contar essa história.


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Comentários

Por Drika,26/01/2018

A visão de quem é Americano nato nunca vai mudar em relação ao imigrante naturalizado. São vistos sim como cidadão de 5 categoria e sempre serão chamados de imigrantes. Pode ter o Certificado de Naturalização. Mas, na cabeça do Americano nato seus filhos sempre serão menosprezados.

Por Zenira,17/01/2018

Ooooh, Drikka, qual o seu problema, hein?! Será que você é tão baixo nível assim que não conseguiria se adaptar com a cidadania americana, minha cara? Meus filhos estudam nos EUA. Não são cidadãos de terceira categoria, aliás, não existe essa diferenciação. Você só será admoestado caso viole a norma. Ponto final. Para com essa baboseira de dizer que vai ser cidadão de terceira categoria nos EUA. Isso não existe! Qualquer pessoa que cumpra as regras para naturalização tem OS MESMOS DIREITOS DE CIDADÃOS NATOS. Deixe de ser obtusa e medíocre. Procure se informar e, principalmente, seja honesta em seus comentários. Outra coisa importante de se dizer por aqui: todos os países têm problemas. Mas uma coisa são os problemas em um buraco de terceiro mundo, como o Brasil. Outra, problemas no mundo desenvolvido, onde tudo funciona bem. Procure saber melhor o que está a falar ou escrever, de modo a não passar por uma ignorante nata.

Por Drika,17/01/2018

Mazelas temos demais. Mas, E.U.A também tem as suas. Não existe país perfeito. Ninguém está cego nessa cidade. Só escuto reclamações no dia a dia. Cidade suja, povo sem educação e infraestrutura precária. Mas, isso não significa que temos que aceitar provocações de brasileiro que quer se americanizar apulso. Só que o povo lá trata-o como cidadão de Terceiro Mundo,

Por Zenira,15/01/2018

Luiz Otávio, quem deve estar com merda na cabeça é você. Tu mora numa merda de país desse, num Estado com mais de 5.400 homicídios ano passado e ainda vem falar mal de quem aponta nossas mazelas? Você é mesmo um babaca, um idiota útil, um imbecil alienado.

Por LUIZ OTAVIO NOGUEIRA DA SILVA,15/01/2018

Shit Hole? Acho que esse cidadão está com o produto do Ass Hole entupindo a cavidade craniana dele, simulacro de tecido encefálico, cujos neurônios foram substituídos por excremento, motivo pelo qual ele fala tanto SHIT.



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