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mãos à obra

2014 ''começa'' e traz consigo a esperança para milhares de pessoas

Entre os tantos desafios da Prefeitura do Recife e do governo estadual para este ano, um promete dar dignidade a uma fatia marginalizada da população e melhorar a paisagem da capital pernambucana

Publicado em 08/03/2014, às 19h42


Wagner Sarmento

 / Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Existe o costume, no Brasil, de dizer que o ano só começa depois do Carnaval. Para milhares de pessoas que sobrevivem sob condições precárias nas palafitas recifenses, o “início” de 2014 – já entrando em seu terceiro mês – significa um rastro de esperança. Entre os tantos desafios da Prefeitura do Recife e do governo estadual para este ano, um promete dar dignidade a uma fatia marginalizada da população e melhorar a paisagem da capital pernambucana. Quase 1,5 mil famílias serão retiradas, até dezembro, de palafitas e casebres às margens do Capibaribe para viabilizar o projeto de navegabilidade do rio.

As primeiras famílias, de acordo com a Secretaria de Habitação do Recife, começam a ser removidas ainda este mês. São 124 unidades do Conjunto Habitacional dos Coelhos, na Travessa do Gusmão, bairro de São José, área central da cidade. A previsão inicial era para dezembro do ano passado. Outros 260 apartamentos, na Praça Sérgio Loreto, que fazem parte do mesmo complexo, serão entregues no mês que vem.

As esperadas chaves das novas moradias prometem dar alento sobretudo às 112 famílias que perderam tudo após o incêndio ocorrido em agosto do último ano na comunidade do Campinho, nos Coelhos. Passados mais de seis meses da tragédia, o cenário pouco mudou. O preto herdado pelo fogo que queimou tudo dá o tom do descampado. Restam apenas os tocos de madeira que equilibravam os casebres e alguns objetos e eletrodomésticos.

Duas crianças, sentadas em cima de uma geladeira antiga, brincam de atirar pedras. Um dos meninos, Richarlyson Gomes, 7 anos, joga um tijolo no meio do terreno e diz: “Eu morava ali onde a pedra bateu”. O primo, Richard Alves, 10, reflete: “A gente estava brincando, jogando bola, quando o incêndio começou. Quando olha, dá saudade. Espero que o prédio fique pronto logo para a gente ir para lá”.

A dona de casa Almiralice Anália de Souza, 50, é uma das que aguardam ansiosamente pelo conjunto habitacional. Da casa que alugou para ficar temporariamente, ela consegue ver, lá longe, as obras do prédio onde vai morar. “Prometeram que a gente iria para os apartamentos em dezembro, mas adiaram. O pessoal que foi atingido pelo incêndio está todo espalhado. Aqui perto só tem três famílias. Consegui arrumar essa casa com o piso inclinado e pago R$ 150 por mês. Não vejo a hora de sair desse lugar, afirma.

Almiralice se encontrava no oculista quando o telefone celular tocou. Era o marido, desesperado, contando que o barraco estava pegando fogo, assim como toda a comunidade. A mulher deixou a consulta e correu para casa. Tarde demais. Quando chegou, quase tudo havia virado pó. O casal perdeu móveis, eletrodomésticos, documentos, roupas e a história escrita em sete anos de relacionamento. “Muita coisa eu ganhei de novo através de doação. Até hoje chega ajuda, graças a Deus”, festeja.

A prefeitura promete tirar, ao todo, 1.120 famílias das palafitas entre a Ponte Velha, na Boa Vista, e a Ponte-Viaduto Joana Bezerra, bairro de mesmo nome. Além disso, mais de 200 que residem em casas de alvenaria também serão removidas, mediante indenizações. O fim das palafitas integra as obras do projeto de navegabilidade do Rio Capibaribe, lançado em 17 de janeiro de 2013 e orçado em R$ 190 milhões. A expectativa inicial era que o transporte fluvial começasse a operar em junho, antes do início da Copa do Mundo, mas o prazo foi estendido para dezembro. Cerca de 350 mil pernambucanos serão transportados mensalmente por 13 embarcações.

