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AMOR QUE SUPERA

Na luta contra o câncer, jovem de 20 anos encontra forças no amor

Eduarda Cordeiro, paciente do Hospital do Câncer de Pernambuco há quatro anos, encontrou o futuro esposo durante sessões de radioterapia

Publicado em 12/06/2018, às 17h22

Feny Nascimento, chamado por Duda de
Feny Nascimento, chamado por Duda de "Anjo", foi o que ela precisava para voltar a sonhar e lutar contra a doença
Foto: Cortesia/@mbfotofilme
Bianca Sousa
JC Online

Uma troca de olhares e ali nascia o amor. “Eu estava carequinha quando nos conhecemos”, diz Eduarda Cordeiro, de 20 anos, paciente do Hospital do Câncer de Pernambuco, sobre o dia em que se apaixonou à primeira vista por Feny Nascimento, 30, com quem se casará em alguns dias. Poderia ser uma história de filme de romance, daquelas que arrancam suspiros da plateia. Mas a história deles é real. Sem produções de cinema, eles sentem na pele o que uma doença pode causar, mas fazem disto um roteiro de superação.  

Duda, como gosta de ser chamada, descobriu o câncer, do tipo sarcoma, em 2014. Não sabia ela que, em meio a um turbilhão de coisas, encontraria alguém que hoje chama de “Anjo” e foi o suporte que precisava para reviver. Em pleno Dia dos Namorados, eles estão na expectativa do casamento para realizar o grande sonho, que se tornará real com a ajuda de fornecedores voluntários que querem compartilhar o amor e fazer o bem.

O “sim” no altar do casal foi antecedido por várias idas e vindas à unidade de saúde. Duda é moradora do município de Bom Conselho, no Agreste de Pernambuco, distante cerca de 269 quilômetros do Recife, e o Hospital do Câncer era visita semanal para tomar medicamentos. “Nos conhecemos durante as minhas sessões de radioterapia. Ele era vigilante do hospital e eu passava todos os dias por ele e sempre trocávamos olhares”, conta a apaixonada.

Mas para que o primeiro tímido “oi” acontecesse foi preciso um empurrãozinho da amiga que acompanhava a paciente nas consultas. Aparecida é o nome do cupido que foi ao encontro do, até então, desconhecido vigilante e pediu o número de telefone dele.

“O que mais me encantou foi o sorriso dela”, diz Feny, que já estava apaixonado mesmo sem trocar uma palavra sequer com a admiradora. O Shopping Tacaruna era o local de encontro do casal que estava se conhecendo. Troca de mensagens e conversas resultaram no pedido de namoro, no dia 19 de junho de 2015. Juntos há quase três anos, vencem diariamente a doença e encontram no amor o objetivo de viver. E por falar nisto, é com a palavra “vida” que Feny define a futura esposa.



Companheirismo e carisma foram os elementos que fizeram ele se apaixonar por Duda. E ela já o amou desde o primeiro momento que o viu. Hoje, fazendo quimioterapia semanal e tomando comprimidos diários, Duda se prepara para viver o grande sonho, que fica além de todos os impasses vividos por ela após descobrir o câncer.

O casamento solidário

Sheila Lacerda, enfermeira chefe do hospital em que Duda faz tratamento, conta que teve a ideia de juntar os fornecedores para fazer o casamento. “Faço parte de um grupo de noivas no Facebook, e em cerca de três horas já tínhamos umas 100 pessoas querendo ajudar. Foi algo impressionante”, conta ela, feliz com a boa ação.

Por conhecer a história do casal de perto, a enfermeira, a quem Duda chama de “Fada Madrinha”, reuniu os voluntários e tornou possível o que antes ficava apenas no imaginário da garota que sempre sonhou em casar. “É uma corrente de amor. Ajudar ao próximo muda a vida de várias pessoas”, diz Sheila.

A festa aconteceria no Hospital do Câncer, onde já foram feitos vários casamentos. Mas as doações superaram o que era esperado e o casal foi presenteado com uma casa de eventos. Decoração, buffet, vestido de noiva, fotografia, lembrancinhas e até lua de mel também estão garantidos para o grande dia. “É uma alegria vê-la sonhar de novo”, fala a enfermeira chefe.  

Com data marcada para 30 de junho, Feny e Duda se tornarão casados, e, além de fotos do grande dia, levarão o amor que há entre eles, e também todo o carinho que receberam. “Estou muito nervoso e ansioso”, conta o noivo, que em breve verá a mulher do sorriso que ele tanto ama, vestida de branco no altar.


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