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BikePE: usuários reclamam de bicicletas sem manutenção, estações vazias e problemas no sistema

Os problemas são encontrados, geralmente, em estações que ficam na área Central do Recife

Publicado em 23/03/2017, às 16h06

Degradação de estações é notória / Cortesia
Degradação de estações é notória
Cortesia
Mayra Cavalcanti

Bicicletas com pneu furado, sem pedal e com a cela quebrada. Ou nenhuma bicicleta na estação. Estes são alguns problemas que os usuários do BikePE se deparam ao tentar utilizar o sistema de compartilhamento de bicicletas, principalmente nas estações localizadas na área Central do Recife. Na Rua da Soledade e na Praça Oswaldo Cruz, por exemplo, ambas no bairro da Boa Vista, poucas bicicletas disponíveis. Às vezes tem, mas o sistema diz que não.

A estudante de enfermagem Rafaela Inácio, de 21 anos, utiliza o sistema quase todos os dias, ou tenta, como ela mesmo relata.
"Falta manutenção nas bicicletas. A máquina que libera quase sempre está com problema. Quando isto acontece, tenho que fazer o percurso a pé", declara Rafaela. Ela faz uso das bikes, geralmente, para se locomover da sua casa, na Boa Vista, em direção ao estágio, em Santo Amaro e à faculdade, no Derby. "Uma vez peguei uma bicicleta sem freio. Sorte que era um sábado, tinha pouco carro na rua. Mas foi meio tenso e arriscado", acrescenta.

Problemas parecidos teve a jornalista Maiara Melo, de 24 anos. Também moradora do bairro da Boa Vista, ela conta que, um dia, duas bicicletas estavam com o pneu furado. "Liguei para o BikePE e, quatro dias depois, as bicicletas ainda estavam lá. Inclusive, algumas vezes que fui pegar, elas foram 'sorteadas' para mim", comenta. Segundo Maiara, muitas vezes é preciso paciência para usar o sistema. "A gente pega bicicleta justamente para ser mais rápido e acaba atrasando, porque o sistema dá problema e você tem que esperar 15 minutos para pegar outra. Às vezes ele libera a bicicleta e trava, às vezes tem bicicleta e o sistema diz que não tem".

Foi por causa destes recorrentes problemas que a estudante Emylia Oliveira, de 21 anos, deixou de usar o sistema. "Quando descobri, achei massa, pensando em ir trabalhar e estudar de bicicleta. Mas hoje em dia é uma coisa em que você não pode confiar, não tem como contar com isto", declarou. Atualmente, ela usa uma bicicleta emprestada. Moradora do bairro da Tamarineira, ela comenta que a estação que tem próximo à sua casa, também frequentemente apresenta problemas. "A estação era para um lado e a parada de ônibus para o outro. Quando dava erro e eu não conseguia pegar, tinha que andar o caminho todo de volta, podendo me atrasar".




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A reportagem do Jornal do Commercio identificou falta de bicicletas nas estações do Parque Treze de Maio, da Rua do Lima, da Rua da Aurora e do Cinema São Luiz, todas na área Central do Recife. Sobre os problemas com a estações, a Secretaria de Turismo de Pernambuco (Setur), se pronunciou por meio de uma nota. Confira a íntegra do conteúdo:

Em relação ao projeto Bike PE e as bicicletas degradadas, a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco esclarece que notificou pela terceira vez a operadora privada, Samba, responsável pela gestão dos equipamentos. No momento, a empresa passa por um processo de finalização de recomposição societária e, por isso, solicitou o adiamento do cumprimento do contrato de cooperação técnica para as bicicletas e estações. A Secretaria informa que, segundo o modelo do contrato, está prevista a reformulação geral de todas as estações e bicicletas, além de melhorias tecnológicas no aplicativo. Esse processo está previsto até o fim do primeiro semestre de 2017.

Sobre o BikePE

Lançado no Estado em 2013, o BikePE possui, atualmente, 80 estações, mas apenas 78 estão disponíveis, visto que as existentes no Cais do Apolo e no Buraco da Velha, em Brasília Teimosa, estão sendo relocadas para a Rua Teles Júnior, nos Aflitos e para a Praça Eça de Queiroz, na Madalena, respectivamente. Cada estação conta com 10 bicicletas e 12 vagas, que totaliza 800 bicicletas e 960 vagas. Em 2014, 8.506 pessoas utilizavam as magrelas do projeto. Em 2015, a quantidade caiu para 6.683 usuários. Até julho do ano passado, foram 5.637 pessoas fazendo uso.


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