Jornal do Commercio
Dia das Crianças

Quatro décadas de alegria com Palhaço Chocolate

Ulisses sobe ao palco no Parque 13 de Maio, nesta segunda-feira, a partir das 15h, para celebrar junto ao seu público mais um Dia das Crianças, como faz há décadas

Publicado em 12/10/2015, às 07h04

O dia 12 de outubro, para Ulisses Dornelas, é sagrado. ?Não abro mão do Parque 13 de Maio. É um compromisso que tenho com as crianças pernambucanas no dia dedicado exclusivamente a elas

O dia 12 de outubro, para Ulisses Dornelas, é sagrado. ?Não abro mão do Parque 13 de Maio. É um compromisso que tenho com as crianças pernambucanas no dia dedicado exclusivamente a elas", diz

Edmar Melo/JC Imagem

Cinthya Leite

Os olhos claros, o sorriso largo, a maquiagem branca, vermelha e dourada são a marca registrada de um personagem personificado, ao longo de 40 anos, pelo psicólogo e pedagogo olindense Ulisses Dornelas, 57 anos. Emocionado, ele relembra que, na década de 1970, subiu ao palco do Teatro de Santa Isabel com a missão de encantar a plateia infantil que assistia ao espetáculo O Circo Rataplan. Mal imaginava que a peça seria o pontapé inicial para a popularização do Palhaço Chocolate, que conquistou crianças de várias gerações, com o qual Ulisses sobe ao palco no Parque 13 de Maio, nesta segunda-feira (12), a partir das 15h, para celebrar junto ao seu público mais um Dia das Crianças, como faz há mais de três décadas.

"Cresci como filho do circo e do teatro. Herdei a veia artística da minha mãe, que era uma professora engenhosa e tinha a habilidade de incrementar as aulas com atividades que favoreciam o aprendizado das crianças, como o canto. Ela usava vários instrumentos para ensinar de forma lúdica”, conta Ulisses, que criou Chocolateinspirado em outros artistas, como os palhaços Torresmo e Carequinha.

A garotada, segundo ele, também contribuiu para construir o personagem. Para o público infantil perder o tão comum medo do palhaço, ele passou a convidar os pequenos para participar da produção do palhaço antes dele entrar em cena. “Com um pincel e lápis finos, eu fazia demarcação no rosto para as crianças preencherem esses espaços com tinta. Ao entrarem no clima da brincadeira, elas percebiam o quanto era mágico ajudar a construir um palhaço”, diz Ulisses, que já perdeu as contas dos espetáculos que produziu. “Foram dezenas de peças e trupes, mas não posso deixar de mencionar a Família dos Bombons, grupo que se apresentava nas festas infantis da década de 1970 e que deu uma vida imensa ao meu personagem. Desde então, não deixei de me aprimorar como palhaço.”

Na mesma época, Ulisses fez uma parceria com a casa de festas Maria Fumaça, que ficava na Rua da Soledade, no bairro da Boa Vista. A agenda passou a ser preenchida de domingo a domingo e, das festinhas de aniversário, ele passou a animar também confraternizações de fim de ano, comemorações em empresas e escolas. Não deixou de se envolver, contudo, com as montagens no Santa Isabel. “Lembro espetáculos incríveis que criamos, como a primeira adaptação brasileira de A Arca de Noé, de Vinicius de Moraes, e A Flauta Mágica, de Mozart, que foi harmonizada a várias mãos. Contamos com a colaboração de Mônica Japiassú e Fátima Freitas, que fizeram um belo trabalho de dança coreografado.”

A partir do momento em que os espetáculos ganharam os olhos da garotada no teatro, Ulisses passou a ser convidado a levar Chocolate para grandes eventos no Parque 13 de Maio, no Parque Santana, no Parque da Jaqueira e no Sítio da Trindade. “E não parei mais. A minha vida está totalmente entrelaçada ao palhaço, que nunca tirou férias e vive para animar os pequenos durante todo o ano, especialmente em datas comemorativas.”

O dia 12 de outubro, para ele, é sagrado. “Todos os anos, recebo convites para me apresentar em vários espaços, até fora de Pernambuco, mas não abro mão do Parque 13 de Maio. É um compromisso que tenho com as crianças pernambucanas no dia dedicado exclusivamente a elas”, garante.

Ulisses salienta que vive se reciclando para entrar em sintonia com as diversas gerações que cruzam o seu caminho. “Em 1980, por exemplo, vivíamos num período de regime militar e, consequentemente, a interação com as crianças era bastante tímida. Hoje, conseguimos trazer a garotada para o palco porque a liberdade de expressão é intensa. É um público mais atuante e que cria os espetáculos conosco. Por isso, preciso ir em busca de estratégias para conquistar crianças tão dinâmicas.”

Ao longo de quatro décadas, o reconhecimento de Chocolate só fez aumentar. Atualmente, os shows que protagoniza lotam o Teatro Boa Vista aos finais de semana. “Fico feliz porque a vem a família completa. Na década de 1980, tive que recorrer a artimanhas para os pais acompanharem as crianças. Muitas vinham só com a babá. Por isso, criei atividades que estimulam a participação dos pais nos espetáculos.” O Teatro Boa Vista, comandado por Ulisses, foi reaberto há cinco anos através de parceria com o Grupo Salesiano. Além de servir como palco das montagens do palhaço, a casa é aberta para eventos de dança, música e especiais de televisão.

No Boa Vista, ele mantém um espaço repleto de artefatos dos espetáculos. “Assim como em outros shows, faço a abertura e tentamos transmitir, através do enredo, mensagens importantes sobre amor para a garotada”, diz Ulisses, que é pai de Ulisses Dornelas Júnior, 31, advogado, e de Tâmara Dornellas, 18, bailarina clássica, que atua no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. “São meu orgulho”, vibra. Os netos ainda estão por vir, mas Chocolate tem certeza de que terá todo o pique do mundo para presenteá-los com alegria, como tem feito com as crianças pernambucanas.




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