No ano da graça de 1962 - há exatos 50 anos -, o cinema deu a luz a algumas obras-primas, entre elas Jules e Jim – Uma mulher para dois, de François Truffaut, O milagre de Anne Sullivan, de Arthur Penn, Sob o domínio do mal, de John Frankenheimer, e O homem que matou o facínora, de John Ford. No entanto, é difícil tirar o cetro de filme mais importante do ano daquele que definiu o sentido do épico no cinema: o monumental Lawrence da Arábia, de David Lean, que conquistou sete Oscars, inclusive o de Melhor Filme.
Passado meio século, o longa-metragem continua a ser reverenciado. No último festival de Cannes, uma sessão especial em DCP (o padrão digital adotado pela indústria cinematográfica) comemorou o seu cinquentenário. A partir de setembro, o filme será relançado em cinemas da Austrália e do Reino Unido. Além da efeméride, Lawrence da Arábia também voltou a ser lembrado por causa dos eventos da Primavera Árabe - afinal, trata-se de uma biografia do militar inglês que promoveu uma revolução no Oriente Médio ao unir os povos da região -, como também do anúncio da aposentadoria do ator Peter O´Toole, na última terça-feira.
Produzido ao longo de dois anos, Lawrence da Arábia custou mais US$ 12 milhões, uma grande fortuna na época. Com filmagens na Jordânia e no Marrocos, o longa conta parte da história de T.E. Lawrence por meio de um longo flashback, a partir das ações representadas no livro Os sete pilares da sabedoria. A figura enigmática, complexa, messiânica e excêntrica de Lawrence, que no filme é interpretado por Peter O´Toole, colocou em xeque a política inglesa e seus interesses colonialistas no Oriente Médio.
O escritor pernambucano Fernando Monteiro, que se notabilizou como uma das maiores autoridades da obra de T.E. Lawrence no Brasil, assistiu à primeira sessão do longa no dia de seu lançamento, no cinema Trianon. “"Vi o filme deslumbrado, mas o Trianon era o cinema menos indicado para exibi-lo por causa da tela pequena. Lawrence da Arábia não foi exibido em 70mm, como deveria. Quando o revi neste formato, na Inglaterra, a impressão era que você estava cercado pelo deserto”, relembra.
Leia a reportagem completa na edição deste domingo (15/07) no Caderno C, do Jornal do Commercio.
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