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Circo

Magia circense na terra de Ariano Suassuna

Festival de Circo do Brasil faz apresentação gratuita em Taperoá, na Paraíba.

Publicado em 01/03/2012, às 06h05

Festival de Circo do Brasil, em Taperoá, atrai multidão à praça central da cidade. / Lana Pinho/Divulgação

Festival de Circo do Brasil, em Taperoá, atrai multidão à praça central da cidade.

Lana Pinho/Divulgação

Mateus Araújo

É início de tarde, em Taperoá, na Paraíba. O caminhão que para na praça da cidade chama atenção pelas suas cores. O cartaz anuncia: “O circo está chegando!” Em menos de duas horas, luzes e som, misturados a curiosidade, convidam crianças, adultos e idosos para uma viagem ao lúdico e mágico universo circense. O cenário e a descrição até parecem uma das histórias do escritor, dramaturgo e secretários de Assessoria ao Governador de Pernambuco, Ariano Suassuna, sobre as lembranças de sua infância no lugar, mas, na verdade, é uma nova trupe que chegou à cidadezinha de aproximadamente 15 mil habitantes, no Sertão paraibano, junto com o Festival de Circo do Brasil, na última segunda-feira (27).

Talvez não houvesse um lugar tão apropriado para esta parada. Quem passeia por Taperoá encontra nas ruas, nas falas e no povo local claras referências e cenas das obras de Ariano. E, desta vez, ainda mais: o circo e o teatro, tão recorrentes nas histórias e nos personagens do escritor, encantam os moradores. O mesmo encanto que marcou a infância de Ariano Suassuna e ganhou vida em suas criações. Foi aqui que Chicó e João Grilo viveram as peripécias contadas no livro Auto da Compadecida. A cidade também é o centro do mundo de Quaderna, do Romance d’a Pedra do Reino, que conta as memórias de viagens por estradas e paisagens sertanejas.

Durante a manhã, nas escolas e nas ruas, panfletos são distribuídos entre os taperoaenses. Foi assim que Manuela Dantas Vilar, de 8 anos, e dona Ismênia Torreão, de 67, ficaram sabendo  da apresentação. As duas já viram passar pela cidade vários circos, mas o de hoje é diferente. Nada de lonas e arquibancadas. É a carroceria de um caminhão baú que vira o palco-picadeiro da apresentação gratuita. Não há animais também. O espetáculo acontece sob o comando dos palhaços com sotaque italiano.

Sem demora, os olhos das duas gerações encontram no palco o entretenimento, com a renovação da arte milenar circense. Já é noite, e os Giullari trazem as caretas, as piruetas e caras e bocas dos palhaços, para a satisfação e riso de Manuela. Tudo costurado às histórias, danças e interpretações, como tanto queria dona Ismênia. A apresentação é a mesma que viajou o mundo, com a companhia Giullari Senza Frontiere – que em português significa Palhaços Sem Fronteiras.

No palco, 11 artistas prendem a atenção de cerca de 1,5 mil pessoas que lotam a praça, no centro da cidade. Uma jovem italiana faz malabarismo com a massa de pizza, em vários tamanhos. A outra, de corpo elástico, se contorce inteira. O palhaço bailarino gordinho equilibra os palhacinhos assistentes nos seus ombros, que também fazem malabarismos com bolas, sob os aplausos do público. O mesmo acontece no número de malabares com bolas de vidro e com as tochas de fogo.  Tensão não falta, quando a mulher faz acrobacias e piruetas na bicicleta.

FESTIVAL
Criado há três anos, o módulo de circulação do Festival de Circo do Brasil leva aos estados brasileiros oficinas, apresentações e intervenções urbanas de artistas e grupos nacionais e internacionais. “No início, levamos o festival para as principais capitais do País, mas desta vez resolvemos trazer para o interior do Nordeste”, explica a idealizadora do projeto, Daniele Hoover.

Taperoá foi a terceira cidade por onde o caminhão-circo passou. Até o final deste mês, o projeto chega a mais 23 cidades, todas elas entre Pernambuco, Sergipe, Bahia, Paraíba e Alagoas.

O repórter viajou a convite do Festival de Circo do Brasil.

Leia a matéria completa no Caderno C desta quinta-feira (1).




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