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Gravura

Três gerações da família Samico em exposição

Sobrado de Olinda recebe mostra com gravuras

Publicado em 29/11/2016, às 07h14

Samico passava pelo menos um ano em estudos até concluir uma gravura / JC IMAGEM
Samico passava pelo menos um ano em estudos até concluir uma gravura
JC IMAGEM
Bruno Albertim

Uma mulher de saia longa, uma grande flor em haste em cada mão como se fossem espadas. Mais abaixo, compondo o quadro, dois cachorros (ou seriam cabras?), olham, de costas um para o outro, para fora do quadro. “Acho mesmo que são cachorros. Mas poderiam virar cabras até o final do processo. Papai mudava muito o estudo até aprovar o que seria a gravura final”, diz o artista visual Marcelo Peregrino, filho do Gilvan Samico que, com uma sala especial na atual 32ª Bienal de São Paulo, apenas confirma seu nome como um dos mais revelantes da xilogravura contemporânea brasileira. Desenhada a lápis, a imagem descrita está disposta logo à entrada do sobrado da Rua 15 de Novembro, no Sítio Hisórico de Olinda, onde, hoje, Peregrino abre uma exposição com três gerações da família em torno da gravura. O desenho foi o último estudo de Samico que, morto por um câncer há três anos, não chegou a transformá-la em gravura. 

Três gerações é, justamente, o nome da exposição que reúne seis xilos do próprio Gilvan Samico, mais duas dezenas de gravuras do filho Marcelo e do neto Daniel. Com técnica menos preciosista que o patriarca, os herdeiros, no entanto, incorrem pelo mesmo universo poético dele. “Algumas das minhas gravuras, como as que trato de paisagens, fogem um pouco, mas no geral, minha gravura é também impregnada pelo universo do meu pai”, diz Marcelo, artista de uma versatilidade incomum. Além da gravura, incorre na pintura com técnicas e linguagens diversas. Marcelo, aliás, é um gravurista de premiação “incompleta”. Em 1990, ganhou um prêmio pelo tríptico de suas gravuras originais no antigo Instituto Cultural Bandepe. A premiação seria uma exposição individual no ano seguinte. “Mas o instituto foi fechado e acabou por não acontecer”, lembra. Já Daniel Samico, 26, passou a criar suas gravuras quando passou, justamente, a ser auxiliar de impressão do avô já doente. Notabilizado pelo rigor geométrico no trato erudito e ao mesmo tempo popular de um Nordeste arquetípico, Gilvan Samico gastava pelo menos um ano até concluir que uma nova gravura estaria pronta para a impressão.

Três Gerações - a gravura na família Samico. Rua XV de Novembro, 119, Varadouro, Olinda.

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