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Os caboclos de lança defendem o carnaval de Nazaré da Mata

Eles são os guerreiros que protegem a sua corte e levam o nome da folia da cidade

Publicado em 10/02/2018, às 07h19

Os caboclos de lança são guerreiros que defendem os estandartes dos maracatus.  / Diego Nigro / JC Imagem
Os caboclos de lança são guerreiros que defendem os estandartes dos maracatus.
Diego Nigro / JC Imagem
Leonardo Vasconcelos

Gola com lantejoulas, chapéu com fitas coloridas, chocalhos pendurados, óculos escuros, na boca um cravo e nas mãos uma lança. Não há como não identificar. Eis o caboclo de lança, uma das figuras mais emblemáticas do Carnaval pernambucano. É o guerreiro que protege a nação do maracatu rural ou de baque solto.

O caboclo de lança ou lanceiro é encontrado nos municípios da Zona da Mata, principalmente em Nazaré, a 70 quilômetros do Recife e conhecida como a capital do maracatu por concentrar o maior número de grupos. A referência ao título pode ser encontrada em uma das entradas da cidade, onde fica o Parque dos Lanceiros, um espaço com grandes esculturas dos guerreiros das matas.

O presidente do maracatu Cambinda Brasileiro, um dos principais da cidade e que este ano completou um século de existência, Elex Miguel Adão, explica a origem do famoso personagem. “Ele surgiu há mais de um século com a função de proteger a sua corte porque no passado existiam muitas brigas entre os grupos. Os adversários tentavam atingir o estandarte do outro e cabia ao caboclo defender”, explicou Elex.



A lança, também chamada de guiada, que dá nome ao caboclo, tem um sentido quase mágico. “Antigamente, o caboclo ia na mata escolher a madeira. Após ser cortada, ela teria que ficar um tempo enterrada na areia para, depois, preparar a lança em um ritual. Na época, logo em seguida ao Carnaval, o caboclo teria que voltar com a madeira suja de sangue dos combates. Hoje, o material usado e o processo são diferentes, mas ainda pintamos a ponta da lança de vermelho para representar esse sangue dos antepassados”, contou Elex.

PAIXÃO

Um dos caboclos de lança mais experientes do grupo é Aluízio José da Silva, conhecido como Lula, 52 anos. “Ser caboclo de lança pra mim é um grande orgulho. Há 28 anos estou nessa função e hoje já tenho dois sobrinhos me acompanhando. Minha alegria é defender a minha corte e se o colega estiver em perigo estamos lá para ajudar. É mesmo que o soldado quando vai pra guerra, ele tem que dar a vida pela sua bandeira. Esta é a minha tropa”, disse seu Lula, com os olhos brilhando.


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