Poucos cineastas poderiam estar melhor preparados para uma adaptação cinematográfica do clássico da geração Beat Pé na estrada (On the road, no original) que o brasileiro Walter Salles. Filmes como Terra estrangeira (1996), Central do Brasil (1998) e Diários de motocicleta (2004) pavimentaram seu interesse pela temática da estrada e suas paisagens tanto físicas quanto espirituais.
O longa-metragem resultante do livro de Jack Kerouac, intitulado Na estrada (On the road, 2012), chega nesta sexta-feira (13/07) aos cinemas recifenses após uma participação pálida no último Festival de Cannes, em maio. Apesar das críticas pouco entusiasmadas, o longa permaneceu entre as 10 melhores bilheterias da França durante três semanas (um desempenho melhor que Cosmópolis, de David Cronenberg, que também foi lançado no mesmo dia).
No dia seguinte à exibição em Cannes, Walter Salles recebeu jornalistas brasileiros para uma conversa no escritório da produtora MK2, num edifício a poucos metros do Palais du Festival. Envolvido no projeto durante oito anos, o cineasta confirmou a sua longa filiação aos road movies. "Passageiro: profissão repórter, de Michelangelo Antonioni, me levou ao cinema, assim como os primeiros filmes de Wim Wenders, como Alice nas cidades. Depois teve a revelação de Bye Bye Brasil, que foi o primeiro filme sobre identidade brasileira construída na estrada, que me marcou”, relembrou.
“Eu tenho a impressão que os filmes de estrada têm uma qualidade muito específica: eles querem dizer que a medida em que você se distancia do ponto de partida, entende-se melhor de onde você vem e quem você é. Eventualmente, até quem você pode vir a ser. Então, nesse sentido, você está sempre se confrontado com personagens em crises existenciais e que se redefinem ao longo da narrativa. Como instrumento cinematográfico é muito atraente”, continuou.
Leia reportagem completa na edição desta sexta-feira (13/07) no Caderno C, do Jornal do Commercio.
Comentários
Gostei do filme. Na estrada foca mais na pessoa do Kerouac e de como as viagens lhe inspiram a escrever o livro. Chama atenção seu círculo de amizade em especial com Dean. O pior do filme, infelizmente, foram alguns que durante a exibição ligam o celular, ficam em conversas paralelas. Fica difícil assistir filme desse jeito. Acho que está na hora de fazer campanhas educativas, também, nos cinemas.
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