Um mergulho nas palafitas desvela uma gente que sonha com a dignidade, mas nutre a espera diante de condições desumanas. Os barracos, de papelão e madeira, se sustentam sabe-se lá como. Quando a maré enche, a água invade casas, derruba paredes e vigas, leva doenças. O esgoto corre a céu aberto por entre as ruelas sem calçamento. As fezes estão espalhadas pelo chão por onde crianças brincam descalças. O mau cheiro impera. Ratos, baratas e escorpiões são visitantes corriqueiros.

É nesta realidade que os moradores da Vila Brasil, em São José, esperam o conjunto prometido em 2006, ainda na gestão do prefeito João Paulo. A construção teve início somente em 2010, já com o prefeito João da Costa, mas virou símbolo de descaso e abandono, com as obras paradas por meses. Moradores relatam que o terreno do complexo residencial virou ponto de tráfico de drogas e prostituição. Furtos de materiais de construção são comuns no local, encravado ao lado do Fórum do Recife.

Antes tarde do que nunca, o Conjunto Habitacional Vila Brasil está, finalmente, perto de ficar pronto. O secretário de Habitação do Recife, Eduardo Granja, diz que uma primeira parte, com 128 unidades, será entregue em julho. A reportagem esteve no local na última quinta-feira e só avistou um caminhão e um operário. O ritmo parecia lento. O Vila Brasil II, por sua vez, destinado a 320 famílias, começa a ser erguido em maio. Outro habitacional, o Realeza, no Coque, terá suas obras iniciadas no mesmo mês. O prazo é de 18 meses. “Todas as palafitas vão sair este ano, mas, nos casos em que os conjuntos não estiverem prontos, as famílias receberão auxílio-moradia”, explica Granja.

A dona de casa Cássia Rodrigues da Silva, 36, não aguenta mais morar na palafita. Mãe de três filhos, está com quase 200 quilos e foi abandonada pelo marido. Quase não passa pelo corredor estreito que dá para a rua. As tábuas, não raro, cedem diante do seu peso. “Há muitos anos a gente espera esse habitacional. Já sonhei e deixei de sonhar. Não suporto mais. Quando chove, pinga tudo, entra água, os bichos roubam nossa comida. Estou doente”, lamenta ela, enquanto aguarda pelo Vila Brasil I.

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Comentários

Por Cássia da Silva,09/03/2014

Este texto é horrível, ridículo. Uma aula de como não fazer jornalismo. Mal apurado, mal pesquisado, mal editado e piegas. Nunca vi um lide tão cheio de falta de informação, nunca vi palavras empregadas tão fora de contexto e o pior: nunca vi tamanha ausência de raciocínio lógico em um autor. É tão claro que a remoção das famílias tem um caráter cosmético, como ocorreu nas Olimpíadas de Pequim, mas nada disso é citado. Nada. Por quê? "Todas as palafitas vão sair este ano, mas, nos casos em que os conjuntos não estiverem prontos, as famílias receberão auxílio-moradia, explica Granja." Por que não o contrário?

Por PEDROREC,09/03/2014

Limpem o mangue. PEDRORECDOSKYSCRAPERCITYÉFAKE

Por LYRA,09/03/2014

Essa notícia é muito boa mas, deveria ter sido guardada para 2015, amigos, esse ano os políticos só terão tempo para pensar como assaltar o dinheiro do povo sério brasileiro e investir em suas eleições, O Dudu holanda junto com a sua gangue (prefeitos, deputados e baba ovos) já nada fizeram sem ser ano de eleições, imaginem agora em 2014.

Por JARBAS LEITE,09/03/2014

Fico feliz em saber que um projeto de revitalização do Capibaribe será além de uma via descongestionada para o transporte de milhares que precisam se deslocar diariamente, pelo prometido farão em embarcações confortáveis e nunca serão superlotadas, pois ninguém poderá viajar em pé. Tenho uma preocupação com a retirada das palafitas, como será a logística para que outras não surjam no mesmo lugar?

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