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Espetáculo

Conheça os bastidores da Hora do Terror, do Mirabilândia

O show é uma tradição no parque e Imortais é o tema deste ano

Publicado em 30/10/2016, às 00h05

Publicitário durante o dia, Luiz Felipe passou numa peneira que tinha 630 candidatos para virar monstro à noite e interpretar o personagem O Demônio da Vaidade na Hora do Terror. / Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Publicitário durante o dia, Luiz Felipe passou numa peneira que tinha 630 candidatos para virar monstro à noite e interpretar o personagem O Demônio da Vaidade na Hora do Terror.
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Robson Gomes

Há 15 anos, neste período do ano em que vários lugares do mundo celebram o Halloween (Dia das Bruxas) – mais precisamente amanhã, 31 de outubro – o parque de diversões Mirabilândia, em Olinda, abandona sua aura de lugar alegre e recreativo sempre às seis da noite para expor um lado mais sombrio. As luzes do espaço se apagam e as atenções se voltam para uma invasão de monstros, pesadelos e medos. Mesclando música e atuação, o espetáculo Hora do Terror apresenta o tema Imortais em 2016. Porém, muito antes do apagar das luzes do playground para mais uma sessão deste show de suspense, existe uma grande equipe para que tudo seja assustador na medida certa.

Para se ter uma ideia, este ano, a Hora do Terror dispõe de um elenco de 110 atores, um recorde para o espetáculo. Número inédito e superior que também se refletiu na quantidade de candidatos que buscaram uma vaga no show: 630 pessoas. Entre os selecionados, o Jornal do Commercio conversou com três personagens do espetáculo: o Demônio da Cobiça, a Morte e o Demônio da Vaidade. Todos eles com uma característica em comum: são monstros à noite, com uma vida paralela completamente diferente durante o dia.

O Demônio da Cobiça, por exemplo, é taxista no período matutino. Kleydson Dantas tem 26 anos e participa da Hora do Terror há oito anos. Mas o fato de ser veterano não o impede de ficar nervoso sempre que entra em cena para assustar o público do parque: “Apesar de ser o oitavo ano, o nervosismo sempre bate. O frio na barriga é grande, porque a gente vem ensaiando há muito tempo. Então a gente espera que tudo que a gente ensaiou dê certo na hora. Fora a responsabilidade que é grande, pois o espetáculo já tem muitos fãs”, relata o rapaz, que sempre quis fazer parte do elenco, mas teve que esperar completar 18 anos para poder participar do show. É regra.

Os ensaios para o espetáculo acontecem desde o início do mês de setembro no próprio Mirabilândia. Os laboratórios de preparação ocorriam duas vezes por semana, ensaiando 4h30 por dia, com aulas de dança, interpretação e condicionamento físico. O estudante de enfermagem Luiz Fernando, de 25 anos, que interpreta a Morte, relembra como foi a seleção: “Nós recebemos um texto para memorizar e avaliavam nossa dicção, atuação e também o improviso. Além desses elementos, esse ano foi pedido muita força física”, ressaltou.

Para encarar os quatro números de dança na abertura do show e a performance de encerramento, o Demônio da Vaidade, vivido pelo publicitário Luiz Felipe, de 25 anos, viu dificuldade nas coreografias: “Não tenho muita aptidão para aprender tão rapidamente. Mas quando a gente pega, tudo fica mais fácil”, afirmou. Além disso, ainda há o processo de ficar até três horas na maquiagem para chegar à caracterização ideal. Algo que a equipe do parque busca manter em sigilo.


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FILHOS DA RAIVA

Esta edição da Hora do Terror é a oitava que tem a direção geral de Cleo Henry. Com apenas 29 anos, formada em Artes Cênicas e Administração, a paixão pela arte falou mais alto com ela. E antes de dirigir todo o show, Cleo também começou como uma das monstras. “Nosso foco primordial é o terror, o susto, o medo. Acho que tecnicamente fazemos um trabalho muito bom e o público já vem esperando isso da gente”, comenta.

As inspirações de Cleo para as temáticas da Hora do Terror nascem de uma maneira bem peculiar: “Pode parecer ironia, mas todos os meus temas surgem de grandes raivas que eu tenho. O bom é que da raiva já nasce um bom terror. As inspirações surgem à noite, quando durmo pensando nesses problemas”, relatou ela, que começa o expediente no Mirabilândia às dez da manhã para fazer o espetáculo funcionar.

Cleo explicou que o elenco chega no parque às 13h e logo encontra uma bancada de 11 maquiadores que os transformam nas criaturas assustadoras. Quando o show começa, ela monitora tudo, e tudo acontece ao comando dela. Desde o show pirotécnico até a entrada e saída de adereços no palco.

Com boa repercussão já nos primeiros dias – Imortais estreou no dia 21 – a edição 2016 da Hora do Terror fica no Mirabilândia até o dia 4 de dezembro. Para Cleo, o tamanho da responsabilidade não é maior que a sua satisfação em ver tudo pronto a cada sessão. “Eu me sinto muito realizada porque esses shows anuais são filhos para mim. Eu agradeço muito ao parque por abrir esse espaço, pois é muito difícil fazer arte aqui em Pernambuco. E é muito gratificante ter a oportunidade de realizar um grande espetáculo de terror”, finaliza a diretora.

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