Jornal do Commercio
cultura cultura
  • Tamanho do texto:
  • A-
  • A+

Cultura afrobrasileira

Naná Vasconcelos e jovens paulistas celebram cultura afro

Espetáculo Calungá - o mar que separa é o mar que une vai virar DVD

Publicado em 16/07/2012, às 06h01

AD Luna

Enviado especial

São Paulo - O belo e aconchegante Auditório Ibirapuera, em São Paulo, ficou lotado, na noite da sexta (13), para receber a emocionante apresentação e gravação em DVD do espetáculo Calungá - o mar que separa é o mar que une, encenado por crianças e adolescentes do Projeto Guri e o convidado especial Naná Vasconcelos. 

Calungá homenageia manifestações de matriz africana, que tem importância vital na formação da cultura brasileira. A base do show foi inspirada no álbum O canto dos escravos.  Lançado em 1982, pelo selo Eldorado, a obra, por sua vez, registra uma série de cantigas entoadas por negros que trabalharam nos anos 1920, em serviços de mineração em São João da Chapada, município de Diamantina (MG), as quais foram pesquisadas e reunidas no livro O negro e o garimpo em Minas Gerais (Editora José Olympio, 1943), de Aires da Mata Machado Filho.

Os 14 cantos são interpretados, no disco, por Clementina de Jesus, Tia Doca (pastora da Velha Guarda da Escola de Samba da Portela) e Geraldo Filme, um dos grandes nomes do samba paulista, falecido em 1995. Assim como aconteceu com a formação do blues norte-americano é interessante perceber como os negros vindos da África para o Brasil também se utilizam do canto como forma de acompanhamento dos trabalhos braçais. Nas letras, há presença do sincretismo entre as religiosidades africana e católica é flagrante. No espetáculo Calungá, a travessia dos negros escravos pelo mar também é evocada, assim como ele é tomado como símbolo do sincretismo cultural. 

Teaser de Calungá - o mar que separa é o mar que une

Além de co-dirigir o espetáculo Calungá com o percussionista Chico Santana - responsável pela concepção, direção artística e musical - Naná também compôs novas músicas para a ocasião. "Foi muito fácil trabalhar com ele, que é uma pessoa iluminada. Naná Vasconcelos chegou com muitas ideias, manteve sempre uma postura aberta para o diálogo e até se dispôs a vir mais vezes além do tempo combinado. Os ensaios duraram três meses e, apesar da nossa direção, podemos dizer que foi um trabalho realmente coletivo, no qual até as crianças colaboraram com os arranjos", explica Santana.

A interação entre o percussionista pernambucano e as 36 crianças e adolescentes do Guri - com idades entre oito e 19 anos, e de cores, origem social e credos variados - era forte e tocante. Tanto que, ao final do show, surpreenderam o mestre dos sons ao cantar uma música composta por elas em homenagem ao músico. Naná se emocionou. "Não é em qualquer lugar que a gente tem a honra de tocar com uma pessoa famosa e importante como o Naná Vasconcelos", exalta Luis Felipe, 14 anos, e estudante de percussão há dois. 

Esse conhecimento demonstrado por Luis Felipe e as outras crianças a respeito de um dos maiores percussionistas do mundo surgiu a partir de pesquisas dos próprios meninos. "Eles iam no Google, liam sobre Naná e depois o entrevistavam perguntando detalhes da carreira dele", revela Chico Santana. 

"Adoro trabalhar com crianças porque é uma troca mútua. É muito inspirador e também muito sério. Elas são o futuro do Brasil e do mundo. É muita responsabilidade!", destaca Naná. "E música é um ótimo instrumento de educação. De todas as artes, ela é a mais imediata: vai do silêncio ao grito. Ela educa, ela disciplina", complementa. 

O figurino, as luzes, a força dos cânticos interpretados com impressionante competência e sensibilidade pelas crianças e adolescentes do Guri, os quais eram enriquecidos com sons de tambores e as típicas e singulares intervenções sonoras e rítmicas de Naná Vasconcelos fizeram com a plateia aplaudisse efusivamene e de pé o final do espetáculo.

Projeto Guri

Criado e mantido há 16 anos pelo Governo do Estado de São Paulo, com apoio de prefeituras e da iniciativa privada, o Projeto Guri é motivo de orgulho para o povo paulista. Ele é referência nacional no que diz refere à educação sociocultural, com base na música. São mais de 55 mil jovens que recebem aulas de canto e instrumento, em 421 polos espalhados por todo o Estado. Para saber mais, acesse o link www.projetoguri.org.br .

 

 

imprima
envie para um amigo
reportar erro

Comentar

nome comentário
e-mail
digite o código
Digite o código no campo ao lado
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

Ranking do dia

Fotos do dia

Boato sobre suspensão do Bolsa Família causou tumulto na agência da Caixa Econômica de Casa Amarela
Clemilson Campos/JC Imagem

> JC Imagem

Boato sobre suspensão do Bolsa Família causou tumulto na agência da Caixa Econômica de Casa AmarelaBoato sobre suspensão do Bolsa Família causou tumulto na agência da Caixa Econômica de Casa AmarelaBoato sobre suspensão do Bolsa Família causou tumulto na agência da Caixa Econômica de Casa AmarelaBoato sobre suspensão do Bolsa Família causou tumulto na agência da Caixa Econômica de Casa AmarelaBoato sobre suspensão do Bolsa Família causou tumulto na agência da Caixa Econômica de Casa Amarela

Especiais JC

O povão tá feliz! Santa tricampeão pernambucano O povão tá feliz! Santa tricampeão pernambucano
Veja especial com a história do tricampeonato coral
Parque Nacional Torres del Paine Parque Nacional Torres del Paine
Santuário azul na Patagônia chilena atrai turistas com muita beleza e capacidade de renovação
Facebook Twitter RSS Youtube
Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM