A mostra de cinema contemporâneo do CineOP exibe neste sábado três documentários de longa-metragem: Vou rifar meu coração, de Ana Rieper; Dino Cazzola - uma filmografia de Brasília, de Andréa Prates e Cleisson Vidal; e mulher de longe, que recupera imagens do filme inacabado de Lúcio Cardoso tido como perdido e usa como base os diários do escritor.
Expoente da chamada literatura psicológica, iniciou-se com romances de recorte realista e sociológico, como Maleita e Salgueiro, mas se orientou cada vez mais para um tipo de escrita que mergulha na interioridade e complexidade do homem moderno. Dúvidas e questionamentos pessoais superpõem-se à análise da realidade. Católico fervoroso e homossexual, Lúcio Cardoso questiona o bem e o mal, Deus e o Diabo. Surgem as obras-primas - Mãos vazias, que Luiz Carlos Lacerda adaptou, Inácio e Crônica da casa assassinada, que virou filme de Paulo César Saraceni (A casa assassinada).
Amante de cinema, Cardoso tentou a direção e, em 1949, iniciou a rodagem de A mulher de longe na aldeia de pescadores de Itaipu, em Niterói. A descoberta de cenas - em estado precário - levaram a um trabalho de restauração, que Lacerda efetuou em parceria com o Canal Brasil.
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