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MORTE DE CRIANÇA

Familiares denunciam negligência médica

Menina morreu na última quinta-feira, enquanto aguardava vaga para UTI

Publicado em 19/06/2011, às 21h12

Do JC Online

Familiares denunciam que uma criança de três anos e sete meses, moradora da cidade de Tacaimbó, no Agreste do Estado, faleceu em decorrência de negligência médica. Larissa Ferreira Lira foi atendida três vezes na emergência do Hospital Regional de Belo Jardim, também no Agreste. Todas as vezes, a menina apresentava febre, vômito e dor de barriga. A criança faleceu na última quinta-feira (16), no Hospital Barão de Lucena (HBL), no Recife, enquanto aguardava a transferência para a UTI.

A mãe da menina, a dona de casa Josefa Ferreira da Silva, 39 anos, disse que levou a criança no domingo, segunda e terça-feira no Hospital Regional. “Todas as vezes, os médicos disseram que era normal uma criança passar mal e medicavam a menina. As dores passavam na hora, mas pouco tempo depois, ela voltava a ficar mal”, disse.

Não vendo a melhora da filha, Josefa levou a menina para ser consultada com um médico particular, que solicitou um raio-x e recomendou que a criança ficasse no soro. O exame foi feito no Hospital Regional. “Demoramam muito a fazer a radiografia e minha filha piorava cada vez mais”, acrescentou a mãe.

Após a realização do exame, a criança foi transferida para o HBL numa ambulância da prefeitura de Belo Jardim. Segundo mãe, a menina apresentava falta de ar. “Mas ela veio apenas no soro, não fizeram nebulização”, contou.

A criança ficou aguardando um leito na UTI, mas faleceu na quinta-feira (16) pela manhã, antes de conseguir a vaga. “Acho que houve negligência. Se os médicos que a atenderam em Belo Jardim tivessem pedido logo a radiografia, a doença podia ter sido identificada logo. O atendimento foi muito falho”, disse a mãe. A dona de casa pretende acionar o Ministério Público para denunciar o caso. “Se eles fizeram isso com a minha filha, podem fazer com muitas outras também.”

A assessoria de imprensa do HBL informou que a criança chegou em estado muito grave. Foi feito um novo raio-x, que detectou uma pneumonia grave, além de exames que diagnosticaram anemia e baixa imunidade. A criança chegou a ser tratada com antibióticos. Na quinta-feira (16) pela manhã, foi solicitada a vaga da UTI, mas, pouco mais de uma hora depois, enquanto a vaga estava sendo buscada, a criança teve uma parada cardíaca e faleceu.

A Associaçåo de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps) informou que é comum pacientes da rede pública morrerem na espera por vagas de UTI. “Por lei, o Estado tem que encontrar uma vaga, seja na rede conveniada ou na particular”, informou o ouvidor da Associação, Carlos Freitas. Segundo dados da Aduseps, apenas na quinta-feira (16), data do falecimento de Larissa, 10 pessoas morreram em hospitais públicos do Grande Recife na espera por vagas de UTI.

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Comentários

Por marcia,14/09/2011

meu filho tanbem entrou na uti con um fio de cost. quebrado e uma pequena perfuraçao no pulmao os medicos diseram que em 2 dias ele iria sair da uti bom eque nao precisava tirar para outra uti onde tivesse cirugiao o estado se agravou 22 dias de angustia e sinplesmente 1 telefonema 5 horas da manha para dizer venham na uti (hoje so revolta)

Por Será ?,21/06/2011

Será que um Rx no primeiro dia de doença salvaria a vida da criança ? É a velha mania de achar que exame resolve tudo. Não podemos esquecer que doença evolui, progride, tem uma história. Antes de sair condenando, é melhor apurar os fatos, se for negligência, punam-se os culpados. Mas e se não foi ? Haverá retratação ?

Por Luana,20/06/2011

Antes de procurarem o HBL para esclarecimentos, deveriam ter procurado o Hospital de Belo Jardim, que atendeu a menina diversas vezes e como a mãe mesmo disse, demoraram até pra fazer um raio-x. Tenho informações de que no Hospital de Belo jardim mal tem médico, e quando tem é preciso estar derrubando a porta pra eles virem atender. E quando atendem a assistência é essa. O poder público deveria olhar mais para a saúde em belo jardim porque só quem precisa de atendimento lá é que sabe como as coisas funcionam.

Por João,20/06/2011

É justamente em momentos como esse que tenho uma extrema vergonha de ser um profissional de saúde e ver uma criança ser negligênciada por um colega. A saúde pública brasileira tem falhas como na maioria dos países, entretanto o que se evidencia aí, é uma cadeia de pequenas, mas trágicas, coincidências iniciada pelos profissionais de saúde que não atenderam a criança com a seriedade que o caso exigia. O SUS são as PESSOAS que trabalham nele. Se os recursos humanos são formados sob a égide de uma lógica que privilegia a DOENÇA, como é que os indicadores de SAÚDE poderam melhorar? Falta compromisso profissioanl e ético por parte dos trabalhadores da saúde coletiva!!!

Por Brito,20/06/2011

Este é o retrato da saúde pública no Brasil, com maiores agravantes no interior do Nordeste, Belo Jardim mesmo sendo uma cidade que tem progredido bastante no setor indústrial, não possuí um sistema de saúde capaz de socorrer uma pessoa com dor de barriga, isto é uma vergonha para o estado de PE, onde estão as tão faladas unidades de saúde que o Governador Eduardo Campos não cansa de afirmar que funcionam em PE, a situação da nossa saúde é crítica e hoje quem não possuí um plano de saúde decente está sujeito a morrer sem que receba a miníma assistência médica, isto é vergonhoso para todos nós, seres humanos relegados a própria sorte sem receber o minímo necssário para sobreviver.

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