Jornal do Commercio
Pâtisserie

A devoção ao chocolate de Anna Corinna

Chef chocolateira abre ateliê e café de doces em Boa Viagem

Publicado em 22/01/2015, às 19h53

Chef estudou com especialistas franceses, mas só usa cacau brasileiro / Divulgação

Chef estudou com especialistas franceses, mas só usa cacau brasileiro

Divulgação

Bruno Albertim

Filha de dona Salete, doceira notória de Caruaru, Anna Corinna até pensou que seria a fonoaudióloga que estudou para ser. Há 15 anos, contudo, acabou nos bancos de uma faculdade de gastronomia do Recife, quando o açúcar (com cacau) falou imensamente mais alto em seu DNA.

Muitas especializações depois, no Recife, em São Paulo e fora do País, principalmente na Espanha, onde o mestre chocolatier Javier Guiler se tornou um professor parceiro com quem se encontra até hoje, Anna Corinna é dona de uma das maiores expertises em chocolates e pâtisserie não só do Recife – mas do Brasil. Seus doces de casamento, aliás, decoram festas de várias cidades.

A doce obsessão da chocolateira é palpável num profissionalismo ímpar. É o que podemos ver na recém-inaugurada Anna Corinna Douce et Chocolat, misto de chocolateria, casa de chás, cafés e pâtisserie, funcionando em uma rua tranquila do bairro de Boa Viagem. Uma loja, aliás, tão bem desenhada que nos remete a um daqueles ateliês parisienses de chocolates onde o mais convicto abstêmio se deixa tentar.

O lugar nos ganha pelos olhos. Parece uma caixa de bombons – de luxo, naturalmente. No centro, está a vitrine onde as pequenas joias comestíveis de Corinna estão depositadas: chocolates cuidadosamente esculpidos, desenhados e recheados à mão por uma das quase duas dezenas de assistentes da fantástica fabriqueta de chocolates dos bastidores.

Todas as tardes, o salão de cerca de 40 lugares é devidamente ocupado, na maioria por moradores da vizinhança em busca de um café, chá, vinho ou espumante para as guloseimas. Uma única visita é pouco para percorrer as possibilidades. Vendidos por R$ 3 a unidade, os chocolates vêm saborizados por artigos de tentação. Pistache, flor-de-sal do Himalaia ou vinho do Porto são alguns. Avelã com Nutella ou pimenta, também estão entre os sabores. Ou ainda os chocolates maciços, em versões de 70%, 63% e 35% de cacau (R$ 3), também estão na vitrine.

E nada de chocolate belga na composição. “Resolvi assumir isso como uma marca do meu trabalho: usar apenas o melhor chocolate nacional”, diz ela. Assim, encontrou o que buscava nos chocolates Amazonas, de origem amazônica, e nos da Fazenda Leonlinda, de Ilhéus, região histórica do cacau na Bahia. São os dois terroires nacionais que fazem parte do novo mapa da excelência cacaueira no mundo, um mapa que olha para procedências como Madagáscar, Venezuela e Jamaica. O chocolate de Ilhéus volta a chamar a tenção do mundo. Tanto que, pela primeira vez, o Sul da Bahia recebeu, semana passada, alguns dos maiores mestres chocolateiros da França para participar da primeira edição do Salon du Chocolat fora daquele país.

Chocolates de uma pureza rara. “Além da colheita ser totalmente manual, não há qualquer adição de gordura hidrogenada, apenas a gordura natural do cacau”, diz. Além de mais saudável, um chocolate sem ranço no palato, de sabor mais vertical.

Da fabriqueta, saem também bolos caseiros, capazes de ativar a memória afetiva. Sabores caseiros ao lado de produtos meticulosamente sofisticados: apenas de doces para noivas, são 90 sabores exclusivos que podem ter vários formatos. No salão, há também guloseimas salgadas como sanduíches com croissants amanteigados e camadas em profusão como il fault. Artigos, como tudo que dali sai, que são puro hedonismo para quem deles usufrui.

Anna Corinna Douce et Chocolat. Rua João Dias Martins, Boa Viagem. Fones: 3325-2029 e 3463-1450. Terça a domingo, das 15h às 21h.

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