A quarta edição do festival Janela Internacional de Cinema começa amanhã com A febre do rato, de Cláudio Assis, e promete trazer ao Recife um panorama do cinema produzido no País. Beto Brant e Renato Ciasca apresentam o elogiado Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios; os irmãos Pretti e os primos Parente exibem No lugar errado, recém-saído do forno; Renata Pinheiro e Sérgio de Oliveira vêm com Estradeiros, primeiro longa-metragem da dupla. Filha da cineasta Lúcia Murat, Júlia Murat chega à cidade com Histórias que só existem quando lembradas.
Na trama, a fictícia Jotuomba mais parece uma cidade fantasma, isolada, repleta de idosos, cujas vidas pararam no tempo. Não há pulsão, estímulo, urgência, tudo é rotina, repetição, monotonia. Júlia Murat fez de Histórias que só existem quando lembradas, que estreia no Recife na próxima quarta-feira (9), um filme sobre o encontro e, principalmente, sobre a necessidade de guardar uma lembrança daquelas pessoas. Personagens que representam um tempo muito distante, localizado à beira de uma ferrovia abandonada.
“A ideia veio em 1999, quando eu estava filmando Brava gente brasileira, e encontrei uma pequena vila cujo cemitério havia sido fechado pelos militares. Fiquei fissurada nessa ideia, achei-a absurda, o fato de você não poder ser enterrado na sua própria cidade, neste caso as pessoas precisavam fazer uma viagem de sete horas de barco. Então queria escrever uma história sobre uma senhora que não podia ser enterrada na sua cidade e comecei a trabalhar com o roteiro definitivamente em 2003, 2004”, analisou a cineasta, em entrevista por telefone ao JC.
Mesmo se passando em um local fictício, todo o filme foi gravado no Vale do Paraíba (RJ e SP). O pai de Júlia nasceu na região e sempre contou à filha histórias da família, que era muito rica, mas faliu. “Acho que essa sensação de decadência ficou na minha cabeça, então foi muito natural procurar o lugar do filme no Vale do Paraíba”, ressalvou. Em 2007, Júlia lá e desenvolveu um documentário sobre o Vale e os habitantes, e esse material a ajudou a produzir o roteiro ficcional de Histórias que só existem quando lembradas.
“Fiz a pesquisa do filme na área do Vale do Paraíba fluminense, seguimos pela linha do trem e é impressionante porque você vê uma série de cidades que existiam em função do trem de passageiros e das plantações de café, abandonadas. Fui seguindo essa linha e conhecendo uma série de ambientes e pessoas. Inclusive, escrevi alguns personagens pensando em pessoas específicas. Depois veio um longo processo de convencimento para elas toparem participar do filme”, observou a cineasta.
Leia mais no JC de hoje (3), no Caderno C
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