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Patrimônio

Quilombo indígena em exposição no Museu da Abolição

Comunidade do sertão pernambucano pode ser melhor conhecida em Do Buraco ao Mundo: percepções sobre o patrimônio cultural da Tiririca dos Crioulos

Publicado em 04/08/2017, às 19h02

Tiririca dos Crioulos: patrimônio centenário / Divulgação
Tiririca dos Crioulos: patrimônio centenário
Divulgação
Bruno Albertim

Cerca de trezentas pessoas, uma diminuta população que se reconhece desde, pelo menos, o final do século 19. Dona, contudo, de uma impressionante densidade cultural, a vila de Tiririca dos Crioulos é um dos muitos quilombos de identidade tanto afro-descendente quanto indígena do País. A partir de hoje, um recorte desse pedaço menos oficial de Brasil pode ser mais conhecido.

Viablizada pelo Rumos, do Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento cultural na iniciativa privada brasileira, a exposição Do Buraco ao Mundo: percepções sobre o patrimônio cultural da Tiririca dos Crioulos é aberta hoje, no Museu da Abolição, Madalena, sobre a comunidade do Sertão de Pernambuco.

“É uma comunidade muito forte, com hábitos preservados como os torés, giras, muitas novenas para santos, muitas pessoas antigas donas de saberes muito específicos, como parteiras, benzedeiras, caçadoras, lideranças rituais, que envolvem jovens e anciãos, uma relação com a terra e o território”, diz o biólogo e antropólogo Nivaldo Aureliano Léo Neto, que assina a curadoria da exposição com Larissa Isidoro Serradela e Alecksandra Sá.



Os três, na verdade, motivados por seus interesses como pesquisadores, começaram a investigar a comunidade já cerca de quatro anos. Após aprovação em alguns programas de fomento à pesquisa em ciências sociais, públicas ou provadas, conseguiram através do Rumos viablizar essa exposição em que tanto estão expostos elementos da cultura material como traços do patrimônio imaterial dos quilombolas que reconhecem tanto a ancestralidade africana quanto indígena, há mais de cem anos resistindo ao racismo e às pressões fundiárias neste ponto da Serra do Araruã.

TORÉ

“Eles tanto fazem o ritual do toré como referências aos orixás, à Mãe Joana, transitam em várias esferas nesse sentido”, diz o antropólogo. Dos curadores, Alecksandra Sá é moradora da comunidade, no sentido de respeitar umas das diretrizes da antropologia moderna para que os sujeitos alvos da investigação tenham autonomia no sentido de designar o que reconhecem como patrimônio próprio. Hoje, por volta das 17h, acontece a roda de diálogo “Construindo pontes para a educação das relações étnico-raciais” e um ritual de toré realizado por membros da comunidade.

Do Buraco ao Mundo: percepções sobre o patrimônio cultural da Tiririca dos Crioulos. Museu da Abolição. Rua Benfica, 1150, Fone: 3228-3248.


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