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Patrimônio

Polêmica na obra de restauração da Igreja do Bonfim em Olinda

Moradores questionam a transferência de postes de fios de alta tensão da lateral da Igreja do Bonfim para a frente do casario

Publicado em 02/06/2018, às 08h08

Os dois novos postes estão instalados na Rua do Bonfim, mas a fiação não foi transferida / Foto: Leo Motta/JC Imagem
Os dois novos postes estão instalados na Rua do Bonfim, mas a fiação não foi transferida
Foto: Leo Motta/JC Imagem
Da Editoria Cidades

Prevista para terminar em agosto de 2018, a obra de restauração da Igreja do Bonfim, no Sítio Histórico de Olinda, está no meio de uma polêmica entre moradores e a prefeitura. O pivô do impasse são dois postes colocados na calçada da Rua do Bonfim para transferir a fiação de alta tensão que passa na lateral do templo católico para o outro lado da via, ao longo da fachada de oito casas residenciais.

De acordo com a secretária-executiva de Patrimônio de Olinda, Ana Cláudia Fonseca, a medida é necessária para permitir as intervenções na parede da igreja voltada para a Rua do Bonfim. O serviço compreende a recuperação do reboco da cimalha (saliência onde se assentam os beirais do telhado), raspagem, aplicação de fundo protetor e, por fim, a pintura.

“Os operários não podem trabalhar próximos da fiação de alta tensão, por isso solicitamos da Celpe a relocação dos postes. Mas tivemos o cuidado de preservar as portas e janelas das casas, os fios passarão acima da fachada do casario”, afirma Ana Cláudia Fonseca. Os postes, diz ela, não retornarão ao lugar de origem. “A prefeitura teria de pagar R$ 19 mil à Celpe pela mudança.”

Além do custo financeiro, ela argumenta que o retorno da fiação para a lateral da Igreja do Bonfim impedirá a manutenção periódica do prédio. “Até conseguirmos dinheiro para substituir a fiação aérea do Sítio Histórico por fiação embutida os postes permanecerão no novo local”, declara Ana Cláudia, acrescentando que não há previsão para implantar a fiação embutida.

A professora aposentada e moradora da Rua do Bonfim Girlaine Matilde Serpa disse que os fios de alta tensão não foram instalados nos postes – um colocado na calçada do Grupo Escolar Duarte Coelho e outro defronte ao muro de uma das casas – por causa da mobilização popular. “Conversamos com a prefeitura e com a Celpe e sugerimos a retirada apenas de um deles, ficaram de resolver e não deram resposta”, declara Girlaine.



A proposta dos moradores é manter uma haste na lateral da Igreja do Bonfim e outra na calçada do grupo escolar, com a fiação cruzando a rua. “Enquanto a lateral da igreja é fechada, o fio de alta tensão vai passar na nossa porta, é mais perigoso”, argumenta o bancário aposentado Alfredo Cordeiro. “Isso também vai criar um problema para a gente na hora de pintar a casa”, ressalta Girlaine Serpa.

Como exemplo ela mostra uma fiação de telefonia já instalada na nova haste e que passa rente com a varanda do primeiro andar de uma das casas. “Nós pedimos à empresa para não botar os fios porque a permanência do poste está em questão, mas não deram atenção”, diz Alfredo Cordeiro. Como a calçada é estreita, o poste que fica na frente do muro da casa ocupa todo o passeio.

Restauração

“Isso atrapalha o nosso direito e ir e vir, tira a visibilidade e serve de escada para ladrões entrarem na casas pelo telhado”, destaca a professora aposentada. Ana Cláudia Fonseca informa que será marcada uma reunião com os moradores em busca de consenso para não prejudicar o cronograma da obra de restauração da Igreja do Bonfim, iniciada em maio de 2017.

Clodomir Barros, arquiteto da Secretaria de Patrimônio de Olinda, disse que 95% das obras civis e 80% do trabalho de restauração dos bens integrados (altar e outras partes artísticas) da Igreja do Bonfim estão prontos. A cúpula da torre sineira, que estava rachada e provocou a interdição do prédio em fevereiro de 2012, foi refeita. “A torre está em segurança e pintada”, diz o arquiteto.

“Consertamos, piso, esquadria, escada, fachada, coberta, forro da nave (local onde os fiéis assistem à missa) e forro da capela-mor, que havia caído”, detalha Clodomir Barros. No decorrer da obra, os restauradores constataram que a estrutura do coro estava comprometida e também terá de ser recuperada. A intervenção completa na igreja custa R$ 2.090.220,34, financiada pelo governo federal com recursos do PAC Cidades Históricas.


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