Jornal do Commercio
Operação Dirty-Net

Irmão de Mução pode pegar até dez anos de prisão

Acusado confessou ter utilizado login e senha do e-mail para divulgar material pornográfico na internet

Publicado em 29/06/2012, às 23h06

Advogados de Mução na sede da Polícia Federal, no Recife / Bernardo Soares / JC Imagem

Advogados de Mução na sede da Polícia Federal, no Recife

Bernardo Soares / JC Imagem

Do JC Online

A Polícia Federal informou, em entrevista coletiva na noite desta sexta (29), que o irmão do humorista Rodrigo Vieira Emerenciano, conhecido como Mução, 35 anos, confessou ter usado login e senha do e-mail do radialista para divulgar material pornográfico na internet. As imagens de sexo explícito envolviam crianças, adolescentes e até bebês. O suspeito não teve o nome divulgado, mas a polícia confirmou que ele é engenheiro da computação e ocupava um cargo de diretoria na empresa de Mução, no Ceará. O radialista, preso em Fortaleza na quinta-feira (28), teve a prisão revogada pela 13ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária de Pernambuco e foi liberado, mas não poderá sair do Recife porque as investigações continuam.

A delegada responsável pelo caso, Kilma Caminha, informou que o irmão do comunicador pode pegar de quatro a dez anos de reclusão por disponibilizar imagens de crianças e adolescentes na internet, segundo o artigo 241 B do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Mução deixou a sede da PF, no Cais do Apolo, Bairro do Recife, por volta das 21h, sem dar entrevistas, mas seus advogados afirmaram que ele deve se pronunciar neste sábado (30). De acordo com os investigadores da PF, ao saber da participação do irmão no crime, Mução ficou emocionado e chorou.

Infográfico

Operação Dirty-Net

O apresentador de um programa humorístico de rádio era tido como um dos acusados de integrar uma rede virtual de pedofilia que atuava em 11 Estados e no Distrito Federal. O esquema desarticulado pela Operação Dirty-Net (rede suja), envolvia 160 pessoas: 63 brasileiros e 97 estrangeiros.

Escoltado por três agentes federais, Mução chegou pela manhã ao Aeroporto Internacional do Recife, na Zona Sul. De lá, seguiu para a sede da PF acompanhado por um advogado. Os policiais apreenderam, para fins de investigação, um iPhone e um tablet, que estavam na casa do radialista.
 
Durante as buscas e interrogatórios, que se estenderam ao longo do dia, o humorista levantou a possibilidade de pessoas muito próximas a ele (com acesso amplo e irrestrito aos seus locais de residência e trabalho e aos seus dados pessoais) estarem envolvidas no caso. A partir de então, a PF fez novas diligências e acabou chegando ao irmão de Mução.

“Fizemos a intimação e, quando se apresentou, no Ceará, o irmão do investigado acabou confessando”, afirmou o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Nilson Antunes. Ele não chegou a ser detido porque se apresentou espontaneamente e não houve configuração de flagrante. Responsável pelo setor de informática da empresa, o irmão do humorista tinha acesso a senhas e dados de todos os funcionários. Ele chegou a criar perfis falsos em redes sociais com o nome de Mução ou iniciais que lembrassem o nome dele.

O delegado Nilson Antunes negou que o radialista tenha sido preso injustamente. Segundo a PF, investigações apontavam seu envolvimento no caso e a prisão temporária foi decretada para agilizar os trabalhos.

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