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ENTREVISTA

''Seria vergonhoso se o capitalismo destruísse o graffiti'', diz Banksy

A nova instalação dele, Dismaland, é um parque de diversões repleto de obras de artistas contemporâneos

Publicado em 21/08/2015, às 16h16

A situação dos migrantes, que arriscam suas vidas para chegar à Europa, é lembrada em uma das obras de Dismaland / Dismaland/Divulgação

A situação dos migrantes, que arriscam suas vidas para chegar à Europa, é lembrada em uma das obras de Dismaland

Dismaland/Divulgação

Folhapress

Em rara entrevista, o artista Banksy falou ao jornal britânico The Guardian sobre sua nova instalação: Dismaland, um parque de diversões de 10 mil metros quadrados repleto de obras de artistas contemporâneos, instalado no litoral da Inglaterra.

A publicação fez perguntas simples ao artista, reconhecido mundialmente por seus graffitis e intervenções provocadoras em espaços urbanos. Em uma das perguntas, o jornal o questionou se, ao criar Dismaland, estaria dando as costas para a arte de rua: "Para esse show, sim".

Banksy disse "não pensar muito" sobre a venda de trabalhos seus, retirados das ruas, no mercado de arte. "Quando você pinta ilegalmente, tem que encarar muitas coisas - câmeras, policiais, a vigia da vizinhança, bêbados jogando garrafas na sua cabeça -, então colocar 'especuladores de arte predatórios' nessa mistura só torna as coisas mais difíceis. O graffiti é uma importante e válida forma de arte, seria vergonhoso que fosse destruído pelo capitalismo."

Sobre Dismaland, explicou que, "na essência", é um "festival de artes, diversões e anarquismo para iniciantes". Disse, ainda, se tratar de um parque temático para aqueles que não têm franquias, com franquias disponíveis. "É um parque temático cujo maior tema é... parques temáticos deveriam abranger temas maiores."

Disse, também, que o questionamento que fica não é "qual o sentido da arte hoje?", mas "qual o sentido em perguntar qual o sentido da arte hoje?".

Dismaland começa a receber o público no sábado (22/8) em Somerset, no litoral oeste da Inglaterra. O local, abandonado até ser encontrado por Banksy no início deste ano, reúne 58 instalações artísticas de nomes como Damien Hirst e Jenny Holzer. O nome do parque faz um trocadilho com a palavra "dismal" (sombrio, em inglês).

Sobre a escolha do local, afastado do circuito de grandes galerias, Banksy diz enxergar uma vantagem, uma vez que só estará "competindo com burros". "Penso que um museu é um lugar ruim para se olhar para arte; o pior contexto para uma obra de arte é outra obra de arte", afirmou.




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