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SAÚDE

Dengue tem redução de 58,52% em Pernambuco

Apesar da queda nas estatísticas oficiais, autoridades epidemiológicas do Estado vão antecipar campanhas para não baixar a guarda

Publicado em 20/08/2012, às 08h45

Do JC Online

 / Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Depois de ter superado em mais de 200% os registros do ano passado, a transmissão de dengue começa a cair em Pernambuco. Segundo avaliação da Secretaria Estadual de Saúde, nas duas últimas semanas o número de casos teve uma redução de 58,52%. A queda já era esperada nessa época, uma vez que a doença voltou a gerar surtos a partir de novembro do ano passado, mas está longe de significar alívio. "“São quatro vírus circulando no Estado, basta a população de mosquitos aumentar um pouco e mais pessoas vão adoecer"”, alerta Claudenice Pontes, coordenadora estadual do programa da dengue.

Para evitar que a baixa frequência faça muita gente descuidar das medidas de prevenção, serão antecipadas para este mês as mobilizações que geralmente acontecem a partir de novembro. Nesta segunda (20), terá início a capacitação de carteiros. Eles vão entregar panfletos durante a distribuição das correspondências.

O governo vai preparar cerca de três mil carteiros, em três polos (Recife, Caruaru e Petrolina), explica a coordenadora estadual do programa da dengue. A preocupação é com todo o Estado, já que se trata de uma doença distribuída em todo o território. A vigilância epidemiológica isolou o quarto vírus, o com maior poder de adoecimento porque entrou em circulação recentemente, em 27 municípios das quatro regiões: Grande Recife, Mata, Agreste e Sertão. Além disso, os outros três vírus, que entraram no Estado desde a década de 90, permanecem em transmissão, ameaçando principalmente as crianças. O DENV-1 foi detectado este ano em Afogados da Ingazeira, Águas Belas, Alagoinha, Jaboatão dos Guararapes e Petrolândia. Em Jaboatão, também foram isolados os vírus 2 e 3. O terceiro tipo ainda circula no Recife e em Joaquim Nabuco.

Este ano, há um complicador, que são as eleições municipais. O envolvimento com campanhas e a troca de prefeitos podem favorecer desmobilização de ações contra a dengue. A vantagem quanto a isso, segundo Claudenice, é que a maioria dos municípios efetivou seus agentes de endemias e comunitários de saúde, não podendo demiti-los por questões políticas.

Como começou mais cedo dessa última vez, a epidemia de dengue atingiu o auge entre março, abril e maio. A redução sazonal também se sustenta no reforço das ações de controle pelas prefeituras, avalia Claudenice. Por enquanto, são 54.877 doentes suspeitos registrados desde o início do ano. A quantidade é 84,75% maior que a de 2011, quando até essa data só havia 29.703 notificações. A região que mais teve doentes foi a justamente a de maior população: a Região Metropolitana do Recife e cidades vizinhas da Zona da Mata.

Nada menos que 50% das 185 localidades do Estado estão com alta incidência da doença, equivalente a 300 ou mais casos em cada grupo de 100 mil habitantes. Entre os com maior proporção de doentes, oito são metropolitanos. Num deles, Olinda, que detém 4,32% dos casos, houve mobilização no Alto da Mina na última quarta-feira.

De janeiro até agora foram confirmadas em Pernambuco 16 mortes por dengue e ainda há 29 em investigação. Quase todos foram no Grande Recife. O registro é mais baixo que o do mesmo período do ano passado. Nessa época, 49 óbitos já tinham causa devidamente comprovada como dengue.

Conforme Claudenice Pontes, a maioria dos mortos era do sexo masculino e tinha procurado tardiamente o serviço de saúde. “Apresentaram complicações no quinto dia e como demoraram a procurar atendimento, morreram rapidamente, 12 a 24 horas depois de recorrer a uma unidade saúde”, explicou. Ela lembra que a população tem que ficar atenta aos sinais de piora, como vômito, dor abdominal, suor excessivo e tontura.

Os números mostram ainda que 30,65% dos 248 casos graves de dengue foram em menores de 15 anos, sendo as crianças de 5 a 14 anos as mais atingidas. Isso se justifica pela suscetibilidade maior dos jovens. Os com mais idade já foram infectados em outros anos, pela exposição repetida.

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Comentários

Por sergio,22/08/2012

Parabéns João pelas palavras bem colocadas, sou agente de saúde e combate a endemias e faço das suas palavras as minha acrescentando que ano de eleição é comum vermos este tipo de propaganda de políticos descompromissados querendo apenas se manter no poder menosprezando o entendimento da população sobre a dengue em nosso estado.É lamentável...

Por mercenário,20/08/2012

E o governo queria o quê ? Epidemias anuais ? Mostra como os comissionados que sentam a bunda na secretaria estadual de saúde nada entendem de surtos epidêmicos. Ao invés de usarem um fato previsível para fazerem politicagem de 5° categoria poderiam trabalhar de fato para acabarem com doenças erradicadas no século retrasado em outros países mas que ainda afligem o povo de pernambuco!!

Por alexandre henrique,20/08/2012

É preciso entender que a dengue tem que ser combatida numa parceria entre os agentes de saúde e a população, cada um fazendo a sua parte, pois, infelizmente mais de 80% dos focos são encontrados nos domicilios.

Por João,20/08/2012

A redução se deve mais ao fato da imunização adquirida por contágio da doença do que por qualquer ação de prevenção.Quando um novo virus aparece todo mundo adquire a doença, que é o pico, após com todo mundo imune os casos caem, sem nenhum mérito da ação pública de saúde. As crianças sofrem porque não têm imunidade alguma para os 4 virus existentes.É triste.

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